Na Turquia “a polícia conhece os terroristas um a um, sabe os seus nomes”

10/06/2013 01:28 - Modificado em 10/06/2013 01:28
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mundoSábado à noite em Taksim. A praça está a abarrotar, parece nunca ter tido tanta gente, e a barulheira dos gritos, palavras de ordem e foguetes quase se ouve do outro lado de Istambul.

 

Erol Adayilmaz, vice-presidente, na cidade, do AKP, o partido do primeiro-ministro Tayyb Erdogan, diz ao PÚBLICO que passou pela praça de manhã. E distinguiu dois tipos de manifestantes: “Um grupo são as pessoas responsáveis, que se estão a manifestar pelos seus direitos democráticos, outro grupo são as organizações ilegais, terroristas”.

 

Não conseguiu perceber quem eram uns e outros, admite. “Mas a polícia sabe quem são. Essas organizações estão identificadas. A polícia conhece os seus membros um a um, sabe os seus nomes”.

 

Não é correcto, perguntamos, as pessoas manifestarem-se, numa democracia?

 

“Sim, se o fizerem pacificamente”.

 

Mas a manifestação era pacífica, até a polícia ter carregado violentamente, com gás lacrimogéneo e jactos de água.

 

“O primeiro-ministro já admitiu que foi feito um uso excessivo da força por parte da polícia. Houve um erro, um grande erro”.

Mas a polícia não obedece a ordens do Ministério do Interior?

 

“Abaixo do ministro há os governadores, e abaixo deles o chefe da polícia de Istambul. Já começou ontem um inquérito, para apurar as responsabilidades”.

 

Não se sabe quem deu a ordem de atacar? E quem não deu a ordem de parar?

 

“Não sei. Tudo o que dissesse agora seria pura especulação”.

 

Mas é certo que foi a polícia que iniciou a violência.

 

“E que me diz das organizações ilegais que incendiaram carros? Você sabe incendiar um carro? Exige uma técnica, não é qualquer pessoa que o pode fazer”.

 

Mas isso aconteceu antes da acção da polícia?

 

“Que eu saiba, não”.

 

Então podemos responsabilizar a polícia pela violência que se sucedeu.

 

“Não me parece justo responsabilizar a polícia a 100 por cento por acontecimentos que levaram à morte de pessoas.

 

Mas tem alguma prova de que a manifestação não foi pacífica antes da carga policial?

 

“Que eu saiba, não. Mas as organizações ilegais que estavam lá são violentas”.

Mas há provas de que tenham cometido alguma violência?

 

“Pessoalmente, não sei”.

 

Podemos condenar alguém por aquilo que achamos que potencialmente poderá fazer?

 

“Tire as conclusões que quiser”.

 

Seja como for, o primeiro-ministro já disse que não vai ceder no projecto de construção de um centro comercial no parque Gezi, e deu a entender que não haverá mais violência policial. Como vai então resolver o problema dos milhares de pessoas que se recusam a abandonar a Praça Taksim?

 

Aos poucos, as pessoas irão desistindo, diz o número dois do partido em Istambul. “Não vão querer misturar-se com as organizações ilegais, e irão para casa. Vai ver que num par de dias as pessoas sinceras vão abandonar a praça”.

 

Conclui-se que os que não o fizerem pertencem às tais organizações ilegais, terroristas, cujos elementos a polícia conhece um a um, pelo nome…

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