Emmanuel Kofi: De advogado em Gana a vendedor de roupas na Praça Estrela

5/06/2013 01:44 - Modificado em 5/06/2013 01:45

praça estrelaJunho de 1991, Emmanuel Kofi Cathline, natural do Gana (Acra) chega ao aeroporto da cidade da Praia. Com apenas um saco e alguns pertences lança-se numa nova aventura: procurar uma vida mais tranquila e longe da instabilidade política da sua terra natal. Uma vida começada do zero, após vários anos a viajar por vários pontos do continente africano, tendo estado inclusive na Europa (Itália), à procura de oportunidades “para [se] levantar” como o mesmo diz.

 

À pergunta lançada pelo NN: como é que um ganês formado em Ciências Jurídicas vem parar ao arquipélago para trabalhar num mercado de venda de roupas? Instabilidade política, corrupção, preconceito: um cenário descrito pelo ganês quando fala nas adversidades sofridas quando ainda tentava perseguir o seu sonho: exercer advocacia, uma profissão pela qual estava apaixonado pois cresceu com o pai que também exercia essa profissão no Tribunal de Acra.

 

Vida no Gana

 

Cathline nasceu em Acra e durante anos viveu com os pais e os três irmãos. Em 1964, com seis anos de idade, foi estudar o ensino preparatório na Kimbu Primary School. Seis anos depois, já com doze anos, é submetido ao exame “Common Entrais”. Conseguiu passar com 70% (numa escala de zero a cem). Emmanuel continuou perseguindo o seu desejo de se tornar num grande advogado “como o pai”. Entrou para a escola superior onde passou mais quatro anos a estudar. Posteriormente, conseguiu ingressar na Universidade ganesa “Taihwa School” e fez em três anos o curso de Ciências Jurídicas, com uma média de 19 valores.

 

Após três anos a trabalhar com o pai, resolve aventurar-se por outras paragens: Nigéria como advogado onde diz-se explorado; Itália em 1983 como empregado de loja onde sofreu discriminação. Dois anos depois, regressa ao Gana e desiste da sua carreira como advogado. Começa a trabalhar na agricultura, mas a escassez de chuva fê-lo abandonar o trabalho. Mais uma vez, com a sua sede de mudança e de aventura, parte em 1991 para a Guiné-Bissau e é a partir daqui que, dois meses mais tarde, decide continuar a sua viagem, desta feita para o arquipélago de Cabo Verde.

 

Entrada em Cabo Verde

 

Eram sete horas da manhã quando Cathlin desembarcou de um avião militar na cidade da Praia acompanhado por mais dois conterrâneos. Sem lugar para onde ir nem ninguém à sua espera, um cabo-verdiano resolve ajudá-los com o alojamento. Ficaram numa residência em Pensamento. Dias depois, o mesmo cabo-verdiano rouba-lhes as bagagens e Cathlin fica sem nada.

 

Salvo por uma corrente de ouro

 

“Felizmente tinha uma corrente de ouro. Vendi-a por seis mil escudos. Comprei um saco, poucas roupas e comprei a passagem que me trouxe ao Mindelo”, conta o ganês. Sem lugar para onde ir, com dificuldades em encontrar pessoas que falassem inglês, Emmanuel encontrou um ponto de abrigo na entrada da casa Benfica. “Sentei-me ali a comer pão e bolachas que consegui comprar”.

 

Nesse mesmo dia, com a ajuda de dois ganeses que vendiam frutas no mercado da rua de Praia, foi viver com eles numa casa de tambor. Durante seis meses começou a participar também no negócio com os dois patrícios. Posteriormente, com a ajuda de um holandês Cathlin começa a trabalhar num barco que se encontrava atracado no Porto devido a uma avaria. Cinco meses depois, com o dinheiro arrecadado começou a negociar roupas e outros objectos que “na altura eram difíceis de encontrar em Cabo Verde”. Começou pelas ruas, depois pelas ilhas do Sal, São Nicolau, Boavista e Santiago. Posteriormente, com a criação da Praça Estrela, conseguiu finalmente montar um negócio mais estável.

 

“Agora a vida começou” diz Cathlin. Apesar dos negócios já não serem como antigamente, hoje tem uma casa, duas filhas e com o que ganha no fim do mês consegue sustentar a casa e a família.

 

No Gana, a qualidade do ensino é muito forte, mas a situação sociopolítica desvaloriza os quadros superiores. Mas a vida não pára. A educação não tem fim. Estamos sempre a aprender. Dificuldades estão em todos os lados, o segredo é nunca parares. Estudei sim, mas isso não me impede de lavar carros, de engraxar sapatos. Isto é levantar, nunca se permitir sentar”, sublinha Emmanuel Cathline.

 

LINKS:

 

Acra: http://pt.wikipedia.org/wiki/Acra

 

Kimbu Primary School: http://greenyouthfoundation.com/partners/kimbo-primary-school-head-teacher-mr-peter-githinji-on-the-right-in-black-other-teachers-and-lower-primary-school-pupils2/

 

 

  1. Alcindo Santos

    Bravo Catlhin,sei proprio un esempio. ti mando un abracio grande

  2. consumidor

    negocio de roupas, poiss…sei….bravo..assim kes te call them no….business clothes…otarios

  3. curiosa

    e então? não tem foto do homen? mas que raio!

  4. Malaguitinha

    Esta “estória” é difícil de engolir. Pois é, o homem encontrou mesmo a sua “oportunidade” em Cabo Verde, país de grandes “oportunidades”. Todos os ganeses, nigerianos e afins vieram à procura de “oportunidades” nesta nossa terra pobre que nem trabalho tem para os nacionais… As “oportunidades” que eles procuram conhecemos nós muito bem !!!!

  5. Ilhas

    Uuuuuuuuuuuuh, gente dess terra e mm burr, t credita na tud cosa huhuhuhuhuhuh, manda katlhin bá paga tud Is divida kel tem, bsot sabia que até bónk , caixa Economica, jal finta???? Cambadas de burr

  6. Grande liçao de vida. A vida é feita de barreiras e somente aqueles que sao lutadores conseguem ultrapassa-las.

    Sempre em frente.

Os comentários estão fechados.

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