No limite da criminalidade: PN aposta nos mais jovens como forma de prevenção

4/05/2013 03:22 - Modificado em 4/05/2013 03:22
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PoliciaCom as altas taxas de criminalidade registadas no país, a Polícia Nacional (PN) aposta na sensibilização dos mais jovens com intervenções coordenadas entre instituições e corpo docente das escolas como forma de prevenir focos de criminalidade nas camadas mais jovens. Esta quinta-feira, dia 2, a escola abrangida foi a da comunidade piscatória de São Pedro que contou com a visita do comandante da esquadra do Mindelo, Nelson Rodrigues, com uma palestra motivacional voltada para as questões da violência e criminalidade.

Famílias problemáticas, comunidades instáveis, são alguns dos factores apontados que podem influir na educação e crescimento dessas crianças. É neste sentido que a PN, no quadro do programa “Escola Segura”, vem ministrando acções de sensibilização junto das escolas da ilha através de palestras motivacionais visando o esclarecimento das crianças para a problemática da criminalidade bem como os valores sociais, como a importância da escola e da família.

“Fazemos visitas periódicas e constantes às escolas tanto do ensino básico como do ensino secundário onde fazemos um levantamento junto de professores, dos contínuos, dos funcionários e do corpo directivo, de modo a detectar possíveis focos de problemas que poderão ocorrer naquela instituição ou naquele estabelecimento. Mostramos a nossa disponibilidade para, juntos, podermos resolver esses focos de criminalidade, incivilidades ou mesmo comportamentos desviantes”, explica o comandante lembrando que o projecto de policiamento de proximidade criado em 2005 visa, essencialmente, prevenir focos de criminalidade e de insucesso escolar”.

“Violência entre famílias afecta conduta das crianças”

As professoras daquele pólo educativo em declarações ao NN, afirmam que a problemática da criminalidade tem de ser combatida desde o início, começando por apostar numa melhor educação das crianças, a fim de evitar que as mesmas enveredem, no futuro, por estes caminhos.

“Em São Pedro há um clima meio deturpado, com violência no seio das famílias e isso acaba por afectar as crianças. Apercebe-se disso pelo desrespeito que elas têm para com os professores”, alerta a professora daquele pólo, Ineida Barros, lembrando que, para solucionar este tipo de problemas, “temos de começar de baixo, mediante uma educação mais interventiva”. Da mesma forma, a professora Maria do Rosário fala da influência do ambiente “pouco saudável” onde as crianças convivem, facto que “acaba por se refletir na conduta das mesmas”, lembrando que “temos de começar a trabalhar com essas crianças a partir de agora”.

“Às vezes ouvem falar da palavra gang, mas não têm a noção das reais consequências para a pessoa que faz parte desses grupos. A criminalidade é fruto do meio. Uma criança que cresce num meio familiar onde haja bons exemplos, normalmente, acaba por seguir aqueles padrões onde foi criada, mas se, pelo contrário, se encontrar num ambiente onde não há estabilidade familiar e bons exemplos vindos por parte dos pais, ela tem uma forte possibilidade de se desviar”.

Em casos limites onde se exija a presença das autoridades, a intervenção da polícia passa pela parceria estabelecida entre a PN e outras instituições “que estão balizadas para resolver esse tipo de problema, sobretudo na camada estudantil”, explica o comandante, exemplificando que “quando temos problemas com os pais e encarregados de educação” os casos são encaminhados para o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) ou, em casos onde haja vítimas, o encaminhamento é feito “para o gabinete de apoio à vítima” ou para o gabinete psicossocial em casos de foro criminal.

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