Augusto Neves aposta na melhoria da qualidade de vida da população de São Vicente

25/03/2013 00:08 - Modificado em 25/03/2013 00:08

augusto_neves_3Escrito por António Monteiro / parceria notícias do norte /expresso das ilhas

 

Elevar a qualidade de vida da população de São Vicente através da construção de mais habitações sociais e ligação à rede de esgotos e fazer chegar água às torneiras e luz eléctrica a todas as casas são alguns desafios do edil Augusto Neves até o final do mandato. À margem da Cimeira do Primeiro-ministro com os autarcas do país, Augusto Neves falou ao Expresso das Ilhas sobre a situação social em São Vicente, sobre a taxa de desemprego que na sua opinião situa-se à volta dos 50 por cento e dos esforços da Câmara para contrariar essa tendência. O autarca volta a manifestar a sua posição contra a construção do acesso norte ao Porto Grande, ainda que reconheça que esse grande investimento irá trazer crescimento à ilha. “Por isso neste momento o que se deve fazer é continuar a discutir com as autoridades sobre a obra e fazer com que a praia da Laginha e o ambiente sejam salvaguardados”, aponta.

 

Expresso das Ilhas – O que é que espera desta primeira Cimeira do Primeiro-ministro com os autarcas de Cabo Verde?

Augusto Neves – Acho que já é fundamental o facto de haver um melhor relacionamento entre as autarquias e as câmaras municipais. Temos a consciência de que tanto as câmaras municipais como o governo passam por alguma dificuldade financeira, a situação internacional está difícil e só é possível chegar aos objectivos que nós temos planificados para satisfazer melhor a necessidade das populações com consensos e discussões profundas. Acho que já fazia falta esse melhor entrosamento e essa melhor relação, porque temos objectivos comuns que é trabalhar para o desenvolvimento de Cabo Verde, talvez com ideias contrárias, mas sempre procurando a melhor forma de ultrapassar as dificuldades.

 

Pensa que as decisões aqui tomadas vão ser concretizadas?

Eu acho que vão sair do encontro decisões concretas. Só o facto de se ter criado comis-sões para discutir determinadas leis ligadas à fiscalidade e de ter havido essa abertura a nível do governo e das câmaras para se chegar a alguns consensos irá produzir resulta-dos concretos.

 

Afirmou que as câmaras municipais e o governo passam por dificuldades financeiras. Como se reflecte esta crise na situação social em São Vicente?

São Vicente tem características próprias: é uma ilha de prestação de serviços, uma ilha administrativa e portanto os problemas são maiores. O desemprego está bastante alto, sobretudo na juventude. Embora a ilha seja muito organizada a nível da cidade, a câmara passa por dificuldades que são conjunturais. Nós temos um plano de actividade e um orçamento que irão lutar para minimizar essas dificuldades, fazendo acções basicamente a nível da Educação que é fundamental para a nossa juventude e para a nossa infância, a nível da promoção social no apoio aos nossos carenciados, a nível da criação de facilidades aos investidores e à nossa classe empresarial para que possa haver mais postos de trabalho, tendo em conta a alta taxa de desemprego.

 

Minimizar os efeitos da crise

 

A Câmara tem vindo a fazer aquilo que lhe compete dentro das suas possibilidades – a nível de investimentos vamos ter que reduzir um pouco, porque fizemos grandes investimentos há dois anos atrás; ultrapassou-se os quinhentos mil contos, dívida que a Câmara teve que contrair basicamente à banca. Nós estamos agora em funcionamento fundamentalmente com o orçamento da Câmara Municipal para financiar o cal-cetamento das ruas, das obras municipais, também a nível do Teatro, do Carnaval, do Artesanato e de outras áreas culturais, a nível do Desporto, criando mais campos desportivos em todas as zonas para poder ocupar a juventude. Eu acho que é uma forma, neste momento em que as coisas estão difíceis, de ir minimizando os danos.

 

Qual é o nível de endividamento da Câmara Municipal?

O nível de endividamento não é alto. Nós fizemos estudos antes de irmos à banca há dois anos atrás e o nível de endividamento é mesmo baixo, não chega a um terço daquilo que é o nosso orçamento. Estamos tranquilos, estamos a pagar regularmente à banca, temos cumprido com os nossos funcionários, com o INPS e com outras institui-ções. Obviamente que lutamos para organizar melhor a nossa cobrança, ter melhor receita e poder aplicá-la no crescimento da ilha.

 

Embora seja da competência do poder central, o que é que tem feito a Câmara Municipal para fazer face ao desemprego?

A Câmara tem feito a sua parte. Grande parte dos jovens que fazem o 12º ano, caso não houvesse condições iriam ficar à espera de um posto de trabalho, mas estão sendo integrados numa formação pela Câmara através de acordos com as universidades, estamos também integrando muitos jovens através dos nossos projectos e planos. A Câmara arrancou com um embrião de uma escola de formação profissional e já contamos com um curso de jardinagem e curso de calceteiro artístico como forma de dar um diploma a esses jovens para que possam integrar-se rapidamente no mercado de trabalho. Nós discutimos com as empresas no sentido de criar facilidades para melhor integração dessa juventude que é a nossa grande preocupação. Nós temos discutido com o sr. ministro do Ambiente do Ordenamento do Território no sentido de juntos, tanto o governo como a Câmara, lutarmos para reduzir essa taxa que é altíssima…

 

Que se situa à volta dos 18 por cento.

