“Crise da leitura em Cabo Verde deve-se ao ensino deficitário”

24/04/2013 00:19 - Modificado em 24/04/2013 00:19

livrosProfessores do ensino básico de Santo Antão,  assinalando o dia mundial do livro, afirmam que a fraca adesão dos cabo-verdianos para a leitura deve-se ao ensino deficitário em Cabo Verde. Reformulação das políticas de ensino, mais formação aos professores e aposta forte em melhores das condições de ensino são alguns dos principais factores apontados como referência para uma melhoria neste campo.

“O hábito de leitura, sobretudo no seio da camada mais jovem, é cada vez mais fraca”, adverte Adelina Alves, professora do Ensino Básico e Integrado, EBI, no concelho de Ribeira Grande, há mais de trinta anos. “O hábito de leitura tem de ser cultivado desde cedo e o ensino em Cabo Verde é limitado nesse aspecto, a começar pelos manuais que não suscitam grande interesse”.

“Apesar de os níveis de analfabetismo terem diminuído consideravelmente nos últimos anos, o hábito de leitura, o gosto e a astúcia para procurar, para pesquisar ainda é bastante fraco”, afirma Vanda Leite que alerta para a questão do deficit de livros que “dê vasão à procura, mesmo que fraca, e carência dos alunos”  e chama a atenção para o facto de a sociedade cabo-verdiana encontrar-se “votada ao comodismo, a apatia” facto que se deve também “a falta de conhecimentos, a começar pela nossa própria história”.

 

“Os professores não frequentam as bibliotecas”

 

A melhoria das condições de ensino “também passa pelos professores, pela mudança de atitudes dos próprios que devem procurar ampliar seu campo de visão, cultivando, eles próprios, uma necessidade de crescer, de aprender mais”, sublinha Marisia Soares, bibliotecária na cidade do Porto Novo, Santo Antão.

Por sua vez, Ligia Leite, bibliotecária na Biblioteca Municipal do Mindelo, diz que deveria haver mais colaboração dos professores com as bibliotecas, para que o acervo bibliográfico vá ao encontro das reais necessidades dos alunos. “Os professores não frequentam as bibliotecas e muitas vezes não têm conhecimento dos livros existentes”, afirma, lembrando que os mesmos contribuem para que a adesão dos alunos seja cada vez mais fraca quando, por exemplo,“ não exigem as referencias bibliográficas”, facto que contribui para que o aluno não procure os livros.

Por outro lado, Antónia Moço, dona da livraria A Semente, afirma que, “contrariamente ao que se diz” o cabo-verdiano cultiva o hábito de leitura. “As pessoas estão a perceber que se encontram num mundo cada vez mais competitivo. Sentem a necessidade de acrescentar valor a eles próprios” assevera

  1. Marcelina Lopes

    Concordo plenamente com todas as pessoas nomeadas nesta notícia, mas há uma pergunta. Qual é a função do professor(a)?. Não culpem os manuais usados nas escolas, pois o professor não deve cingir a apenas aquilo que lhe oferecem. O Professor deve ser aquele que investiga para melhor oferecer aos seus alunos. Se há professores que não frequentam uma biblioteca, o que tem de dizer aos seus alunos em relação à procura de uma? Que me desculpem, mas o incentivo começa na escola.

  2. Cabral

    Sobre isso, escrevi um longo artigo. Fizeram orelhas moucas. Há coisas mais importantes neste país. Por isso a ileteracia campeia, e as escolas produzem aluno scada vez mais analfabetos (funcionais)

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