Mladic “criou o horror” do massacre de Sebrenica, diz acusação

18/05/2012 01:10 - Modificado em 18/05/2012 01:10
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Ratko Mladic, antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia, “criou o horror” do massacre Sebrenica, disse a acusação no segundo dia do seu julgamento, que foi adiado sem data porque a defesa não teve acesso a milhares de páginas de provas.

 

Num dos muitos vídeos exibidos pela acusação no dia em que foram descritos os “horrores” de Sebrenica, o homem que ficou conhecido como “o carniceiro dos Balcãs” diz para uma câmara: “Estamos aqui, a 11 de Julho, na sérvia Sebrenica”. Acrescentando que devolve “a cidade ao povo sérvio como presente”. E termina dizendo que “chegou finalmente o tempo de nos vingarmos dos turcos nesta região”.

 

Mostrando aos juízes várias fotografias de valas comuns descobertas em Sebrenica depois da guerra da Bósnia, o procurador Peter McCloskey disse ter ali “um exemplo do horror criado por Mladic”.

Noutro vídeo, que a acusação diz “ajudar a perceber a mente de Mladic”, o general entra num autocarro com muçulmanos, a 26 de Julho de 1995 e diz-lhes que estão salvos: “Dou-vos a vossa vida como um presente”, repetiu várias vezes, enquanto dizia que se voltasse a vê-los em combate não voltará a perdoá-los.

 

Julgamento suspenso

 

A próxima audiência, em que seria ouvida a primeira testemunha de acusação e que estava marcada para dia 29, foi adiada sem data, num episódio que o jornalista da BBC Allan Little descreveu como “embaraçoso para a justiça internacional”: no dia em que se descreviam as atrocidades do massacre de Sebrenica, em Julho de 1995, o julgamento teve de ser suspenso porque a acusação não conseguiu divulgar milhares de páginas de provas que deviam ter sido partilhadas com a defesa, que diz agora precisar de pelo menos seis meses para analisar os documentos.

Mladic começou quarta-feira de manhã a ser julgado no Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, em Haia, enfrentando 11 acusações por crimes de guerra e contra a humanidade, que incluem genocídio, cometidos durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995.

Detido a 26 de Maio de 2011, na Sérvia, após 16 anos de fuga à justiça internacional, Ratko Mladic é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelas suas tropas durante a guerra da Bósnia, um conflito em que morreram mais de 100 mil pessoas.

O antigo general, que a defesa diz estar doente, é acusado de ter orquestrado o massacre de Sebrenica, em que as forças sérvias da Bósnia mataram 8 mil homens e jovens muçulmanos, descrito como a pior atrocidade cometida na Europa desde a II Guerra Mundial. Está também a ser julgado pelo cerco de 44 meses a Sarajevo, que levou à morte de mais de dez mil pessoas.

 

 

Publico.pt

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