JMN : O PAICV é o partido dos grandes momentos

20/04/2013 00:05 - Modificado em 20/04/2013 00:05

JMNevesO presidente do PAICV , no discurso de abertura do congresso, traçou o percurso que a nação cabo-verdiana trilhou . Enumerou os desafios e as vitórias e ao chegar ao presente admitiu o momento difícil que o mundo e o país atravessa . E para vencer esses novos desafios , disse que o PAICV é o partido dos grandes e momentos e questionou :

” Qual é, então, o papel do PAICV?

O nosso partido tem de continuar a ser a força de transformação, o partido modernizador e transformador, o partido capaz de mobilizar a sociedade para juntos vencermos mais esta etapa”

 

Transcrevemos na integra o discurso do presidente do PAICV proferido , ontem , na abertura do congresso .

 

 

Camaradas,

Amigas e amigos,

Cabo-verdianas e cabo-verdianos,

É com muita emoção e um profundo orgulho que vos cumprimento neste arranque do nosso Congresso.

Como Camarada e como Presidente do Partido, encontro sempre motivo de alento e de orgulho nesse olhar de confiança de cada um de vós e no abraço amigo que nos une.

Na verdade, é este sentimento sempre renovado de muita confiança e de forte unidade que nos vai ajudar a fazer estes dias de um grande congresso.

Porquê? Porque, sempre por Cabo Verde, temos, todos juntos, uma nova, uma grande ambição.

Ao longo da nossa história já provámos que os nossos congressos são sempre momentos importantes para o partido, mas que são também momentos marcantes para a vida nacional.

Também deste nosso XIII Congresso vão seguramente sair novas linhas orientadoras e novos impulsos que serão ganhos igualmente para este nosso país que tanto amamos.

Esta é, aliás, uma marca muito própria da nossa forma de estar na política e na vida do país: em todos os momentos da nossa acção partidária temos sempre essa preocupação constante e aguda com o interesse nacional, com o futuro do país, com o bem-estar das cabo-verdianas e dos cabo-verdianos.

Não é por acaso que somos o maior partido político de Cabo Verde.

Isto é um grande orgulho, mas é sobretudo uma grande responsabilidade.

Penso que todos juntos temos estado à altura desta enorme responsabilidade.

Vejam que, dentro de apenas dois anos, o nosso país estará a celebrar os quarenta anos de Independência Nacional. E, desses quarenta anos, trinta terão sido sob a governação do PAICV.

Isto é ou não motivo de grande orgulho?

Nós somos um partido de todos e para todos, um partido de todos os tempos e todas as gerações.

A cada dia renascemos mais fortes e mais determinados pelo entusiasmo dos jovens, pela perseverança das mulheres e pelo empenhamento dos homens que, todos juntos, fazemos este grande partido que é o PAICV.

E é por isso que somos o partido com as mais fundas ligações com a história deste nosso povo heróico.

Partido da luta pela liberdade e pela dignidade no chão destas ilhas, sabemos o que custa uma bandeira. Da luta pela Independência, temos estado também na primeira linha da luta pelo fortalecimento das liberdades, pela consolidação do Estado de Direito Democrático e pelo desenvolvimento sustentável que beneficie toda a nação.

Repito: temos orgulho deste nosso lugar ímpar na história de Cabo Verde.

Também por isso mesmo, temos a serenidade suficiente para ser um partido de afectos. Cada vez mais.

Porque a política não é, para nós, um ponto de chegada, senão que o contexto para contribuir para o bem comum e para o quinhão de felicidade a que cada um tem direito.

E é este património fundamental no plano dos princípios e dos valores que nos faz convergir no essencial e ser fortes na nossa unidade, na nossa coesão, no nosso desejo de ser cada vez mais PAICV.

Enquanto partido, somos uma comunidade de camaradas e companheiros que propugnam e defendem e se batem pelo mesmo ideário.

Somos, na verdade, fortes na nossa condição de partido da esquerda democrática e progressista. É isto que nos distingue e é isto que sustenta a nossa acção. Aliás, é essa coerência com a nossa matriz que tem impulsionado as marcas indeléveis que temos colocado na condução do país e na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.

