Vitória de Kenyatta confirmada no Quénia mas há apoiantes de Odinga que não aceitam

1/04/2013 01:50 - Modificado em 1/04/2013 01:50
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Kenyatta vs OdingaO primeiro-ministro queniano Raila Odinga aceitou ontem a vitória do seu adversário nas presidenciais, Uhuru Kenyatta. Mal o Supremo Tribunal do Quénia validou os resultados, disse, em conferência de imprensa: “Desejo tudo de bom ao Presidente-eleito e à sua equipa”.

 

Nem todos os seus apoiantes se resignaram. Em Kisumu, uma das praças fortes de Odinga — na zona oeste do país, dominada pela tribo a que pertence, os Luo —, duas pessoas foram mortas a tiro nos motins que eclodiram e em que se enfrentaram manifestantes (sobretudo jovens, relatava a AFP) e a polícia.

 

Cenas idênticas ocorreram em Homa Bay, na mesma zona do país: a multidão que saiu à rua incendiou pneus, partiu montras e atirou pedras à polícia. Ao final da tarde, a AFP relatava que motins semelhantes começavam nos bairros de lata nos arredores de Nairobi, a capital do Quénia.

 

Odinga contestara as presidenciais de 4 de Março, considerando que houve irregularidades no escrutínio — uma série de avarias informáticas fizeram anular muitos votos; a dada altura estes começaram a ser contados manualmente, método que rejeitou menos boletins do que o processo informático.

 

Mas Odinga apelou imediatamente aos seus partidários para manterem a calma, tentando evitar um banho de sangue, como aconteceu nas últimas eleições — a violência tribal, luos contra kikuyus (o lado de Kenyatta e que representa a maioria dos eleitores; também há masai, mas no Quénia são muito poucos), matou 1200 pessoas.

 

“O tribunal pronunciou-se. Cabe agora ao povo queniano, aos líderes, à sociedade civil, ao sector privado e aos meios de comunicação social assegurarem a unidade, a paz, a soberania e a prosperidade da nação”, disse ainda Odinga, segundo a Reuters, que destacava a diferença de ambiente entre as eleições de Março e as de 2007. Ao contrário de então, quando as eleições também foram contestadas, o derrotado (Odinga) apelou aos tribunais. Em 2007, a batalha travou-se nas ruas, com bastões, catanas e armas de fogo.

 

Porém, esta decisão do tribunal levanta um problema diplomático ao Ocidente que tem no Quénia um parceiro comercial — é também um importante aliado para o Ocidente manter o equilíbrio das influências em África, onde cresce a presença chinesa — e considera a estabilidade neste país vital para a região de África oriental. Kenyatta foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional (das Nações Unidas) por crimes contra a humanidade — foi considerado um instigador da violência pós-eleitoral de 2007, que além das mortes obrigou ao encerramento de uma rota comercial considerada vital.

 

A diplomacia e os interesses regionais deverão pesar mais do que o TPI — ontem, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, enviou uma mensagens de parabéns a Kenyatta pela sua eleição.

 

 

 

dn.pt

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