Os números apresentados são 18 por cento, mas nós sabemos que a nível real, na juventude, ultrapassa os 50 por cento em São Vicente que é a ilha onde o desemprego é mais alto.

 

Mindelo está a ser conhecida como a Cidade dos Eventos. O que tem feito a Câmara para potenciar essa oferta?

A Câmara tem feito um esforço muito grande para através da Cultura (porque basicamente Mindelo é a Cidade da Cultura) criar durante o ano vários eventos que potencializem a própria economia da ilha. Nós começamos pelo Fim do Ano. A Câmara investe financeiramente fortemente nas actividades do fim de ano: o fogo-de-artifício, que é extremamente caro, bailes na Rua de Lisboa e uma série de actividades que potencializam a vinda de turistas; o nosso Carnaval; o Março, Mês de Teatro e o Minde-lact, no mês de Setembro; o festival da Baía das Gatas e o Fórum Artesanato, no mês de Novembro. Ou seja, nós tentamos criar eventos durante todo o ano para garantir algum movimento para minimizar o desemprego, porque estas actividades absorvem mão-de-obra. Aquilo que nós estamos querendo é dar muito mais força a esses eventos e possivelmente criar outros eventos durante o ano e promover pelo menos de dois em dois meses ou de três em três meses um grande evento que faça com que a ilha tenha actividades constantes. Isso é que é o nosso propósito para os próximos anos.

 

A Praia recebeu há dias de uma assentada três cruzeiros. Quer dizer, só nos três primeiros meses deste ano o Porto da Praia já recebeu mais turistas do que em todo o ano de 2012. Estes eventos não deveriam atrair mais turistas também para Mindelo?

São Vicente recebe quase todos os dias um ou dois barcos com Mindelo turistas. Mas aqui são os operadores turísticos que devem dinamizar com mais força essa afluência e compete à Câmara Municipal e às outras instituições criar condições para que os turistas se sintam bem recebidos em São Vicente.

 

Falta uma agenda para o turismo de cruzeiro

 

Agora falta alguma coisa como actividades de Carnaval, música, etc. Embora os operadores tentem fazer alguma coisa isolada, acho que necessitamos de um caderno, de uma agenda para esse tipo de actividades que é o turismo de cruzeiro. Falta alguma coisa. Falta sentarmos todos e cada um, com a sua quota-parte, fazer com que São Vicente a nível do turismo de cruzeiro e de congressos tenha uma grande procura.

 

Mindelo alberga também alguns estabelecimentos de ensino superior, estando em vias de se tornar uma cidade universitária. O que faz a Câmara para facilitar a vida dos estudantes?

Hoje temos quatro ou cinco universidades em São Vicente: a Uni-CV, a Universidade do Mindelo, a Lusófona, temos o ISCEE e Jean Piaget. Essas universidades têm não só alunos de São Vicente como de Santo Antão, de São Nicolau, e da Boa Vista e isso dinamiza bastante a ilha. E a Câmara tem tido encontros com as universidades no sentido de facilitar também para que possam desempenhar melhor essa grande tarefa que é a formação dos nossos jovens. A Câmara tem mesmo um vasto leque de estudantes a quem damos bolsas e tem acordos com quase todas as universidades. Sem o acordo de vinte ou cinquenta por cento de descontos seria extremamente difícil nós fazermos esse tipo de trabalho.

 

Numa entrevista concedida em 2011 falava de um grande desafio a concretizar que era resolver a situação das casas de lata em São Vicente. Falta ainda muito para resolver essa questão?

Tem sido um grande desafio da Câmara Municipal. Temos vindo a trabalhar estrategicamente a nível de zonas. Já há várias zonas onde a Câmara concebeu um plano detalhado, atribuímos lotes a pessoas com casas de lata, atribuímos projectos-tipo a essas pessoas e estamos à procura de programas e de financiamento para ajuda-las a fazer as suas casas. Já fizemos isso em vários bairros e vamos dando continuidade nos bairros onde existe maior proliferação de casas de lata. O nosso grande combate, neste momento, é isso. Mesmo as casas que vamos demolindo, nós atribuímos aos seus donos um lote organizado, onde haja estrada, onde haja saneamento, condições de ligação eléctrica e onde haja condições de infraestruturas mínimas.

 

Quais são os seus grandes desafios até o final deste mandato?

Temos alguns grandes desafios. Dar continuidade à política de acessibilidade e de melhoria das condições desportivas na ilha.

 

Construção do Estádio Municipal

O nosso grande desafio é ter o nosso grande Estádio Municipal. Estamos a trabalhar agora nos projectos. Talvez tenhamos de discutir isso com o governo, porque irá ser um Estádio Municipal à altura de São Vicente que é uma ilha muito forte a nível do Desporto. A nível da Cultura iremos continuar a potencializar os vários eventos que temos em todas as vertentes. E vamos seguir melhorando a qualidade de vida da população através da construção de mais habitações sociais e ligação à rede de esgotos e, junto à Electra, fazer chegar a torneira e luz eléctrica a todas as casas.

