Ex funcionárias acusam a FRESCOMAR de as ter despedido por serem seropositivas

10/04/2013 00:13 - Modificado em 10/04/2013 00:13

FrescomarDuas funcionárias seropositivas acusam a Frescomar de descriminação, alegando terem sido despedidas sem justa causa, após a empresa ter tomado conhecimento quer estavam infectadas com o vírus da SIDA. Mas direcção da Frescomar desmente as acusações e nega ter conhecimento dos dois casos .

M, mãe de 4 filhos, diz-se privada do trabalho desde há quatro anos, após ter sido vítima de descriminação no então local de trabalho. A mesma situação é denunciada por Beatriz que se diz lesada pela FRESCOMAR , empresa de transformação de pescado que labora em São Vicente ,com a rescisão injustificada do seu contrato de trabalho, sobretudo, na situação financeira actual em que se torna “cada vez mais difícil encontrar um emprego”, afirma.

 

Denunciada pelos colegas

 

Na altura, explica Beatriz, “trabalhava na secção do processamento do peixe, mas devido a uma denúncia dos meus colegas ao responsável da secção de produção sobre o meu caso e, após um longo interrogatório, transferiram-me para o armazém onde passei a trabalhar na lavagem dos produtos já enlatados. Algum tempo depois e sem justificação, fui demitida”.

Com sete anos a conviver com a doença, M demonstra indignação perante a descriminação sofrida por parte da FRESCOMAR, chegando mesmo a dar conta de situações de descriminação extremas sofridas no ambiente de trabalho . “Os meus colegas evitavam usar a mesma casa de banho que eu e deixaram de se sentar ao pé de mim na hora das refeições”, conta.

Já se passaram quatro anos depois do despedimento e “parece que todas as portas se fecharam para mim”, desabafa M que hoje vive com um subsídio da Câmara Municipal de São Vicente, de três mil escudos por mês e com a ajuda de alguns amigos. Com uma vida apertada, diz não compreender a atitude da direcção da empresa visto que a sua função, diz ela, não constituir risco para a saúde pública. “Trabalhava no armazém: lavava as latas já devidamente fechadas em água morna e depois empacotava-as em caixotes. Usávamos luvas para fazer esse tipo de trabalho e não havia risco de me cortar”, explica.

 

Direcção da Frescomar desmente

 

A direcção da Frescoma nega qualquer envolvimento com práticas de descriminação e diz-se estupefacta com a acusação, salientando o desconhecimento do caso. “Este não é o procedimento da empresa. Quando decidimos rescindir o contrato a um funcionário, procuramos fazê-lo de acordo com a lei do código laboral e é feita ou por termo do contrato ou por despedimento por justa causa” afirma a directora do departamento de recursos humanos da empresa lembrando que os funcionários, sobretudo os ligado à produção, são seguidos pela Delegacia de Saúde por meio do boletim sanitário e que só a D.S. poderá ter conhecimento do estado clínico dos trabalhadores.

A direcção da empresa sublinha o vector social como uma das suas áreas de intervenção, dando o exemplo de instituições de cariz social com quem trabalha e da sua colaboração na luta contra o VIH\ SIDA e outras doenças. Apesar dos dois casos terem ocorrido em 2010, a direcção clarifica que as políticas da empresa continuam a ser as mesmas, independentemente do corpo directivo vigente à data das ocorrências.

 

Vice- presidente da ABRAÇO confirma despedimentos

 

Sobre esta matéria, avança a vice-presidente da Associação Abraços, que representa os seropositivos de São Vicente, Valentina Dias, que a situação de descriminação no país e o desrespeito para com os direitos do trabalho continuam a ser alarmantes, sobretudo, pelo estigma criado à volta da doença, advinda “da falta de informação”. E foi Valentina quem fez a denúncia dos casos ocorridos na FRESCOMAR e de outros seropositivos que não revelam o seu estado de saúde com medo de serem despedidos.

 

De acordo com os dados mais actuais, a taxa de prevalência do VIH/SIDA no país ronda os 0,8 por cento, uma das mais baixas a nível africano. No entanto, Dias adverte para a questão da instabilidade estatística que dá conta da situação actual do país relativamente à doença, tendo em conta que “a grande maioria das pessoas não tem conhecimento do seu estado, pois não faz o teste”.

  1. Boise d Soncente

    Situação complicod devera Valter…. será que jornalista tem provas q êch pessoas tava trabaia na Frescomar??? Porque só agora êch pessoas resolve denuncia??? Ou sera como ta na moda agora ” tcham mete un empresa na tribunal tcham tral un troquim”…
    Só Deus sabe…. Un conselho pa pessoal de Noticias do Norte: averigua antes de escreve.. tcheu leitores já da bsot esse conselhos…..

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