Jorge Santos: “ Situação económica de São Vicente é caótica”

20/05/2013 00:42 - Modificado em 20/05/2013 00:42
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jorge santosO vice-presidente do Movimento para a Democracia (MPD), Jorge Santos, diz que a situação “caótica” em que se encontra a economia da ilha de São Vicente deve-se às políticas de trincheira partidária, criadas com base “numa disputa inglória de território eleitoral”. Nesta linha, acusa o governo de ferir o disposto no artigo 232º, alínea 2 da constituição que legitima a “complementaridade” e a “subsidiariedade” entre a administração central e local.

 

Esta “desarticulação” entre as políticas de gestão da autarquia e o Governo não leva “nenhuma ilha ou nenhum município ao desenvolvimento, [pelo contrário], atrasa as oportunidades e afugenta investidores”, adverte aquele deputado, exemplificando o sector das pescas e o sector do turismo como dois dos motores com potencialidades para a alavancagem da economia da ilha mas que foram negligenciados durante os 12 anos de mandato do partido tambarina, o que resultou numa “retracção da economia” de São Vicente.

“Foi feito um investimento de quase 3 milhões de contos no aeroporto Cesária Évora, entretanto falta completar a última fase desse projecto, dotando-o de equipamentos que permita a operacionalização de voos nocturnos internacionais: uma aposta que permitiria a chegada de mais voos charters para São Vicente, não só da TAP (companhia aérea portuguesa) mas de outras companhias que já mostraram interesse em voar para São Vicente”, explica o vice-presidente. Já no sector das pescas, Jorge Santos avança que poderia ser melhor dinamizado com a criação de novas infra-estruturas industriais de produtos marinhos, à semelhança da Frescomar, empresa de transformação de pescado em São Vicente, caso “houvesse uma política direccionada para o sector das pescas” que passaria pela remodelação e reposição das instalações da fábrica de gelo (Ex-Interbase) e na criação de condições logísticas que impulsionasse o desenvolvimento desse sector.

“É preciso encontrar um rumo para esta ilha”

 

Desemprego

 

O líder da bancada parlamentar do MPD, Filinto Elísio, mostra-se preocupado com a situação actual do desemprego na ilha de São Vicente que em 2012 atingiu os 29 por cento: 73 por cento acima da média nacional. Sobre isso, diz ele que para a ilha “recuperar a vocação que teve no passado”, marcada pela cultura de prestação de serviços, advindo sobretudo do Porto Grande, a economia terá que passar por um conjunto de reformas que não se justificam com investimentos em infra-estruturas, mas sim em investimentos em “capital humano de reforço” de forma a permitir que a ilha possa ser “mais competitiva e atrair mais investimentos”.

“As políticas não têm ido ao encontro daquilo que é a sua vocação natural que é a prestação de serviços”, sendo que, neste momento, regista “uma economia claramente deprimida, uma economia que não funciona, que não consegue criar novos empregos”, avança Elísio para quem o caminho será uma aposta numa regionalização capaz de definir políticas viradas para as condições particulares oferecidas por cada uma das ilhas do país. A mesma ideia é defendida por Jorge Santos, para quem a estabilização económica encontra-se “atracada” numa “reforma profunda do Estado”, capaz de “dotar São Vicente de capacidade de, [autonomamente], decidir” o seu rumo político-económico.

Estas declarações foram feitas no âmbito de uma conferência organizada pelo grupo parlamentar dos ventoinhas e seus militantes, sábado dia 18 no quadro das actividades desenvolvidas pela bancada do partido, numa volta pelas ilhas de Cabo Verde.

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