Belmar e Návia: ganham alento depois de aprenderem a viver com a hidrocefalia do filho

26/06/2013 00:37 - Modificado em 26/06/2013 00:37
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Belmar e NáviaBelmar e Návia são pais de uma criança de dois anos que padece de hidrocefalia. Para o casal, a doença do filho mudou-lhes a vida, já que souberam da mesma quando a criança nasceu. Os problemas financeiros impediram-lhes de conseguir 1500 escudos para fazer uma ecografia morfológica onde poderiam descobrir a doença do filho. Belmar e Návia ganharam uma pensão social e agora driblam a vida tentando encontrar forças para cuidar do filho que padece de uma doença que lhe encurta o período de vida.

 

O NN apurou que por ano nascem em São Vicente, no Hospital Baptista de Sousa, três a quatro crianças com hidrocefalia. O filho de Belmar Monteiro e Návia Soares faz parte desse cenário, de uma doença que surge através da acumulação de um líquido cefalorraquidiano no interior da cavidade craniana que por sua vez, faz aumentar a pressão intracraniana sobre o cérebro, podendo vir a causar lesões no tecido cerebral e aumento e inchaço do crânio.

Belmar e Návia residem na zona de Cruz João Évora e têm uma criança que padece de hidrocefalia e que no dia 27 de Junho completa dois anos. Os pais do bebé engrossam os números da taxa de desemprego em São Vicente.

Belmar de 37 anos é mecânico, mas consegue trabalho só quando aparece algum cliente para consertar o próprio carro. Por seu lado, Návia de 25 anos teve de abandonar os estudos devido a problemas financeiros e para cuidar do filho. Para além do bebé, Belmar tem uma filha que reside com o casal.

 

Vida

O casal vive do pouco que Belmar ganha no conserto de veículos, da ajuda de familiares e de cidadãos que apoiam com géneros alimentícios ou produtos para a criança. A vida de Belmar e Návia foi-lhes madrasta, porque para além dos problemas financeiros, eles viram nascer um filho que sofre de hidrocefalia. Mas agora, ganharam um novo alento porque a criança passou a receber uma pensão social de 4900 escudos para apoiá-la na alimentação, roupas, fraldas, entre outros produtos.

Segundo Belmar “só soubemos da doença quando o nosso filho nasceu, apesar dos médicos terem detectado algo de anormal durante a gravidez. Durante o período de gestação, a minha mulher fez consultas no PMI, porém, não fez a ecografia principal que pudesse detectar a doença. Passávamos por períodos difíceis e por faltarem1500 escudos, a ecografia foi realizada a poucos meses do nascimento do nosso filho”.

A ecografia morfológica foi realizada por iniciativa da sogra de Belmar que, de passagem por São Vicente, levou a filha ao HBS a fim de efectuar a ultra-sonografia. Durante o exame, os médicos detectaram que a criança tinha deformações no corpo, mas só souberam da doença quando o filho nasceu por meio de uma cesariana.

 

Solução

Todavia, a doença do filho de Belmar e Návia já estava numa fase avançada. Nestas circunstâncias, um tratamento cirúrgico no exterior seria inútil. O casal sem solução médica para curar a doença do filho, passou a levá-lo para as consultas de rotina no PMI e no HBS. Durante estes dois anos, o diâmetro da cabeça do filho de Belmar e Návia continuou a crescer.

Belmar sublinha que ficaram abalados por saberem que a doença não tem cura. “Da nossa parte temos de apoiá-lo porque o líquido no cérebro encurta-lhe o tempo de vida. Temos arranjado forças psicológicas para fazê-lo ultrapassar o sofrimento. E temos dado ao nosso filho aquilo de que precisa enquanto estiver no seio da família”.

 

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