Ninguém liga: boîtes, mercearias, balaios estão cheios de menores consumidores de álcool

11/06/2013 00:24 - Modificado em 11/06/2013 00:24

alcolismo2Na ilha de São Vicente, todos os dias, nota-se o crescimento do número de adolescentes vagueando por bares, minimercados e portas das discotecas. São adolescentes com idade inferior a 18 anos que fazem a sua paródia e metem-se pelo meio de regadas de álcool. Mas, não são apenas adolescentes dos bairros ditos problemáticos, também há adolescentes filhos da classe média-alta.

 

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas tornou-se num problema grave em São Vicente. A ilha carrega nas costas o peso de liderar a nível nacional, o ranking dos municípios onde prevalece o consumo de álcool. De acordo com os números revelados pelo primeiro inquérito nacional sobre a prevalência do uso de substâncias psicoactivas, 84% dos são vicentinos já experimentou bebidas alcoólicas.

De facto, hoje a gravidade da situação é maior, porque muitos adolescentes passaram a trocar refrigerantes por grogue, ponches ou bebidas espirituosas. A situação é visível à porta dos botequins nos bairros periféricos e nas imediações de estabelecimentos comerciais no centro da cidade.

 

Atitude

O NN apurou que muitos destes adolescentes adoptam essa postura como forma de exibição ou porque os pais são dependentes do álcool ou porque os colegas já começaram a fazer uso de bebidas alcoólicas. Por isso, esquecem-se dos malefícios do álcool no organismo e preferem promover a morte a curto prazo.

Em conversa com o NN, alguns cidadãos defendem que os culpados pelo consumo de bebidas alcoólicas por parte de adolescentes são as famílias, as autoridades e os estabelecimentos comerciais.

Alexandre Sequeira sublinha que “os espaços de comércio não estão a respeitar a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores, porque estão a pensar no lucro e não na saúde dos adolescentes. Por outro lado, faltam constantes inspecções aos bares ou festas nesta ilha, no sentido de fiscalizarem e aplicarem sanções às pessoas que promovem o consumo de bebidas alcoólicas no seio de menores”.

 

Legalize

Mas há cidadãos que culpam os pais pela liberdade que estão a dar aos filhos menores, uma vez que deixam os filhos saírem à noite, sem saberem com quem andam e o que fazem durante as saídas nocturnas, asseguram as cidadãs Marísia Lopes e Albertina Chantre.

Por sua vez, Dénis Monteiro vai mais longe afirmando que “o vício dos adolescentes por bebidas alcoólicas começa em casa e continua nos botequins do Mindelo”. Mas enquanto este debate sociológico prossegue sem conclusões, a verdade que é os jovens são vicentinos têm as portas abertas para consumirem álcool, conforme for o seu apetite. Isto porque a sociedade permite e cria condições para que tal aconteça.

 

Fiscalização

Apesar do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente (CMSV), Augusto Neves, se mostrar preocupado com os dados do inquérito nacional sobre a prevalência do uso de substâncias psicoactivas, apesar de afirmar que a CMSV tem aplicado medidas de combate ao problema do consumo de álcool e defender que também devem ser levadas a cabo outras acções de consciencialização de modo que se consiga reduzir o consumo de álcool em São Vicente, o certo é que só uma minoria é que toma medidas em consonância com a gravidade da situação. E, entretanto, as boîtes, os minimercados, as mercearias, os balaios, estão cheios de jovens consumidores de álcool. Em festas privadas os menores já não consomem laranjada à moda antiga, são as regadas de álcool até emborcarem a cara. E o consumo de álcool junto de menores prossegue a sua caminhada heróica sem que ninguém lhe trave a marcha.

