Bestial, 1º Ministro

19/06/2013 23:52 - Modificado em 19/06/2013 23:54

bandeira cv1BESTIAL, 1º MINISTRO RETROCEDA QUASE UM SÉCULO, EM NOME DA EVOLUÇÃO DO ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO

 

Vibrante e indescritível é a minha admiração, pelas insondáveis maravilhas da criação Divina. Em triliões, legiões; o número é infinito, de seres (humanos), cada um, tem as faculdades próprias. Cada um é diferente do outro. Cada um pode ver, sentir e julgar os seres e as coisas, de forma diferente, sem as tirar a forma original. Somente pelo poder de quem a mente humana não pode sondar, são feitas tais maravilhas. E Deus disse, que fez o Homem a sua imagem e semelhança. Isto é, com vontade própria. Portanto, foi o próprio criador quem deu a liberdade ao homem (liberdade para fazer o bem, liberdade para construir, porque quem faz o mal é um manieta). Maravilhoso isso não é?

 

Estar de acordo com o que dizem e fazem outros… Não sou obrigado, e ninguém será. Como diz o outro, a liberdade de escolha é um direito de todos… Mas só alguns a exercem com elegância. Eu, tenho por princípio concordar sempre, com aquilo que é feito com boa intenção. Ter boas intenções, fazer bem aos outros, nos dias que ocorrem, é uma virtude.

 

Também, crítico com firmeza, sem titubear, aquilo que acho que devia ser pensada e aplicada de forma

Diferente.

 

Quase sempre, as pessoas tendem-se a justificar aquilo que fazem de bem ou mal, muitas vezes subordinando a razão a emoção, quando devia ser ao contrário. Tudo isso, em consonância com a sua própria “paideia”. Isto é; de acordo com a sua estrutura moral, de acordo com a sua dimensão intelectual, mas sobretudo, pela forma como engendra os seus princípios. Os primeiros “banhos da vida, são inevitavelmente a “cura” efetiva de uma personalidade.

 

 

O criador ama a sua criatura, mas não a deu bens materiais. Deu-lhe a capacidade de se “safar”. Porque o património de Deus é espiritual. E é também, a sabedoria. Deus deu ao Homem sim, o dom do saber. A sabedoria, é o elemento racional da alma. É uma dádiva de Deus, que podemos ampliar com os nossos próprios esforços e com os meios que Deus colocou ao nosso alcance. Outro importante elemento que o ser humano dispõe, é a coragem. Este, um elemento animoso. Este elemento (a coragem) aliado ao poder e a teimosia, poderá ser um elemento adverso. Subversivo a virtudes.

 

A história das nossas Ilhas, da nossa gente, da nossa Nação, de sempre até agora, fez-se pelas penosas “jornadas “que os nossos antepassados fizeram. A nossa história foi escrita pelos nossos antepassados. A nossa história foi sempre de solidariedades, de vivências e convivências. Ninguém ousou mudar, ou alterar o que quer seja. Nem no tempo da escravatura, os proprietários quiseram dividir os seus escravos, por que não era bom fazê-lo. Em suma, a história das Ilhas e das suas gentes, não pode ser subvertida, tão pouco alienada.

 

O nosso amigo, e Primeiro-ministro de Cabo Verde, nos últimos tempos tem tentado padronizar “valores” em Cabo Verde de forma abusiva e desequilibrada. Toma decisões impulsionadas pela animosidade e pela tempestade emocional que tem sacudido a sua personalidade. Quer andar de vestes diferentes, e todos teem que vestirem como ele quer, porque é Primeiro-ministro.

 

Numa das suas páginas no facebook, ele diz estar cioso dos grandes ganhos que a liberdade nos proporciona. Devemos estar ciosos sim, de termos a liberdade que nos permitam ser bons cidadãos, servirmos uns aos outros com amor, sem no entanto passar pelas nossas cabeças, que alguns cidadãos são mais distintos do que outros. Também diz com alguma bazofaria, que o acordo (concordata) assinado está conforme a constituição da República. Pensa assim, está certo? Creio que não, porque está consagrado na constituição os princípios de igualdade a todos sem nenhuma restrição. Os governos (Estados) teem a prorrogativa e dever de assinarem acordos de cooperação com outros Estados e Governos em dimensões e variantes diferentes, para beneficiarem os povos dos Estados, que assinaram tais acordos. Repito: em vários vertentes, para benefício dos povos. Isso, está de facto conforme a constituição da República. O que não está e nem poderia estar conforme a constituição da República, de um Estado laico, é um primeiro-ministro, procurar por iniciativa própria, um estado clerical, para assinar acordo ou concordata, que de forma subversiva atribuí direitos e privilégios a uma confissão religiosa e aos cidadãos aderentes a esta confissão religiosa, discriminando e marginalizando as outras como se o Deus que as outras aclamam, fosse outro Deus. O que de facto, é ao contrário. O acordo (concordata) dá privilégios exclusivos a igreja católica e é um precedente que decerto divide a sociedade Caboverdeana, em vez de a unir. É evidente, que por hipocrisia, quem beneficia com essa “dádiva” dirá que não, e que o feito está certo. Mas a decisão terá efeitos indesejáveis sim.