 

Construção do acesso norte ameaça praia da Laginha

 

A Câmara Municipal mantém a sua posição contra a construção do acesso norte ao Porto Grande, ou já descortina vantagens para a ilha?

A Câmara Municipal posicionou-se sobre este projecto há mais de um ano. Fomos à comunicação social e demonstramos que essa obra ameaçava a praia da Laginha e ameaçava o ambiente. Isso era claro e é claro ainda. Obviamente que esse empreendimento irá trazer mão-de-obra e crescimento, porque é um investimento grande. Por isso nós achamos que essa questão devia ser discutida mais em pormenor com a autarquia e com as autoridades locais. Acho também que se deveria fazer os estudos que nós exigimos. Aquilo que se exigiu há muito tempo eram estudos do impacto ambiental e da corrente. Só agora estão a preocupar-se com essas coisas e então mostrou-se difícil, porque qualquer obra dessa envergadura nessa zona de certeza que afecta a Laginha, porque já foi ameaçada e continua a sê-lo com a CABNAVE. Também já foi afectada com a primeira terra pleno que se fez há já alguns anos e nós não queríamos realmente que a Laginha fosse mais afectada. Neste momento o que se deve fazer é continuar a discutir com as autoridades sobre a obra e fazer realmente com que a praia e o ambiente sejam salvaguardados porque temos lá espécies raras que devem ser preservadas e ver o que fazer para que a população são-vicentina tenha algum benefício dessa obra: não só da obra em si e dos postos de trabalho, mas também no sentido de remodelar uma ou outra praia para termos alternativas. É isso que estamos a discutir com o dono da obra e empreiteiro para que possamos ultrapassar essa situação. É um investimento altíssimo e obviamente que todo o investimento para uma ilha é importante. Agora temos que fazer o que tem que ser feito e faz-se melhor quando todas as partes são convidadas a discutir o projecto.

 

Um dos aspectos positivos do projecto, além dos outros que já mencionou, é a melhoria da circulação na cidade.

Uma das vantagens é a de melhorar a Avenida Marginal. Já discutimos isso com o sr. ministro do Ambiente no sentido de o projecto poder melhor a acessibilidade a nível da Avenida Marginal. Isso seria realmente um grande ganho para a cidade, mas toda a obra tem os seus impactos e nós temos que fazer estudos para reduzir ao máximo os impactos negativos que elas podem trazer principalmente quando uma obra se faz no mar. Trata-se de uma das baías mais bonitas do mundo. Eu acho que se devia estudar com muito mais gente essas coisas antes de se pensar em grandes investimentos nessa área.

 

Ao que consta os estudos de impacto ambiental feitos em Cabo Verde deixam muito a desejar. Como avalia o estudo feito?

Não sei se fizeram um estudo ou não fizeram. Tivemos um estudo que falava da corrente das águas do mar. Do impacto ambiental propriamente dito não tivemos acesso ao estudo, se é que foi feito. Não se sabe. Por isso eu acho que são questões que deviam ser discutidas, planificadas, aprofundadas e realmente evitava-se todo o problema que houve à volta do projecto.

  1. Fonte Segura

    Casas como as de Chã de Vital, Dr Augusto. Salarios dos Funcionários da Câmara Municipal congelados, porque já não tem crédito em nenhuma instituição bancária, situação financeira da Câmara Municipal caótica, enfim… Já é hora de dizer a população a verdade, a real situação da nossa Câmara Municipal, ou seja diga aos mindelenses que a situação figura-se como uma BOMBA RELÓGIO, a explodir a qualquer instante. Fonte segura.

  2. Silvina

    Augusto fala dos eventos culturais como se ele tivesse criado alguma coisa!!! MEUS SR. ATE ENTÃO O SR NADA FEZ NO ÂMBITO DA CULTURA, TUDO O QUE A ILHA TEM O JA EXISTIA ANTES DE SI!!! FOGO-DE ARTIFICIO NO FIM D ANO FOI CRIAÇÃO DE ISAURA GOMES, MINDELACT Ñ É SEU MAS SIM D ASSOCIAÇÃO MINDELACT, CARNAVAL E FESTIVAL TAMBÉM ENCONTROU. O SR E VEREADOR D CULTURA LÉLIS NADA PERCEBEM DE CULTURA, Ñ TEM AGENDA PARA O MESMO, Ñ TEM CRIATIVIDADE NEHNUMA!!!

  3. POR São Vicente

    Vê mas é se começa a fazer alguma coisa de jeito sr augusto pke ainda não se viu nada entrou e até agora nada deixa de fazer seróes na loja do Tito no monte sossego e comece a trabalhar com os seus compinxas de copos

  4. soncente

    FESTIVAL DE CERVEJA LA NA LOJA DO TITO EM MONTE SOSSEGO, ANO INTEIRO, REALMENTE MUITA CERVEJA JA SE FOI.

Os comentários estão fechados.

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