Belmar e Návia : aprender a viver com a hidrocefalia do filho

21/05/2012 00:14 - Modificado em 20/05/2012 18:32
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Belmar e Návia são pais de uma criança de nove meses que padece de hidrocefalia. Para o casal, a doença do filho mudou-lhes a vida, já que souberam da mesma, quando a criança nasceu. Os problemas financeiros impediram-lhes de conseguir 1500 escudos para fazer uma ecografia morfológica, onde poderiam descobrir a doença do filho. Por agora Belmar e Návia driblam a vida tentando encontrar forças para cuidar do filho que padece de uma doença que lhe encurta o seu período de vida.

 

O NN apurou que em São Vicente por ano nascem no Hospital Baptista Sousa, três a quatro crianças com hidrocefalia. O filho de Belmar Monteiro e Návia Soares faz parte desse cenário, de uma doença que surge através da acumulação de um líquido cefalorraquidiano no interior da cavidade craniana que por sua vez, faz aumentar a pressão intracraniana sobre o cérebro, podendo vir a causar lesões no tecido cerebral e aumento e inchaço do crânio.

Belmar e Návia residem na zona de Cruz João Évora e tem uma criança de nove meses que padece de hidrocefalia. Os pais do bebé engrossam os números da taxa de desemprego em São Vicente. Belmar de 36 anos é mecânico, mas consegue trabalho, só quando aparece algum cliente para consertar o seu carro. Por seu lado, Návia de 24 anos teve que abandonar os estudos devido a problemas financeiros. Para além do bebé, Belmar tem uma filha de cinco anos que reside com o casal.

Vida

O casal vive do pouco que Belmar ganha no conserto de veículos, da ajuda da mãe que envia dinheiro de São Nicolau, ou géneros alimentícios, bem como da ajuda financeiras de alguns familiares de Belmar. Mas a vida de Belmar e Návia foi lhes madrasta, porque para além dos problemas financeiros, eles viram nascer um filho que sofre de hidrocefalia.

Segundo Belmar “só soubemos da doença quando o nosso filho nasceu, apesar dos médicos terem detectado algo de anormal durante a gravidez. Durante o período de gestação, a minha mulher fez consultas no PMI, porém não fez a ecografia principal que pudesse detectar a doença. Passávamos por períodos difíceis e por faltar 1500 escudos, a ecografia foi realizada a poucos meses do nascimento do nosso filho”.

A ecografia morfológica foi realizada por iniciativa da sogra de Belmar que de passagem por São Vicente levou a filha ao HBS a fim de efectuar a ultra-sonografia. Durante o exame os médicos detectaram que a criança tinha deformações no corpo. Mas só souberam da doença quando o filho nasceu por meio de uma de cesariana.

Solução

Porém a doença do filho de Belmar e Návia já estava numa fase avançada, nestas circunstâncias um tratamento cirúrgico no exterior seria em vão. O casal sem solução médica para curar a doença do filho passou a leva-lo para consultas de rotina no PMI e no HBS. Durante estes nove meses, o diâmetro da cabeça do filho de Belmar e Návia continua a crescer.

Para Belmar “ ficamos abalados por saber que a doença não tem cura. Mas da nossa parte temos que apoia-lo porque o líquido no cérebro encurta-lhe o tempo de vida. Temos que arranjar força psicológica para faze-lo ultrapassar o sofrimento, mas por outro lado já não tencionamos ter mais filhos. A situação económica não está boa, bem como temos receio que o outro possa vir a nascer com deformações”.

Segundo Belmar Monteiro, o casal podia ter interrompido a gravidez, caso tivessem apercebido que o filho padecia de deformação no corpo. Por agora o casal vai vivendo da ajuda dos familiares, mas Belmar diz que anseia encontrar um emprego com um salário que permite dar ao filho aquilo que precisar, enquanto estiver no seio da família.

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