 

Porque, o Senhor Primeiro-ministro pensa que pode convencer a maioria dos Caboverdeanos que um acordo assinado exclusivamente para dar primazia a uma confissão religiosa sobre as demais, reflete a maturidade de um Estado de direito consolidado como diz? Não é sinal de maturidade, não Senhor Primeiro-ministro, é sim, sinal de uma humilhante subserviência aos feches da igreja que o senhor pertence. Humilhação, que em parte alguma deste planeta outro Primeiro-ministro se submetia. O governo colonial português, em 1940 assinou uma concordata com o vaticano com um objetivo claramente definido. O Estado dava privilégios a igreja, esta retribua, ajudando a ditadura a manter as suas colónias. Era no tempo da segunda guerra mundial, e Portugal “tremia”. Não tinha alternativas senão pedir ajudas para manter as suas colónias. E a igreja católica bem o podia ajudar. E o ajudou. Então, o Senhor acha que a concordata assinada pelo governo colonial português em 1940, era sinal de maturidade? O governo português de então assinou a concordata contra a sua própria vontade. A sua “fraqueza” o obrigou. Não é por acaso, que o Estado português se submeteu ao império britânico até dias de hoje, tornando-se “quase” uma semicolónia britânica. O senhor sabe disso mais do que qualquer pessoa. Pode ser espiritualmente “vazio”, mas tem uma mente brilhante.

 

Tem dito amiúde, que é seguidor de Amílcar Cabral. Ôhhhhhhhhh, nãooooooooo! Poem a mão na sua consciência.

 

Cabral, um dos seres mais brilhantes que a história deu ao mundo, já na década de sessenta (tivemos o privilégio de ver o sol nesta década de luz), previa a era das TIC, das novas tecnologias, previu um mundo diferente, para as novas gerações. Cabral viu o que hoje desfrutamos. Mas o Senhor, retrocede quase um século, para fazer o que o seu colonizador fez, sem querer? Com certeza, não fosse as circunstâncias, o governo português não faria tal acordo. Nenhum outro Estado no mundo, hoje assinaria concordata com o Estado de vaticano. A sua decisão é inteligência? Não, é subserviência, é humilhação.

 

JMN, o cidadão Paulino Évora, que em 1975, foi nomeado bispo para a diocese de Cabo Verde, foi nomeado para servir a sua congregação. Não foi nomeado para prestar relevantes serviços ao País como diz. Se prestou relevantes serviços, prestou-os a comunidade católica. Não ao Estado. Um Estado, que ele batalhou bastante para que não existisse. O Senhor hasteou a sua decisão numa lei de noventa. Está na moda. Muitos erros agora cometidos, são por causa do que foi mal feito na década de noventa. Basta! A lei consagra direitos a cidadãos que tenham prestado relevantes serviços ao País, e consequentemente ao Estado. Mas o cidadão agraciado prestou serviços a igreja e não ao Estado. Ou o Senhor pensa que a igreja católica é o Estado de Cabo Verde?

As comparações, feitas com outras personalidades, são desonestas. São justificações infundadas. Cesária, Bana, Arménio Vieira, Manuel D’novas, são várias centenas de “génios”, que esta terra deu a nós todos. O dom deles, foi uma bênção para esta Nação. O legado deles, é de todos nós, não de uma determinada comunidade. Também, os combatentes da liberdade da Pátria, lutaram para uma Nação una. Uma Nação de diferentes confissões religiosas, uma Nação de direitos iguais para todos etc. Infelizmente, hoje temos um País de muitos diretos, mas não de igualdades. Mas, fizeram por isso. E por esta causa, muitos tombaram… Essa comparação é ignóbil, Senhor Primeiro-ministro. Está claro, que a congregação católica em Cabo Verde é maior do que as outras. Porém, há razão para que seja assim. Deste do princípio, a congregação católica foi discriminadamente apoiada pelo Estado. Até mesmo uma empresa da comunicação pública, a RTC, é um instrumento ao serviço da igreja católica. Coisa que não acontece em parte algum do mundo. Quanto as estatísticas, elas são grosseira e propositadamente empoladas. Porque, quando a INE saí pelas ruas perguntando as pessoas que religiões pertençam, todos dizem que são católicos, sem nunca terem colocado os pés em qualquer igreja. Deviam era saber quem frequenta uma igreja todos os domingos. Se perguntarem ao Zezinho catana que religião ele pertence, não hesitaria em dizer que é católico.

