“Navio parado não ganha nada”

18/06/2013 01:00 - Modificado em 18/06/2013 01:00
| Comentários fechados em “Navio parado não ganha nada”

carrinho maoOs vendedores ambulantes de verduras saem da cidade do Mindelo para a periferia de São Vicente. Isto porque na “morada” os fiscais não permitem que vendam os seus produtos agrícolas e garantem que mesmo fora da cidade, correm o risco que os produtos sejam apreendidos. No entanto, os entrevistados garantem que estão a lutar pela vida e não incomodam ninguém e pedem que os deixem trabalhar.

 

Pestana, vendedor ambulante, afirma que tem a sua clientela e que num dia de trabalho consegue ganhar 700 escudos ou até mesmo 1000 escudos se for um bom dia de trabalho, o que lhe permite sustentar a sua família. Assim como Débyss diz que “com a minha venda do dia já consigo comprar uma fralda para a minha filha e colocar comida na mesa em casa”. Os dois entrevistados consideram que o trabalho é honesto e difícil, visto que andam de sol a sol para garantirem a venda dos produtos e correm riscos ao fazê-lo. Débyss conta ao NN que “tenho um amigo que ficou hospitalizado porque foi vítima de um caçubody e tiraram-lhe o dinheiro da venda e bateram-lhe”. Para além do risco, ”ainda estamos na mira dos fiscais” pois, segundo Débyss eles representam um obstáculo ao seu ganha-pão. Pestana acrescenta que ”tenho de trabalhar e navio parado não ganha nada”.

 

O carrinho de mão

Os vendedores ambulantes não trabalham por conta própria, existe quem lhes fornece os produtos agrícolas para venderem e quem lhes dá trabalho prefere ficar no anonimato. Não só são fornecidos produtos para a venda, como também o instrumento de trabalho o “carrinho” que normalmente é utilizado nas obras, mas Debyss diz que “temos opção de comprá-lo ou alugá-lo. O aluguer fica no valor de 200 escudos e a compra 3100 escudos, sendo que esta compensa, visto que é o instrumento fundamental para o trabalho, isto porque lhes permite transportar os produtos. Os vendedores ambulantes batem à porta, tentam conquistar a clientela e facilitam a vida às donas de casa. Enquanto que as vendeiras da Praça Estrela tentam conquistar os clientes no meio de muitas que oferecem os mesmos produtos.

Questionado sobre as vendedeiras na Praça Estrela, Pestana não concorda que sejam penalizadas pelo facto de estarem a trabalhar num lugar fixo e argumenta que “os são-vicentinos gostam de ir às compras para terem opções de preços e poderem negociar”. Este facto não dificulta o trabalho dos vendedores ambulantes porque consideram que “temos alguns clientes fixos que já conhecem a qualidade do nosso trabalho e inclusive negociamos o preço se for necessário para manter o cliente”. Por fim, Pestana diz ao NN que “existe mercado de trabalho para todos. Só pedimos que nos deixem trabalhar”.

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.