Mortos na Síria já são mais de 100 mil

26/06/2013 23:25 - Modificado em 26/06/2013 23:25
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siriaAs expectativas da realização de uma conferência de paz, em Genebra, anunciada em Maio por norte-americanos e russos, parecem cada vez mais distantes.

 

O rei Abdullah avisou nesta quarta-feira para os riscos de uma divisão da Síria, que provocaria “desestabilizaria a região e o futuro dos seus povos durante gerações”. As declarações do monarca da Jordânia coincidem com um novo balanço de vítimas: segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 100.191 pessoas, na maioria civis, morreram desde o início da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad.

 

Esta ONG, a única que desde o início das manifestações pró-democracia, em Março de 2011, tenta contabilizar as vítimas, diz que há ainda mais de 10 mil detidos pelo regime cuja localização é desconhecida. O mesmo acontece com várias centenas de soldados capturados pelos grupos rebeldes.

 

Entre os mortos, 36.661 são civis, incluindo 5144 crianças com menos de 16 anos e 3330 mulheres; 25.407 são membros das forças que apoiam o Governo e 18.072 são combatentes da oposição – destes, só 2015 são desertores; a maioria, 13.539, são civis que pegaram em armas; e 2518 são combatentes estrangeiros, jihadistas radicais na sua maioria.

 

Há duas semanas, a ONU divulgou um relatório onde dizia que já tinham morrido mais de 93 mil pessoas, incluindo pelo menos 6500 crianças, notando um acentuado aumento de mortos a cada mês que passa.

 

O Observatório registou ainda 17.311 mortos entre as milícias que apoiam Assad e 169 membros do Hezbollah libanês, que nos últimos meses começou a combater ao lado das forças do regime.

 

O Hezbollah já estaria a colaborar com Assad, mas a entrada assumida no conflito veio sublinhar ainda mais a natureza crescentemente sectária do conflito. A família Assad é alauita, um ramo do xiismo, enquanto a maioria dos sírios, e dos que se revoltaram contra o regime, são árabes sunitas.

 

“Atear o fogo do confessionalismo no mundo árabe e muçulmano terá consequências desastrosas por gerações e para todo o mundo”, disse o rei Abdullah, cujo país recebe actualmente meio milhão de refugiados sírios. “O maior medo é que o conflito sírio semeia a discórdia entre sunitas e xiitas na região”, disse, numa entrevista publicada pelo Asharq al-Awsat, o diário árabe com sede em Londres que é financiado por investidores sauditas.

 

No plano diplomático, as expectativas da realização de uma conferência de paz, em Genebra, anunciada em Maio por norte-americanos e russos, parecem cada vez mais distantes. Cinco horas de discussões na terça-feira terminaram sem nenhum acordo. Moscovo insiste que o Irão, principal aliado de Assad, deve ser incluindo nas conversações, enquanto Washington se opõe por causa da disputa sobre o programa nuclear iraniano.

 

 

publico.pt

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