 

Muitas vezes, os números que a estatística mostram deste País não são reais. Quem anda pelos bairros das nossas cidades, sabem que a realidade é bem diferente daquilo que diz a estatística em várias vertentes.

 

O cidadão agraciado com 125 contos pelo Primeiro-ministro, é um religioso nomeado por uma instituição religiosa, é membro de uma confissão religiosa assim como milhares de Caboverdeanos são membros de diferentes confissões religiosas em todo o País. Porque que há-de ser diferenciado dos outros? O cidadão pertence a um império/clerical riquíssimo e poderoso, com meios mais do que suficientes para suportar reformas a todos os seus servidores. O estado e a religião que servira, tem recursos incomparavelmente superiores ao Estado que o Senhor Primeiro-ministro dirige. O Senhor Primeiro-ministro quis ser bondoso para com um dos chefes da sua congregação, mas devia saber que no Estado que dirige, vivem pessoas (são muitas) que mendigam o pão. Devo dizer ao cidadão JMN, que a bondade é uma virtude, quando aliada a estabilidade moral. Nesse caso, a sua bondade está despida de moralidade, porque se quisesse ser bondoso, na verdade, olhavas para outro lado. Para quem sequer consegue arroz para cozinhar. Se os 125 contos por mês, atribuídos ao senhor Paulino Évora saíssem da sua conta bancária, aí ninguém tinha nada a ver. Mas não; vão sair da contribuição paga por milhares de Caboverdeanos de outras confissões religiosas, de muitos mais milhares de Caboverdeanos que não professam nenhuma religião. Cadé a moral, Sr. Primeiro-ministro? Sr. Paulino Évora deu muitos anos da sua vida, servindo uma comunidade específica a mando de um estado diferente. Se o vaticano quisesse, podia servir a comunidade católica noutro País. O homem não pode ter prestado relevantes serviços a um Estado que ele nunca quis que fosse Estado. O Senhor sabe que muitos deles não quiseram que Cabo Verde fosse um Estado independente. Exatamente, por causa dos compromissos assumidos com a assinatura da concordata em 1940.

 

Os outros comparados, juraram servir este Estado, dando a própria vida se fosse o caso. E muitos morreram por este Estado.

 

E o homem, não carece de pão, não carece vestes, tão pouco carece de lugar para dormir. E tem transporte para viajar para onde quiser. Mas há milhares por aí, que carecem de pão para comer, de roupa para vestir e de lugar para dormir, que muitas vezes faltam-lhes 20$ para comprarem água para beberem ou para cozinharem. Na verdade, são muitos.

 

Se quer agora lembrar de pessoas que prestaram e prestam relevantes serviços a este País, devia ter muito mais atenção, porque não obstante querer servir fervorosamente a sua igreja, é Primeiro-ministro. Há Cidadãos que prestam serviços de facto relevantes, e não exigem nada em troca. No entanto, não são tidos nem achados. Entre muitos, devo lembrar-vos de um humilde cidadão, que no interior de Santiago dirige uma tenta por nome de: tenta El Shaday. Este virtuoso cidadão já resgatou dezenas de Jovens, perdidos para uma nova vida. A ele, não é dado nada, nem apoio das entidades públicas tem. Penso que ele nunca disse, e não dirá, que merece isso ou aquilo. Pede com certeza a graça de Deus, que o bastará. O outro, disse de peito aberto, que merece uma pensão de 125 contos do Estado de Cabo Verde, porque assim diz a concordata assinada entre o estado colonial e o vaticano em 1940. Uma aberração. Isso é para verem, como algumas personalidades deste País, tratam safiamente os Caboverdeanos de parvos.

