Estuda na Universidade Lusófona: Cris um invisual que viu o futuro

15/06/2013 00:02 - Modificado em 14/06/2013 23:32

CrisCrisanto dos Santos, 33 anos, nasceu de parto natural em casa e nas várias tentativas de retirá-lo da barriga da mãe,  ficou com lesões nos olhos e desde o seu nascimento a sua vida não foi igual à das outras crianças. Crisanto acabou por ficar invisual aos 19 anos mas isso não lhe impediu de ser hoje um estudante do 3º ano do Curso de Serviços Sociais na Universidade Lusófona. Contudo, para chegar onde chegou, Crisanto teve muita força de vontade e conta ao NN os obstáculos que ultrapassou e os que enfrenta para ser quem é hoje.

Crisanto, conhecido por Cris, diz ao NN que ainda em criança conseguia ver do olho “direito”, mas, com o passar dos anos, ficou sem ver de ambos os olhos. Considera que o facto de ter conhecido o mundo e de ter ficado invisual gradualmente facilitou o seu trajecto como ser humano. Conta que “principalmente por ter ficado com a noção do que são as ruas, hoje anda pela cidade sem receio”. O entrevistado refere que todas as pessoas correm riscos ao saírem de casa mas ele, como invisual, tem consciência que o seu risco é maior o que, no entanto, não o impede de sair de casa e afirma que “consigo chegar a todos os lugares e às vezes, se for preciso, peço ajuda”.

O sonho de Crisanto era o de estudar e de entrar na faculdade. No entanto, conta que o seu percurso escolar foi mais difícil devido à sua incapacidade. Chegou a frequentar a escola, mas não conseguiu alcançar os objectivos, visto que necessitava de um acompanhamento especial e foi assim que, através da CMSV, conseguiu ir à cidade da Praia estudar na escola Manuel Júlio e concluir o 12º ano o que lhe permitiu ser hoje um aluno do 3º ano do Curso de Serviços Sociais”. Não tenho as matérias como os outros alunos, mas tenho uma colega que grava as aulas e depois eu estudo em Braille”. Diz Cris ao NN e acrescenta que os seus testes são orais. Crisanto está orgulhoso por ter chegado onde chegou e espera ingressar no mercado do trabalho como qualquer outra pessoa. ”Estou a lutar para ter a minha independência. Hoje moro com os meus pais, mas estou a fazer de tudo para, um dia, ser auto-suficiente porque um dia os meus pais podem vir a faltar e não quero depender da bondade alheia”, refere Crisanto sobre as suas perspectivas do futuro.

  1. Carla Ramos

    Desejo-te muitos sucessos no futuro Cris e muitas felicidades.
    Que essa tua luta sirva de exemplo para muitos caboverdeanos.
    Força.

  2. Carlos Silva - Ralão

    Sou professor de Fisica da escola Jorge Barbosa e já tive dois excelentes alunos invisuais no 10º e 11º ano, Airton e Fábio, todos de Chã de Alecrin, são excelentes alunos. O Airton está no 12º ano na área Humanística equanto que o Fábio continua sendo meu aluno no 11º ano. Posso vos garantir que foi e tem sido uma excelente experiência para mim. O que posso dizer ao Crisanto que o Céu é o limite, dificuldades existem sempre e para todos, sejam invisuais ou não. Força amigo Crisanto.

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