Golpistas da Guiné-Bissau anunciam saída de cena

23/05/2012 01:23 - Modificado em 23/05/2012 01:24

O auto-intitulado Comando Militar que em Abril afastou o primeiro-ministro e o Presidente interino da Guiné anunciou que está a entregar o poder aos civis e apresentou a conferência de imprensa que esta terça-feira fez em Bissau como a última. O novo Governo é composto por 25 civis e dois militares.

 

“A partir de hoje, o Comando Militar vai entregar o poder aos civis”, dissera o porta-voz, tenente-coronel Daba Na Walna, citado pela Reuters.

O anúncio surge depois de um acordo a que os militares golpistas chegaram nas últimas semanas com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e partidos políticos da oposição. Esse entendimento prevê a nomeação de líderes de transição para os lugares do chefe do Governo, Carlos Gomes Júnior, e do Presidente interino, Raimundo Pereira. Os dois políticos guineenses estão desde a semana passada em Portugal.

Nos termos do acordo, a Guiné entra num período de transição de um ano, que culminará com eleições. O pacto entre os militares e os países da África Ocidental levou à designação de Serifo Nhamadjo como Presidente de transição e de Rui Duarte de Barros como chefe de Governo.

Nhamadjo anunciou esta quarta-feira a estrutura orgânica de um governo de transição que, segundo a Lusa, será composta por 14 ministérios e 13 secretarias de Estado. De acordo com o decreto presidencial, essa estrutura entra imediatamente em vigor.

O PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), liderado por Gomes Júnior, que nas últimas eleições elegeu 67 dos 100 deputados da Assembleia Nacional, colocou-se à margem do processo. Serifo Nhmadjo é um dissidente do maior partido do país.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Na Walna acusou Portugal de “interferência nociva” no seu país e considerou levianas as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, quando, na semana passada, disse que o tráfico de droga é a chave do golpe de 12 de Abril.

“Que fique bem claro, ele [Portas] está a servir o café da manhã e o jantar à noite a quem é o maior responsável pelo tráfico de droga”, acusou o porta-voz, citado pela RDP África, numa alusão a Gomes Júnior. “O Comando Militar não é um bando de traficantes de droga, isso é falso. Aliás, essa tem sido a política portuguesa relativamente à Guiné. Qualquer acontecimento que tem lugar aqui na Guiné é tráfico de droga”, afirmou ainda.

 

publico.pt

  1. Seara

    A nhós militares di nu tera Guinê-Bissau e um bando di bandidos.

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