Taxa de contribuição turística: responsáveis hoteleiros apreensivos com a entrada em vigor

16/04/2013 01:05 - Modificado em 16/04/2013 01:05
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taxa turisticaOs responsáveis hoteleiros e de residenciais do Mindelo consideram injustificada a aplicação da taxa sobre as dormidas, quando o país não possui condições que justifiquem este aumento dos custos no sector turístico, acrescido para os 15 por cento do Imposto Sobre o Rendimento, IVA, e que poderá pôr em risco a entrada de turistas no país.

 

Esta lei que deverá entrar em vigor a partir do dia 1 de Maio e que foi introduzida pela Direcção Geral do Turismo com a finalidade de melhorar as condições deste sector no país, sofre fortes contestações no ramo hoteleiro. Vários responsáveis hoteleiros e de residenciais entrevistados pelo NN falam na falta de ponderação desta medida que não se adequa à realidade económica do país com mais a agravante de estar a ser implementada numa altura marcada pela crise internacional.

 

Todos contra

 

Daniel Mascarenhas, dono da residencial Mindelo, diz que esta taxa “veio cair em má altura” e que a medida pode servir de entrave ao desenvolvimento do turismo em Cabo Verde “quando toda a gente está a enfrentar problemas financeiros”. “Não equacionaram bem as coisas antes de a aprovarem, não pensaram, por exemplo, nos turistas que vêm e ficam em casas de famílias. Será que ficam isentos ou também vão pagar?”, questiona Mascarenhas.

Por seu lado, a gerente do Aparthotel Avenida, Ivone Figueiredo, afirma que a taxa poderá agravar ainda mais a situação enfrentada em São Vicente, com a fraca afluência de turistas para a ilha. “Acho exagerado, porque quando criaram o IVA, disseram que era para substituir todos os impostos, inclusive foi retirado o imposto de turismo” afirma Figueiredo que diz ser demasiado “pesado” para os turistas terem de pagar os 15% do IVA acrescido dessa taxa de 220 escudos, lembrando que “Cabo Verde ainda não está preparado e não tem atractivos que justifiquem um aumento dessa envergadura”.

 

São Vicente vai ser penalizado

 

A gerente da residencial Sodade, Verónica Tavares, explica que esta taxa por pernoite poderá influenciar no tipo de turistas que escolhe São Vicente como destino e que isso poderá também afectar na própria estadia dos mesmos. “São Vicente, normalmente, serve de escala aos turistas que, de seguida, seguem para Santo Antão. Esses turistas não têm muito poder de compra e poderão, com esta medida, abdicarem de estadias em residenciais e hotéis para as dormidas ao ar livre com as suas tendas”, explica Tavares, lembrando que este facto poderá afectar a economia do país.

O director geral do turismo, Emanuel Almeida, em declarações ao A Semana online, explicou que esta taxa servirá para a arrecadação de receitas que, posteriormente, serão investidas em infra-estruturas e no melhoramento das condições turísticas do país. Entretanto, os agentes do sector hoteleiro vêem esta medida como uma contradição, quando se deveria fazer o percurso inverso, dando resposta às necessidades do sector turístico em Cabo Verde, para depois recuperar os investimentos.

 

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