Perigo: o mau costume de retirar os peixes do anzol com os dentes

3/05/2013 00:51 - Modificado em 3/05/2013 00:51
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peixe anzolOs pescadores e os cidadãos que fazem da pesca um passatempo asseguram que o uso dos dentes para retirar um peixe vivo do anzol faz parte da rotina. Foi um hábito adquirido com o passar dos tempos para garantir a celeridade na captura de peixes. O medo de morrer ou de sofrer lesões parece levar alguns “homens do mar” a abdicar de hábitos adquiridos durante a pesca.

 

A morte de um cidadão que engoliu um peixe vivo quando tentava retirá-lo do anzol com os dentes trouxe para a praça pública a questão sobre o cumprimento de regras de segurança durante a pesca .

Em particular, se é correcto os pescadores ou as pessoas que são apelidadas de “pescadores de fins-de-semana” utilizarem a boca para extraírem peixes do anzol ou para agarrarem instrumentos utilizados na pesca sabendo que com essa conduta podem colocar em risco a sua integridade física.

O certo é que em São Vicente, a morte de José Rodrigues para além de ser uma tragédia para a família, foi interpretada com um caso insólito que serviu como uma chamada de atenção para quem se dedica à pesca.

 

Rapidez

Manuel Rocha, pescador há 19 anos, garante que várias vezes teve o mesmo procedimento que a vítima e explica as circunstâncias “foi um hábito que ganhei quando iniciei a vida no mar. Assisti colegas a retirarem peixes de pequenas dimensões com os dentes e passei a fazê-lo, porque é uma forma de evitar perdas de tempo”.

Manuel esclarece que o procedimento é realizado quando se trata de peixe de “pequeno” porte, em situações onde se pescam mais do que um peixe. Mas sublinha que ao receber a notícia da morte de José Rodrigues prescindiu da intenção de manter o seu procedimento e comprou um alicate para substituir os dentes.

 

Técnica

Maurício António frequenta com regularidade as praias de São Vicente e há vários anos que adoptou a pesca como uma actividade secundária. Questionado sobre a situação, o entrevistado revela que recorre aos dentes não só para retirar peixes do anzol, mas também para cortar a linha ou para empatar anzóis.

“Por razões de segurança passarei a ter outros procedimentos para evitar lesões no corpo e para não colocar em risco a minha vida. Não vale a pena negligenciar a minha segurança em detrimento da pesca. Pesco em zona de rochedos, às vezes a tentação fazia-me agarrar o peixe com a boca e aguardar pela captura de outro para depois levá-los para um terreno seguro” assegura Maurício.

 

Medo

Por seu lado, os pescadores João Salomão e Carlos Santos que utilizam a praia de Fateja para encontrarem um sustento para a família dizem que o receio de morrerem asfixiados por ingestão de um peixe vivo levou-os a abdicar dessa técnica.

“Os costumes continuam a sobrepor-se às regras e nós, como homens do mar, gostamos de arriscar as nossas vidas para garantir comida aos filhos. Mas é preciso uma reflexão por parte de todos porque mais vale prevenir do que remediar” concluem os entrevistados.

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