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Neste ponto, desejo saudar com muito respeito e amizade os partidos nacionais aqui representados nesta cerimónia. A vossa presença aqui reconforta-nos e é um sinal mais da maturidade da nossa vida em democracia.

Parece-me fundamental que todos, a cada dia que passa, assumamos a importância dos partidos políticos enquanto pilares do Estado de Direito Democrático e enquanto, justamente, instituições com um papel incontornável na construção da democracia e na formatação da vontade nacional.

E é bom sublinhar que os partidos políticos mais não são do que associações de cidadãos que decidem, por essa via, exercer a sua cidadania e contribuir para a qualidade e a densidade da vida política nacional. Ou seja, não há partidos sem cidadãos nem partidos contra a cidadania, muito menos num Estado constitucional e democrático como o nosso.

Agora, há um ponto que tenho de referir e que é o seguinte: a política requer e pressupoe compromissos. Ou seja, há um denominador comum de valores e de interesses supremos que tem de estar presente na acção de uns e de outros. O que significa que é preciso construir e fazer valer uma forte confiança entre os partidos políticos. E o cimento de tudo isso é claramente o respeito escrupuloso pelas regras do jogo democrático. A tolerância. O respeito pelo estatuto de uns e de outros. O diálogo. E, insisto neste aspecto, um sentido muito preciso do que seja o interesse nacional.

Penso que os partidos têm de dar prova disso mesmo na gestão de matérias muito concretas como, por exemplo, a instalação do Tribunal Constitucional, a reconstituição da Comissão Nacional das Eleições, a designação do Provedor de Justiça ou a fixação do Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos.

Ou seja, deste ponto de vista, os nossos partidos políticos estão como que chamados a um crucial momento de serenidade e discernimento, convindo não esquecer que, como diz Bobbio, os partidos políticos têm um pé na sociedade e outro no Estado.

 

 

Ao dizer isto, tenho bem presente o nosso contexto constitucional, justamente com uma Constituição claramente compromissória, ou melhor, fortemente impulsionadora de compromissos.

Julgo que há duas dimensões que têm de ser assumidas pelos partidos, sem vacilações. Temos, por um lado, de poder consolidar as instituições e, por outro, de fortalecer a sociedade civil, designadamente no sentido de uma cidadania cada vez mais crítica e actuante. São duas dimensões essenciais, duas condições melhor, para enfrentarmos com sucesso os desafios que nos são colocados enquanto nação.

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Temos de poder perguntar e temos de poder responder ao seguinte: qual o principal desafio que se coloca a Cabo Verde, hoje?

E, ao dizer “hoje”, quero precisamente que tenhamos presente o contexto internacional extramamente dificil que, de uma forma ou outra, está a afectar todos os países.

Somos um pequeno Estado-arquipélago, com uma população diminuta e uma diáspora espalhada pelo mundo, um país muito recentemente chegado ao desenvolvimento médio mas de renda baixa, um país ainda na delicada fase de take-off e sujeito a fortes constrangimentos restritivos.

Ou seja, um pequeno Estado, vulnerável, e que tem de construir o seu desenvolvimento num contexto de crise, de rupturas e descontinuidades no processo de crescimento global.

É neste contexto que temos de poder continuar a fazer o caminho. Não temos outra alternativa que não a de persistir, de continuar a ousar, de continuar a querer ir cada vez mais além. A ter ambição.

A olhar em frente e a continuar a caminhada para além das novas fronteiras.

Qual é, então, o papel do PAICV?

O nosso partido tem de continuar a ser a força de transformação, o partido modernizador e transformador, o partido capaz de mobilizar a sociedade para juntos vencermos mais esta etapa.

Assumir desafios e vencê-los é uma condição natural na vida e na trajectória do nosso partido. Enquanto partido da esquerda moderna e democrática, temos sensibilidade necessária mas também a responsabilidade de saber federar vontades e liderar neste momento mais exigente para o país.

Como um partido fiel aos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da solidariedade, sabemos quão importante é preservar a centralidade da pessoa humana nos processos de desenvolvimento. E este é um dado incontornável na agenda de transformação que o PAICV tem liderado neste nosso país. Todo o nosso trabalho tem como destinatário último e razão de ser a pessoa humana, a sua dignidade e o seu bem-estar. As políticas públicas que têm sido desenvolvidas sob a governação do PAICV são políticas públicas inegavelmente com rosto humano. Pelo seu impacto na melhoria das condições de vida das pessoas, seja directamente, seja pela lógica da transversalidade das acções.

