Vendedeiras de “Baloi”: Vida de sacrifício e sem reforma

13/06/2013 00:46 - Modificado em 13/06/2013 00:46

vendedeirasNatália é vendeira na porta da Escola Jorge Barbosa, juntamente com Maria Alcídia e Kizó. Essas três senhoras são vendeiras de ”Baloi” como são designadas em Cabo Verde. Consideram que a vida é de sacrifício e não têm segurança financeira para o futuro, é uma das classes  que não usufruirá de uma reforma. No entanto, todas as entrevistadas contam que quando os alunos entram de férias, o ganha-pão quotidiano fica mais difícil porque são obrigadas a tirar “férias”.

Em São Vicente, estamos habituados às figuras em frente dos balaios com as suas guloseimas que tentam inovar com a venda de “donetes de coco e de calda de açúcar, sucrinha, fitch de pastel, doces de tambarina” entre outros doces e salgados. O comum entre as vendeiras entrevistadas é a luta pelo sustento da família e a preocupação para com o futuro.

Natália diz ao NN que “a venda é o meu trabalho e faço das 8h às 18 horas. Trabalho como toda gente, no entanto, o dinheiro que recebemos às vezes é pouco para garantir o nosso sustento”. Contudo, esse pouco dá para comprar um quilo de arroz e cavala para comer, afirma Maria Alcídia. As vendeiras dizem que os tempos mais difíceis são os das férias e das PGI porque os alunos que são clientes habituais deixam de o ser. As entrevistadas contam ao NN que no período das férias são obrigadas a irem para casa e garantem que a venda não é igual e, portanto, as dificuldades financeiras aumentam. Maria Alcídia afirma que é casada e o marido trabalha quando aparece trabalho mas adianta que “não perco esperanças na vida e faço de tudo para me desenrascar”. Essas vendedeiras e lutadoras do dia-a-dia levam a vida do “desenrascar” e ainda vivem com a preocupação pelo dia do amanhã. Natália considera que é preocupante não ter uma reforma mais tarde e diz que “trabalhamos anos durante a nossa vida e nunca seremos recompensadas” e muitas vezes o que se ganha é utilizado para repor a venda, ou seja, o que se ganha serve para comprar as guloseimas e o material para fazer os doces e os salgados, afirma Maria Alcídia que diz ainda que “o pouco que lucramos é para sobreviver”.

 

  1. INPS

    Lei para elas serem enquadradas num Sistema de Previdência Social e terem uma reforma existe (ver DL 28/2003, alterado para outro diploma mais abrangente, que é o DL 48/2009 de 23-11-2009. A questão é se podem dispor de 19,5% de 15.000$00, mensalmente. A solução tão perto mas tão longe… A solução para todos os nossos males é a partilha. Estender a mão. Outrossim é as pessoas terem menos filhos também, pois estes deixaram de ser riqueza mas sim a confirmação da pobreza. Um abraço solidário.

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