 

Senhor Primeiro-ministro e presidente do PAICV, em Janeiro de 1991, o PAICV, apanhou uma humilhante derrota nas eleições. Nessa altura, o chefe da igreja católica em Cabo Verde, o homem agora pensionado, fez tudo o que estava ao seu alcance, para aniquilar um dos candidatos. Refiro-me, toda a gente sabe, ao Comandante Pedro Verona Rodrigues Pires. Fez tudo sim, para o aniquilar a vista de todos nós. Ele, o clérico, fez tudo para que o Cidadão Pedro Pires, desaparecesse de vez da cena. Muitos mesmo, queriam a sua morte. E o Senhor sabe disso. Portando (não sendo todavia esta a razão, de ele ter rejeitado pensão ao sujeito, a rejeição tem a ver sim, com o sentido de justiça, e não outra opção), se por ocasião do 30º aniversário da nossa independência, o PR de então não aceitou o seu pedido, tinha, e terá a razão do seu lado sempre, no que diz respeito a esta matéria. Porque, o que está aqui em causa é a justiça. Não é vingança, nem outra opção qualquer. Simplesmente, se há pensão para o Sr. Paulino Évora, deve haver para outros também. Embora a sua humilhação perante este senhor está a vista de toda a gente. Por isso, dizia, não pode haver confusão nenhuma nisso. Quem anda a engazupar os Caboverdeanos é o “Cardeal JMN”. Se calhar, o Senhor não viu como o candidato derrotado, Pedro Pires, ficou tão abatido na altura, não pela derrota eleitoral, mas pela forma indecente como foi tratado naqueles dias. Foi um período infernal para ele. Não sabe também, quem foi naquela mesma noite, dar um abraço ao Comandante Pedro Pires, quem foi a sua casa, orar com ele, dando-lhe conforto, para poder levantar e continuar o ainda longo caminho que tinha para frente… Essa pessoa foi nada mais, nada menos do que o Reverendo (na altura superintendente distrital) Eugénio Rosa Duarte, que hoje é o superintendente-Geral da Igreja do Nazareno. O cidadão Paulino Évora e seus amigos, como disse, queriam que Pedro Pires não existisse mais. O injuriaram de forma voraz, estapafurdicamente banquetearam o seu infortúnio. Demonstraram que eram verdadeiros e algozes inimigos de Pedro Pires e de Aristides Pereira. Um Cristão pode fazer isso? Não, não pode. Em vez de demonstrarem o amor que um Cristão deve manifestar ao próximo de forma incondicional, em nome da religião desejaram o aniquilamento total de pessoas… Hoje, essas mesmas pessoas, fariam a mesma coisa. Não demonstraram em nenhum momento, um sentimento contrário. Até porque, em outros momentos fizeram muito mal a outros. Estou a falar do caso das profanações, da origem dos factos. Tudo isso, tem que continuar enterrado? E o direito que as pessoas teem de serem ressarcidos por terem sido tão vilmente injuriados? Onde está o Estado de direito tão evoluído de que o Senhor fala? Esses sim, deviam ser compensados pelas injúrias que sofreram. Continuamos a ver nesses vilãos, políticos e cléricos, a mesma arrogância doentia. Isso sim.

 

Pois, Sr. JMN, há muito tempo deu a entender a paixão que tem pela igreja católica. Tem esse direito como todos os cidadãos o tem. Até, aplaudo. Mas, o Primeiro-ministro JMN, não pode usar o seu poder, como governante, para beneficiar a sua igreja em detrimento de outras confissões religiosas. É seu direito, pertencer que religião quiser, mas deve ser enquanto tal, primeiro-ministro de todas confissões religiosas, em Cabo Verde. Colocar todas em pé de igualdade, como diz a constituição da República. Não deve ter o desplante de dizer que uns tem número de aderentes do que outras, conseguintemente merecem tratamento diferenciado. Isso é bajulação. Isso é injusto é feio. De resto, a esmagadora maioria dos Caboverdeanos hoje, não frequentam nenhuma religião. As estatísticas são grosseiramente empoladas como eu disse.

 

Ultimamente, o senhor tem dito e feito algumas coisas forma emocional, que não tem saído nada bem.

A posição tomou em relação assunto esboçado, com certeza vai dividir a sociedade Caboverdeana e vez de a unir. Negar isso é desinteligência. As pessoas até podem ficar silenciosas, mas muito pouco contentes. Eu tomei a liberdade de manifestar publicamente o meu desagrado, outros porém sintam a mesma coisa e não se manifestam

 

Por último, queria deixar aqui um concelho ao Sr. JMN. Já que evidenciou essa humilhante subserviência, pode mesmo estar a querer ser Sancristão, se quer, despede-se da política, e vai morar numa igreja qualquer servindo os padres.

 

 

 

 

Severino Manuel Gertrudes

 

 

  1. HL

    José Maria Neves Está doente. Precisa ser internado.

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