Livre das amarras e do cativeiro no quintal de sua casa, para as ruas do Mindelo

28/05/2013 00:30 - Modificado em 28/05/2013 00:30

JoaoRuas do Mindelo, fim da tarde. De olhos (mansos), postos nas pessoas que passam ao pé das escadarias que João considera como lar. Com uma mochila de pequeno porte às costas, carrega algumas bijuterias e tralhas, diz ele. Mais que isso, são as roupas que traz vestidas, com o corpo servindo de guarda-roupa: quatro camisas, uns calções e uns chinelos velhos. Assim se constrói o perfil do jovem João Baptista de 19 anos de idade, que prefere as ruas ao cativeiro de sua casa.

João nasceu em Santo Antão. Mudou-se para a ilha do Monte Cara aos sete meses de idade com os pais. Tempos depois, o pai emigra para terras distantes, como o mesmo descreve “não se sabe para onde”. Continua a viver com a mãe, mas sente-se abandonado “dentro de casa”. Mais que isso, espancado e mantido em cativeiro por vários anos. “A minha mãe saía para trabalhar e amarrava-me no quintal para não sair de casa” conta João para quem a infância sabe a desgosto. “Fui durante vários anos espancado. A minha mãe não gosta de mim e não sei porquê”, desabafa, lembrando de um episódio doloroso quando a mãe lhe “despejou água quente em cima da cabeça”.

Aos treze anos resolve sair de casa. “Não gosto de estar na rua, mas não tenho alternativa, não tenho mais nenhum lugar para onde ir e nem a quem recorrer”, conta o jovem que diz já ter recorrido à Câmara Municipal e a outras instituições, mas até agora sem resposta. Com apenas a segunda classe de escolaridade, carrega a ambição de, um dia, ser motorista e conseguir ganhar a vida, “viver com dignidade”.

Humilhações

“Vaguear pelas ruas é, por enquanto, o meu destino. Peço esmolas. Há quem dê e quem me humilhe. Já tentei voltar para casa. Cheguei lá com algumas roupas que consegui com a ajuda de pessoas desconhecidas. Minha mãe queimou tudo e pôs-me fora de casa sem motivo”, conta o jovem.

Já era fim da tarde quando foi abordado pelo NN. Dois dias a vaguear e a única refeição que conseguiu foi um pão: “caridade de uma pessoa que me encontrou à frente de um minimercado”, locais, aliás, onde normalmente passa a maior parte do seu tempo, na expectativa de que alguém lhe dê “qualquer coisa” para comer.

  1. Lindo

    Que vida traiçoeira, a deste jovem. Ele precisa de, pelo menos, saber pescar. Isto não custo muito e não é muito difícil. Se se trata de um jovem em pleno uso das suas faculdades mentais tem de procurar outra alternativa. Estou em crer que a pobreza maior deste jovem é o de espírito. Como é possível um jovem de 19 anos não saber fazer nada e não ser capaz de tomar conta da sua própria pessoa? Isto é inadmissível. E esta notícia por mais que se queira não me comove. A não ser que o jovem é doente.

  2. emanuel

    gostaria de saber como poderei ajudar este rapaz !!! gostaria de manter contacto com ele e ajuda-lo e caso alguem consiga dar-me alguma ajuda para manda-lo um dinheiro e roupas podem entrar em contacto comigo via meu email : emanueljayson43@gmail.com.
    Sou emigrante e caso deste fazem meu coracao doer mesmo e quando li esta noticia fiquei mesmo com o coracao partido. fazem a este rapaz uma conta bancaria que eu mesmo o ajudarei por longos tempos por favor.
    Emanuel ( ima)

  3. sereia

    Pois, nem todas as mulheres que dão luz a uma criança desempenham o papel de mãe… ela deveria ter como orgulho um cuidado muito, mas muito especial ao filho pelo pai os terem abandonados e ela sentir no dever de reforçar o amor e carinho para com seu filho.Gostei imenso da disponibilidade do Sr. Ima, mas na minha opinião deveria era tentar alguém proximo do adolescente para incentiva-lo a regressar novamente aos bancos da escola quem sabe com acompanhamento de um psicolago.

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