“Empregado Doméstico no masculino”

10/06/2013 01:00 - Modificado em 10/06/2013 01:15

EmpregoDo interior do concelho do Paul, Santo Antão, advindo de uma família de poucas posses, Júlio César da Cruz, mudou-se para a cidade do Mindelo há cerca de 10 meses à procura do emprego dos seus sonhos: trabalhar num restaurante, após concluir formação em culinária. Curso que nunca chegou a frequentar, “por enquanto”, devido à falta de oportunidades. Enquanto isso, continua a dedicar-se ao trabalho doméstico, profissão que lhe traz “muito orgulho”.

O trabalho começa logo cedo, às sete da manhã, numa casa de família em Lombo de Tanque. “Cuido de um senhor da terceira idade, lavo, passo a ferro, cozinho, arrumo a casa”. Um ritual que, para o entrevistado, lhe dá “imenso gozo”. Conta Júlio que começou a trabalhar desde muito cedo. Já com 10 anos vendia água num chafariz na Estância de Baixo, Paul, que é o lugar onde nasceu. Depois, já adulto, começa a trabalhar nas barracas das festas de romaria como cozinheiro em Santo Antão e, posteriormente, numa casa de família no mesmo concelho, sempre no serviço doméstico.

“Já alguma vez imaginaste um homem nos serviços domésticos?”

“Não é vergonha nenhuma, sendo eu homem, trabalhar como ‘doméstica’ ou ‘doméstico, se for o caso de adicionar a palavra ao nosso dicionário. Faço exactamente as mesmas coisas que uma mulher e não acho que esse trabalho deva ser associado sempre às mulheres. Eu sei que muitos perguntam: alguma vez imaginou um homem nos serviços domésticos (?), mas não é vergonha nenhuma como nos fazem crer alguns”, afirma, advertindo para a questão dos estereótipos sociais que se criam em torno de determinadas profissões. “Se as mulheres clamam pelos mesmos direitos, se a sociedade diz-se tão avançada, não se deveria questionar se as coisas mudam e se as profissões deixam de ser espaços exclusivos definidas pelo género sexual”, defende Júlio.

Enquanto “uns questionam, continuo a lutar para me sustentar, para não depender de ninguém e, o mais importante, faço aquilo que gosto”, conta, apesar de assumir que pretende adquirir mais conhecimentos nessa área, com um curso de culinária. Contudo, diz que não se importa, mesmo após o curso, de continuar a exercer essa profissão e chama a atenção para a questão do desemprego: “o problema do desemprego existe, mas há que fazer um parêntesis aqui, pois muitas pessoas não estão empregadas porque não aceitam esse tipo de serviços. Menosprezam o trabalho, mas querem dinheiro”.

  1. Criol d morada na Lu

    O k este senhor fez ao dar a cara é de louvar a sua atitude e demonstra ser um pessoa honesta e trabalhador que quer ganhar o seu sustento de cada dia, sem depender de ninguém, sem envergonhar a sua própria pessoa, sem assaltar ninguém nas ruas de Mindelo, sem roubar ninguém como muitos fazem para ganhar dinheiro de forma fácil e ilícita. Vejam quantos cabo-verdianos que trabalham na Itália como domésticos, fazem o mesmo serviço que este senhor está a fazer na minha ilha, ou seja, o serviço que normalmente é feito pelas mulheres, atenção que não estou a criticar nem a menosprezar o trabalho que os cabo-verdianos fazem na Itália e nos outros países da Europa, isso demonstra que são pessoas serias, honestas e trabalhadores e que não conseguem viver a dependerem dos outros, EU TIRO O CHAPEU A ESSE SENHOR DO PAÚL…. não desistas do teu sonho que ele há de chegar um dia!

  2. Carlos Silva - Ralão

    Não tenho palavras para dizer a este grande Sr. e Homem, trabalhao é trabalho. Hoje em dia já não mais emprego fixo, por isso as pessoas têm de se desdobrar. No final desta matéria escreveu e disse bem, a maioria das pessoas, e principalmente alguns jovens, não querem trabalhar, mas sim emprego e apenas dinheiro, sem qualquer esforço. Por exemplo, há tempos fiz um jovem carenciado uma proposta de todos os dias lhe oferecer uma refeição quente diária, para apenas deitar o lixo, nunca apareceu…

  3. Naiss

    Trata-se mais de um factor cultural porque aqui em C.Verde associa-se o trabalho doméstico mais às mulheres. Porém, nas antigas colónias Portuguesas como Guiné, Angola e Moçambique, é mais comum serem os homens a exercerem essas funções. Antigamente tambem não se viam homens a venderem verduras nas ruas mas hoje em dia já vai sendo comum. O que importa acima de tudo, é ganhar a vida honradamente do trabalho de cada um.

  4. Mª Felicidade

    EU tiro o Chapeu ao Sr. Julio !Os meus parabéns Sr.Júlio por ser modermo e não ter complexo de fazer um trabalho que é igual a qualquer um, só que aqui em Cabo Verde por sermos complexado achamos que é só a mulher que pode faser. Mas ja estivo em Moçambique,Brasil e Portugal,que é uma profição onde se vê mais é homem.E digo-lhe mais, muito mais caprichado de que as mulheres. E tanto chefes de culinária que vemos na TV homem?E os cabeleireiros?As Mulheres ñ estão nas prof.que era de “homens”?

  5. Pituca

    Mais vale trabalhar honestamente como doméstico do que ser um poiltico corrupto e andar a roubar o povo descaradamente. PARABENS AO SR JULIO.

  6. cidadão

    Bem haja Sr JULIO.Esse é que é homem com H e muitos outros Maiusculo.
    Não desses que andam por aqui a pensar que ser homen é andar atrás de garotinhas de 16 anos
    Força Sr Julio mereces todo o nosso respeiro

  7. ANA CRISTINA DIAS

    OI JULIO FAZ O TEU TRABALHO BEM FEITO E NAO DA OUVIDO AOS COMENTARIOS MALDOSOS PK O MUNDO E ASSIM SE CHEGAR EM ALGUEM A PEDIR DAO MAS DEPOIS FALAM POR ISSO FAZES O TEU TRABALHO PK ES MUITO MAIS HONESTO DO K MUITOS K ANDAM DE FATO E GRAVATA NUM BOM CARRO TUDO SUOR DO POVO

  8. mana

    esse que é homem…. os meus parabenssr. Julio.

  9. TUNUCA

    BOA SEGUE EM FRENTE SEM PROBLEMAS

  10. adilsa

    gostei,deve ser exemplo para muitos que estão dependência de outros a pedir esmolas e a roubar,trablho dignifica o homem e não mata ninguém!!!!!!!!!!!!!!!!

  11. Sónia

    Acho que o importante é ter orgulho e não vergonha do que se faz, por mais humilde que for o trabalho desempenhado. Há quem trabalhe de empregado(a) doméstico(a) e tenha desprezo em ser chamado do mesmo. Ultimamente querem ser apelidadas de Secretárias do lar.
    Este Senhor mostra-se ser humilde e batalhador! Minhas felicitações! Acredite e verá que vai conseguir o que quer! Oportunidades não lhe vão faltar.

  12. esse sim é Homen meus parabens, trabalho é trabalho independentemente do que se está a fazer, o desemprego esta a resultar da escolha do trabalho porque se não é um trabalho de executivo de computador não é trabalho para muitos… essa é a iniciativa que a sociedade precisa, trabalhar sem preconceito.

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