Violentas cargas policiais contra manifestantes em Istambul e Ancara

17/06/2013 00:10 - Modificado em 16/06/2013 23:29
| Comentários fechados em Violentas cargas policiais contra manifestantes em Istambul e Ancara

IstambulIstambul é uma cidade dividida, com manifestantes de um lado e apoiantes de Erdogan do outro. Greve na segunda-feira.

A polícia de choque turca reprimiu violentamente a manifestação anti-governo deste domingo em Istambul. O enviado do PÚBLICO na cidade, Paulo Moura, relatou via telefone que foram lançadas granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que foram espancados com bastões e pontapeados – o repórter deste jornal foi uma das pessoas agredidas.

 

As agências noticiosas dão conta de idêntica actuação policial junto à Praça Taksim e ao Parque Gezi, onde começou o movimento de contestação ao primeiro-ministro, Recep Erdogan.

 

Muita violência foi também usada contra os manifestantes reunidos, com o mesmo propósito de contestação, na cidade de Ancara – aqui uma pessoa ficou gravemente ferida, segundo a BBC.

 

Depois de a polícia ter expulsado os manifestantes da praça Taksim e do Parque Gezi no sábado à noite, o Governo reforçou a presença policial nas duas grandes cidades, deslocando mil homens das províncias.

 

As autoridades bloquearam os acessos a Taksim e a Gezi, prendendo ou agredindo quem se aproximava. O ministro turco dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis, disse mesmo que quem se aproximar de Taksim será considerado terrorista. “A partir deste momento, qualquer pessoa que encontre ali terá de ser, lamentavelmente, considerado pelo Estado como membro de uma organização terrorista”, avisou, em entrevista à televisão A Haber.

 

Egemen Bagis criticou ainda os media internacionais, pela forma como estão a cobrir estes protestos. Na mesma linha de actuação, quatro canais de televisão turcos foram multados pelo Conselho Superior de Rádio e Televisão da Turquia, por terem transmitido protestos de Taksim e Gezi, avança a edição electrónica do jornal Hurriyet.

 

Mas a verdade é que milhares de turcos saíram às ruas, em desafio a Erdogan. Muitos deles tentam aproximar-se de Taksim. E os protestos prometem continuar, já que para segunda-feira foi marcada uma greve geral.

 

A agressão policial surgiu também sobre a forma de água. Muitos manifestantes queixaram-se de fortes irritações cutâneas depois de terem sido atingidos pelos jactos lançados pelos canhões de água. O governador de Istambul negou que a água tenha “produtos químicos”, embora tenha admitido que a água tem “uma solução médica”, que não especificou.

 

A Associação de Médicos Turcos denunciou “o uso selvagem” de gás lacrimogéneo nas últimas duas semanas. “Pedimos ao Governo que ponha um fim imediato a esta violência bárbara e fazemos um apelo urgente à comunidade internacional para que actue contra a repressão brutal”, diz um comunicado desta organização, citado pelo El Mundo.

 

Esta associação fez um inquérito na Internet para avaliar os efeitos do gás lacrimogéneo nos manifestantes e concluiu que mais de 11 mil pessoas foram afectadas. “Ficar exposto ao gás durante mais de um dia incrementa o risco de problemas cardiovasculares”, avisam os médicos, revelando que 11% dos inquiridos disseram ter estado expostos ao gás durante mais de 20 horas.

 

Manifestação pró-Erdogan

Ao mesmo tempo que uma parte de Istambul protesta contra Erdogan, o primeiro-ministro reuniu milhares de apoiantes no distrito de Kazlicesme, no Sul de Istambul.

 

“Eu disse que estávamos no fim. Isto era insuportável. Ontem [sábado] a operação foi lançada e [a praça e o parque] foram esvaziados. Era o meu dever como primeiro-ministro”, justificou Erdogan.

 

“Eles dizem: ‘és demasiado duro’, ele dizem ‘ditador’. Que tipo de ditador é que se encontra com os ocupantes de Gezi e com ambientalistas. Isto é um ditador”, questionou Erdogan, que já foi o político mais popular da Turquia.

 

Os milhares de apoiantes que reuniu neste domingo provam que Erdogan ainda tem muita força popular, mas a imagem de estabilidade da Turquia está ameaçada.

 

Os protestos duram há mais de duas semanas e morreram quatro pessoas; cinco mil ficaram feridas.

 

O protesto popular começou com uma questão ambientalista – o repúdio pelo projecto de construção de um centro comercial no Parque Gezi – mas ganhou expressão política devido à repressão do Governo e à intransigência do primeiro-ministro que não aceitou a contestação das decisões da liderança.

 

 

publico.pt

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.