Ou seja, da mesma forma que temos avançado no plano das liberdades políticas e da consolidação das instituições do Estado de Direito Democrático, igualmente temos conseguido avanços enormes no que se refere à cidadania económica, social e cultural. Do sistema de ensino que oferece cada vez mais oportunidades a um sistema nacional de saúde com cada vez mais qualidade e maior abrangência; da protecção social na doença, na invalidez e na velhice à formação profissional, ao empreendedorismo dos jovens, ao empowerment das mulheres, aos incentivos à iniciativa privada, ao fortalecimento dos espaços não governamentais de intervenção, à mobilização de oportunidades de investimento, à dinamização das economias criativas, enfim, há um fervilhar de iniciativas, de medidas, de dinamismo que são a marca mesma de um país em movimento, de um país rumo ao progresso, de um país que não se deixa intimidar pelas récitas catastrofistas e pelos mensageiros da desgraça, antes se afirma cada vez mais como país que sabe o quer e, sabendo o que quer, faz o seu caminho nas dificuldades e apesar delas.

Somos positivos, temos ambição, e é agora camaradas! Nova Ambição, Por Cabo Verde, sempre!

Somos uma nação calejada na luta contra adversidades. Chegámos onde já chegámos graças à luta de gerações sucessivas. E vamos ir mais longe ainda. Esta é a nossa ambição. Esta é a responsabilidade histórica intergeracional que não podemos declinar. Temos de persistir e temos de vencer.

Porque assim é, o nosso partido tem a responsabilidade nacional de levar ainda mais longe a sua condição de força da mudança.

Nesta hora de congresso, isto tem de estar claro para todos nós da família do PAICV. Temos de estar cada vez mais unidos e cada vez mais fortes na nossa responsabilidade de continuar a modernizar e a transformar o país.

Desde logo, temos de continuar a liderar o processo de consolidação de um Estado moderno e capaz.

Um Estado capaz de gerir o pluralismo social e político, enquadrando e potenciando as suas virtualidades de enriquecimento e vitalidade da nossa sociedade. Ser plural é ser mais rico.

Mas continuamos igualmente apostados num Estado que promova o diálogo social, designadamente em sede de concertação social. E penso que este é um domínio em que já avançámos imenso. Basta recordar o Acordo de Concertação Estratégica já assinado por todos os parceiros sociais.

Por outro lado, dizer Estado capaz é referir um Estado intensamente preocupado com o aumento da produtividade e a melhoria das condições de competitividade do país. E este é um aspecto essencial para podermos dar o salto decisivo no nosso processo de modernização e desenvolvimento.

O Estado que propugnamos tem também de poder gerir os riscos com que estamos confrontados, os riscos do contexto e designadamente os riscos no

 

plano ambiental, o que é de uma importância extrema num país de vulnerabilidades como é o nosso.

Estou ainda a falar-vos de um Estado capaz de enfrentar desafios como os que se referem à empregabilidade, à segurança social, à criação de oportunidades para os jovens, à promoção da igualdade e da equidade, aos investimentos no capital humano, à modernização das infraestruturas, à densificação do sector privado.

Camaradas, o nosso partido, como um partido ganhador que é, tem de continuar a promover e a realizar esse Estado capaz.

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É com muita satisfação que dirijo uma saudação especial aos representantes dos partidos amigos que, vindo de muito longe, quiseram estar hoje aqui connosco.

Partidos com os quais temos uma caminhada comum e, sobretudo, um património de valores comuns e um mesmo propósito de trabalhar pela liberdade e a dignidade das pessoas e pelo contínuo progresso dos nossos povos e países respectivos.

O PAICV é um partido que sempre concedeu a importância devida às relações internacionais e que, enquanto partido da governação, tem propugando o entendimento dessas relações que melhor defenda e promova os interesses do país.

