Celeste Fortes desiludida com a política do audiovisual em Cabo Verde

3/06/2013 00:46 - Modificado em 3/06/2013 00:46
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audiovisualCom mais de dois anos a trabalhar na projecção de filmes naquele que é o único espaço oficial de divulgação cinematográfica no Mindelo – o Cine-Clube – Celeste Fortes, o seu presidente, fala sobre as lacunas existentes quando o assunto se vira para a questão dos registos e promoção da cultura audiovisual em Cabo Verde. A mesma opinião é partilhada pelo realizador João Paradela quetransporta esta problemática para o campo musical, tratando-se de “uma das ferramentas mais eficazes para a promoção dos artistas e música nacionais”.

O quadro do audiovisual em Cabo Verde, embora com alguns passos já conquistados, continua a ser uma das áreas culturais mais deficitárias no país. Falta de políticas municipais e governamentais, fraca sensibilidade da própria sociedade para estas questões, ausência de uma cultura de registo, ensino obsoleto que já não se adequa às novas formas de expressão existentes são alguns dos pontos apontados.

“Fiquei completamente desiludida com a política do audiovisual em Cabo Verde”, conta Celeste Fortes ao referir-se ao ciclo de cinema promovido pelo Cine-Clube em Janeiro deste ano onde se incidiu sobre a produção cinematográfica nacional. “ Quando eu procuro um filme como por exemplo ‘Ilhéu de Contenda’ ou o ‘Testamento do Senhor Napumoceno’ e não encontro, para mim isso traduz-se, sobretudo, na falta de atenção que se tem dado ao audiovisual que já foi produzido”, conta Fortes para quem não se pode “andar para a frente sem se ter um arquivo”.

Já o realizador João Paradela, para além de também defender uma aposta “forte” na valorização da realização cinematográfica em Cabo Verde, fala sobre a necessidade de se conciliar esta vertente com a música que se produz no país, no que se refere à divulgação e preservação do produto musical bem como dos artistas. “Alguém que queira fazer um trabalho sobre a Cesária, daqui a trinta anos, será que terá material suficiente para o fazer? Ou outras pessoas igualmente interessantes que fizeram parte da música cabo-verdiana como o Catchas ou o Orlando Pantera, o que é que existe deles? ”questiona Paradela, alertando para a urgência em se pensar no registo da produção musical no presente para que “no futuro se possa ter o referencial do que aconteceu”.

Soluções

Fortes, embora se refira à fraca intervenção política como uma das causas, sublinha a necessidade da própria sociedade em geral assumir o papel de também ela contribuir para que este quadro se altere. “Eu não posso ficar à espera que algum Ministério guarde o testamento do Senhor Napomoceno. A cultura audiovisual tem que ser de todos, não cabe apenas às políticas governamentais”, esclarece, adiantando, no entanto, que será necessário “criar (fora do papel) uma política de audiovisual, para que haja de facto mais realizações cabo-verdianas”.

Por usa vez, Paradela vê no ensino a solução mais eficaz para que a cultura do audiovisual ganhe a dinâmica desejada e “necessária” para o país. “Acho que os modelos de ensino, tal e qual existem agora, estão um bocado falidos. A qualidade do ensino tem a ver com essa discrepância da actualidade, ou seja, anos atrás o ensino era via escrita e oral, porque não era possível fazer de outra forma. Mas apareceram novas formas de expressão e essas novas formas de expressão ou de criação não são tidas em conta [nos currículos escolares] ”.

 

Links:

Orlando Pantera: http://orlandopantera.blogspot.com/

Catchas: http://www.portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/1809/2/monografia%20nelson%20ultimo%202.pdf

Testamento do Senhor Napomoceno: http://filmesportugueses.com/o-testamento-do-senhor-napumoceno/

Ilhéu de Contenda: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Ilh%C3%A9u_de_Contenda

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