  1. Porey na mindel

    Adolescentes de hoje em dia ta tud parv, sincerament….ix tita bibe pa desporto. Ix estabelecimentos devia começa te pdi BI na hora de venda, mas isso ka tita bem acontece pk senão ix te perde clientes ness temp de crise…enfim ess eh um assunt ek tem k ser espiod desd d base

  2. Carlos Silva - Ralão

    Os nossos jovens são ou estão reféns da sociedade que temos. Não os podemos culpar. Nós adultos, famílias, autoridades – SOCIEDADE, somos os culpados porque aceitamos que se comportam assim. Quem cria ou patrocina eventos regados a bebidas alcoólicas? São os jovens? Claro que não, somos nós adultos e familiares. A polícia começou a fazer o seu trabalho de proibir o consumo de alcool em via pública e reclamaram por rexecesso de violência e zelo, afinal estamos a reclamar o quê?

  3. Carlos Silva - Ralão

    Penso que a permissividade da sociedade fez com que aumentasse a auto-destruição dos jovens. Se cada família cuidasse do seu menor, impondo regras, disciplina e limites, poderíamos ter uma juventude mais sã. Não culpo as autoridades porque têm tentado combater este flagelo, sozinhos jamais conseguirão, mas espero que continuem não dando margem que este problema encontre o abismo, porque ao chegar lá, não teremos uma volta tão cedo…..

  4. Bento Silva Santos

    Faltou dizer que na porta de algumas escolas desta nossa ilha também se vende bebidas alcoólicas à menores! Há um caso concreto e gritante de uma escola do EBI em Mindelo, que com autorização da directora se organiza festas no pátio da escola para adolescentes da zona e onde é visível a venda de bebidas alcoólicas à menores de ambos os sexos e adultos, para além do cheiro fedorento da urina na minha/nossa rua. Fazem essa necessidade fisiológica sem pudor e à frente de quem quer que seja.

  5. Nelson Cardoso

    Não entendi como o Presidente da CMSV tem-se mostrado preocupado com a questão,se não desenvolveu nehuma medida de combate ou não a conhecemos, a não ser dizer na comunicação social que está preocupado. Os espaços da CMSV servem para estimular a venda de alcool directa ou indirectamente e aos jovens, através de actividades ali realizadas e todo o mundo sabe.

  6. ilhas

    …..e pq nao uma foto real,de tudo isso q falaram????????…………envez dun foto um estrangera !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Ricardo

    Com a crise que vai entrar e fortemente em Cabo Verde (de nada nos vai servir a propagada blindagem contra a crise) a chamada classe media e alta em S.Vicente, pelo menos uma maioria consideravel, vai perder o seu estatuto economico consequencia da perda de trabalho, cortes enormes nos salários, pensões e demais auferimentos, aumento do custo de vida etc,etc,.
    Muitos vão perder as suas mansões, os seus carrões pois os bancos não vão ter compaixão, o que é lógico.
    E essa juventude um tanto ou quanto “soberba”, arrogante, habituada a uma vida de bem-estar material, mais virtual do que real, vai sofrer um choque enorme. Nada de novo aqui se deitarmos uma olhadela para além fronteiras, veja Portugal, Grecia, Espanha, Italia, etc,etc.
    E o pior ainda é que um numero consideravel dessa juventude está em posse de um diploma que lhe abre as portas directamente para o desemprego imediato e permanente, pois os postos de trabalho serão cada vez menos, tanto no sector publico como no privado.
    Os filhos da classe mais desfavoravel, a classe dos chamados bairros problematicos terão menos problemas. Já estão habituados a não terem “tres por dia”, habituados ao seu arroz com cavala, ao seu “bife de caneca” pelo que o impacto da crise não será tão sensível
    Todos esses ingridientes acima apontados não terão um efeito positivo na psique dos jovens atingidos pela calamidade.E o resultado é que muitos, mais do que agora, vão procurar uma fuga no alcool e na droga tentando eliminar ilusoriamente a sua frustração.
    Infelizmente,(eu sou pai tambem responsavel por esta crise não só economica mas tambem de valores e moral) podemos falar de uma geração nao apenas “`a rasca” mas tambem perdida.
    Alguns poderão achar o meu comentario pessimista e de todo o coração espero que eles tenham razão. Mas temo que neste caso “a razão terá razões que a razão desconhece”.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.