Desfalques nas instituições do Estado: é fácil e rende milhões

9/05/2013 03:05 - Modificado em 9/05/2013 03:05

roubar estadoNos últimos dias casos de desfalques em instituições públicas, com destaque para o caso do Ministério das Finanças, deixaram a sociedade perplexa. Mas os casos tornados públicos são só a ponta do icebergue dos muitos que ainda não foram descobertos ou dos que se tentam resolver no resguardo dos Tribunais Cíveis. Mas como é possível burlar as instituições do Estado? Para as fontes judiciais contactadas pelo NN é fácil, porque a maior parte dos casos de desfalque registados no país derivam da falha no sistema de controlo de actividade e da gestão financeira.

 

Os casos de desvio de dinheiro em empresas privadas e instituições públicas continuam a dar entrada nos tribunais para que os autores sejam punidos e os lesados ressarcidos. A região Norte de Cabo Verde não foge a esse panorama que já deixou avultados prejuízos na Câmara Municipal da Ribeira Brava, Bancos, empresas e casas comerciais.
Para esclarecer esta situação que nos últimos meses trouxe à praça pública vários casos de desfalque realizados por funcionários, o Notícias do Norte apurou junto de um magistrado, que os desvios são facilitados por quem faz a gestão da empresa ou da instituição, pois acaba por perder o controlo da situação financeira e os empregados encontram uma porta aberta para montar o próprio esquema de desvio de dinheiro.
Mas este online sabe que existem casos de desfalque que estão guardados no segredo dos deuses e que ainda não são de domínio público porque as partes envolvidas estão a resolver o processo de indemnização em Juízo Cível e com cuidado para que a situação não chegue à praça pública.

 

Esquema

Contactado pelo NN, um magistrado que trabalha na averiguação de casos de desvio de dinheiro e que pede o anonimato, explica como é que os cidadãos conseguem guardar a fraude por muito tempo e as razões que permitem esse esquema.
“Há uma necessidade urgente quer das empresas privadas, quer da Administração Pública de apertar a vigilância nas actividades realizadas pelos próprios funcionários. Isto porque a maior parte dos casos de desfalque registados no país derivam da falha no sistema de controlo de actividade e da gestão financeira. A falta de auditorias permanentes permite que determinada pessoa monte um esquema fraudulento para extrair dinheiro do próprio local de trabalho”.
O entrevistado sublinha que a conduta do agente constitui crime porque há um abuso da confiança que a entidade empregadora deposita no funcionário que se apropria de valores monetários que não lhe pertencem.

 

Crime

“Muitas vezes, processam nomes fictícios de funcionários para desviar o dinheiro que depois é reenviado para a conta bancária do autor do desfalque. Para atingirem a própria finalidade burlam a entidade empregadora, falsificando documentos e assinaturas para facilitarem um processo que induz os responsáveis em erro. E, normalmente, o caso só é descoberto por via de denúncia, de uma auditoria interna ou porque a pessoa começa a apresentar sinais de riqueza exterior” salienta o magistrado.
Questionado sobre os procedimentos para punir o autor de um desfalque, o entrevistado afirma que as empresas ou o Estado recorrerem aos tribunais para pedir a condenação do cidadão e pedem que o funcionário pague uma indemnização pelos danos causados. E que a nível interno, a pessoa é sujeita a um processo disciplinar que, na maioria das vezes, redunda no despedimento.

  1. cardoso

    O recente caso de desvio de fundos no Ministério das Finanças pôs a nu as fragilidades do Sistema Integrado de Gestão Orçamental e Financeira (SIGOF) do Ministério das Finanças. A falta de controlo interno é também apontada com um handicaps do MF, facto propiciador para o surgimento de casos de fraude e corrupção.(A Nação) adivinhem quem dirige esse SIGOF? qual o salario do seu gestor ? ele é marido de quem? quem nacionalidade tem? Puxa a vida .

  2. Nanda Tavares

    A Inspecção Geral das Finanças e o Tribunal de Contas devem controlar melhor as finanças públicas do Estado. Há serviços em que não há um controlo das receitas e a maior parte delas vão para os bolsos dos responsáveis da Administração e Finanças.

  3. Um cabo verdiano

    Com esta flagrante fragilidade no sistema de controlo das nossas instituiçoes , o nosso pais continua em maus lençois . Um pais tao pobre , que vive das ajudas do exterior e das remessas da sua emigraçao , é lamentàvel esta situaçao . POBRE CABO VERDE !…

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.