Peregrinação a Nossa Senhora de Fátima: á procura do milagre e agradecendo as graças recebidas

14/05/2013 00:50 - Modificado em 14/05/2013 00:50
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Peregri2São mais de duas horas de estrada para quem começa a subida para a zona do Mato Inglês, na peregrinação organizada pela Legião de Católicos, assinalando o dia de Nossa Senhora de Fátima. É na estrada para a Baía das Gatas que a jornada começa, com pessoas vindas de vários pontos da ilha, num ritual feito todos os anos em direcção à capela daquela região, erigida em homenagem à Virgem Maria.

A caminhada é longa, “mas compensa”. O que para alguns simboliza um “acto de pura devoção” a Jesus e a Nossa Senhora, para outros significa purificação da alma: “Um retiro espiritual” para aqueles que procuram encontrar-se com Deus. No geral, o percurso é feito como pagamento de promessas feitas em socorro de familiares e amigos necessitados ou como pagamento de pecados praticados. Centenas de fiéis, na sua maioria jovens, acompanhados de crianças, enchem o trilho que vai dar à referida localidade, acompanhados pelo som incessante de rezas e de músicas religiosas.

 

Peregri3“Milagres justificam sacrifícios em nome de Deus”

Maria Augusta, 57 anos, todos os anos encaminha-se às sete da manhã, desta vez acompanhada pelo neto, rumo ao grupo de fiéis que espera encontrar no habitual ponto de encontro, na entrada para o Mato Inglês. De terço na mão e com as suas rezas, “lá vou caminhando, ao ritmo que o meu corpo permite, em busca de alguma tranquilidade espiritual. Peço a Nossa Senhora que me ajude a ultrapassar as minhas dificuldades” afirma Augusta, para quem só basta acreditar e ter fé para que os milagres divinos aconteçam.

O trilho seguido pelos peregrinos é, para Francisca Delgado, o “chamamento da verdade” onde tudo é possível: “nunca é tarde para se começar a trabalhar, mas com fé em Deus e seguindo os peregrinos todos os anos, acredito ser possível encontrar resposta para esses problemas”, afirma.

Gabriela Monteiro e o neto PatriqueZego de 11 anos sobem o atalho em busca de “salvação” para o filho e pai, doente em Portugal. As velas são a oferenda, assim como a maioria dos que entram, após a Missa, para pagarem as suas promessas. O sacrifício, para estes fiéis, significa a caminhada e as velas ou flores “a consagração dos pedidos” feitos. “Nós viemos em nome do meu filho e pai do meu neto que foi, há dois anos, operado em Lisboa. Peço que Nossa Senhora o proteja e que lhe dê saúde para que possa regressar a casa”.

Adelaide Salomão, este ano veio apenas em devoção a Nossa Senhora de Fátima. Entretanto, conta que no ano passado fez esse mesmo percurso com o pedido para que recuperasse de um problema nos pulmões. “Vim ainda doente, no ano passado, antes de ser operada, pedir a Nossa Senhora que me ajudasse a recuperar. Depois da operação regressei em agradecimento ao que Ela fez por mim”.

Peregri4“O sacrifício é uma oferta”

O Bispo da Igreja de São Vicente, D. Ildo Fortes, diz que a palavra sacrifício tem sido conotada de forma errada e explica que o mesmo significa “oferta” que se faz espiritualmente, não carecendo de punições físicas, até porque, “Deus não quer que a gente faça coisas que custem. Deus não terá nenhum gosto em ver o Seu filho sofrer. [Sacrifício] é uma forma das pessoas expressarem o amor”.

A peregrinação que se faz anualmente, no Domingo mais próximo ao dia 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima é, nas palavras do Bispo, “uma maneira de caminharmos por dentro: as pessoas vêm em demonstração do seu amor. Há quem acenda velas, há quem dê uma esmola, há quem faça uma oferta que será depois revertida para um bem da Igreja, para os pobres. São inúmeras as formas das pessoas expressarem aquilo que lhes vai por dentro, de traduzirem os seus sentimentos”, esclarece D. Ildo.

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