E é assim que temos promovido uma política de grande vizinhança que garanta a inserção de Cabo Verde no mundo, sempre como uma nação inteiramente apostada na paz, no diálogo e na tolerância, no respeito pela legalidade internacional, na defesa e promoção dos valores do Estado de Direito Democrático, na melhor integração e promoção da nossa diáspora, na cooperação para o desenvolvimento como um factor de progresso da humanidade no seu todo, na partilha do saber e dos avanços tecnológicos, na segurança e estabilidade como condições do progresso.

Para nós, falar de vizinhança é ter uma ideia muito clara das nossas relações com a União Europeia, designadamente aprofundando a parceria especial, mas também com a CEDEAO, com Marrocos, com a Mauritânia, com Angola, com o Brasil, com a África do Sul, com os Estados Unidos da América. Mas é também uma noção exacta do nosso papel estratégico como ponto de intersecção entre o Atlântico Norte e o do Sul. E julgo já ser sobejamente conhecida a importância que atribuimos a este corredor do Atlântico como um espaço e um factor de paz e cooperação, da mesma forma que acredito ser clara a relação especial que promovemos com o Mercosur e a Zopacas.

Da mesma forma, a intensidade que colocamos nas relações com os países asiáticos, a começar pela China e o Japão, mas também com países do Golfo Pérsico.

Não temos um entendimento limitado ou fechado das relações internacionais, nem muito menos uma visão de curto alcance, antes queremos que o nosso país, nas suas particularidades, na valorização da sua posição geo-estratégica, nas suas vantagens competitivas, na solidez

 

 

dos seus valores e princípios e na coerência com que os defende e promove seja um país devidamente respeitado e tido em conta nos mais diferentes espaços internacionais com relevância para a nossa estratégia de desenvolvimento.

E este é um domínio no qual também a nossa ambição tem de manifestar-se com o necessário sentido de ousadia, de oportunidade e de eficácia.

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Camaradas,

Este XIII Congresso vai ser de certeza mais um grande momento na vida do nosso partido e de Cabo Verde.

Quero pedir-vos a todos o vosso contributo de sempre para o calor e intensidade dos debates que caracterizam os nossos encontros, as vossas ideias e propostas, o vosso juízo crítico, a acutilância do vosso olhar e das vossas apreciações por forma a que saiamos deste Congresso com ideias mais precisas e mais ajustadas sobre o que fazer e como fazer nos próximos tempos.

Um congresso é também isto: este momento de renovação da solidariedade e da cumplicidade na realização do nosso programa e trabalho conjunto enquanto partido, repito, enquanto uma associação de camaradas que têm em comum o mesmo ideário.

Temos batalhas a travar, temos lutas a vencer e é juntos que as vamos travar e que as vamos vencer.

Somos todos deste grande partido que é de todos nós

É com este PAICV sempre ganhador e é por este Cabo Verde que tanto amamos que estamos e vamos estar sempre unidos numa nova ambição.

Viva PAICV!

Viva Cabo Verde!

  1. antónio dos santos

    Este não é seguramente um grande momento JMN. O País tem desde o principio da semana o GAO a monotorizar o plano de resgate do País, perante a falencia eminente que o Paicv tem conduzido a nossa economia. Alias isso ficou patente no 1.º dia do congresso com um profundo apelo aos partidos politicos para o ajudar a carregar essa cruz. Mas vai ter que carrega-lo sózinho para aprender o que são os fundamentos da Democracia; verdade, dialogo, consenso e respeito pela oposição.

  2. antónio dos santos

    Este não é seguramente um grande momento JMN. O País tem desde o principio da semana o GAO a monotorizar o plano de resgate do País, perante a falencia eminente que o Paicv tem conduzido a nossa economia. Alias isso ficou patente no 1.º dia do congresso com um profundo apelo aos partidos politicos para o ajudar a carregar essa cruz. Mas vai ter que carrega-lo sózinho para aprender o que são os fundamentos da Democracia; verdade, dialogo, consenso e respeito pela oposição.

  3. Eduardo Oliveira

    JMN é sem dùvida o maior contorcionista mentiroso que o pais jamais teve. Se mentira for verdade ele està de pedra e cal enquanto viver. Depois, conforme é seu desejo de fazer Cabo Verde uma repùblica hereditària, passa o regime ao filho.
    E assim vamos acabando à mingua.

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