Uma “guerra virtual” no Facebook de Cristiano Ronaldo

24/03/2013 19:41 - Modificado em 24/03/2013 19:41
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fb ronaldoUma foto que Cristiano Ronaldo colocou na sua página de Facebook, ao lado de outros jogadores da selecção de Portugal – Silvio, Pepe e Miguel Veloso – na véspera do jogo com Israel, desencadeou o que o jornal hebraico Ha’aretz descreveu como “uma guerra virtual no Médio Oriente”.

 

Até à hora em que esta notícia foi escrita, mais de 300 mil pessoas “gostaram” da imagem na página de Facebook de Cristiano Ronaldo, mais de 55 mil comentaram e mais de dez mil partilharam-na nos seus murais, mas a legenda, em inglês, “Great morning in Israel with my colleagues” (Grande manhã em Israel com os meus colegas) motivou uma reacção virulenta por parte dos fãs palestinianos.

 

Alguns deram-se ao trabalho de escrever centenas de vezes: “Palestina”, seguida do símbolo de um coração. “Sou da Palestina. Amo-te Ronaldo. Diz que estás na Palestina ocupada, no lugar dos meus antepassados”, pediu outro, gerando o aplauso de 600 seguidores do jogador. Outro, mais indignado, incitou: “Vai para casa Ronaldo, és um bêbado. Isto é PALESTINA!” Mais afável, alguém identificado como Ahmed Alraei deixou esta mensagem: “Liberdade para a Palestina. Bem-vindo à Palestina CR7.”

 

Em Novembro de 2012, o jogador que se transferiu do Manchester United para o Real Madrid por 93,9 milhões de euros deixara exultantes os palestinianos quando decidiu doar 1,5 milhões a crianças e escolas na Faixa de Gaza, depois de ter ganho uma Bota de Ouro, leiloada pela fundação do clube espanhol. Já em 2010, o madeirense que iniciou a carreira no Sporting vendera uma grande parte do seu calçado desportivo para financiar escolas no território fronteiriço com o Egipto e governado pelo movimento islâmico Hamas, onde nada ou ninguém entra sem autorização de Israel.

 

Quanto aos fãs israelitas, reagiram igualmente, talvez mais aos comentários dos palestinianos do que à foto da polémica. “Isto é ISRAEL e não Palestina”, sublinhou um. Outro desafiou: “O que é a Palestina? Isto é Israel!” Sem tomar partido, Mark Pik interveio para sossegar os ânimos, com esta observação: “Não creio que ele tenha querido iniciar um debate político.”

 

Não desistir da paz

É significativo que todo este fervor tenha coincidido com a visita do Presidente dos Estados Unidos – quase tão (ou menos) popular do que Ronaldo e ambos guardados por dezenas de guarda-costas. Num centro de congressos repleto de jovens, Barack Obama fez um discurso, unanimamente considerado brilhante, apelando a israelitas e palestinianos que não desistam da paz, não obstante os sacrifícios que ambos têm de fazer para viabilizar a solução de dois Estados.

 

O jogo da selecção decorreu no Estádio Nacional de Ramat Gan – os mais de 40.000 lugares estavam ocupados –, uma cidade nos arredores de Telavive criada por judeus sionistas em 1921 – antes da declaração de independência do Estado de Israel em 1948. Começou por ser uma moshava, comuna agrícola e, hoje, é um dos maiores centros mundiais de comércio de diamantes e de indústrias de alta tecnologia.

 

Com a foto que gerou controvérsia no Facebook, o avançado que em 60 partidas, nesta temporada ao serviço da equipa dirigida por José Mourinho, marcou 50 golos, obteve mais publicidade do que imaginava. Como notou o Ha’aretz, o novo videojogo em que CR7 é protagonista, e que começou a ser promovido no mesmo dia, não chegou aos 40 mil “gostos”.

 

Lançado a nível mundial pela Digital Artists Entertainment e desenvolvido pela Biodroid em Portugal, recorrendo a tecnologia de captura de movimentos (em que os movimentos do jogador foram registados e posteriormente usados para animar a personagem digital), Cristiano Ronaldo Freestyle está disponível para telemóvel, do iPhone a smartphones Android. A aplicação, com cinco modos de jogo e 26 desafios, custa 2,39 euros. Os truques e habilidades atléticas e acrobáticas com a bola decorrem em seis locais distintos, desde Inglaterra ao Japão, até ao espaço do LX-Factory em Lisboa.

 

Notícia corrigida às 17h56. Retirado o parágrafo em que dizia que Cristiano Ronaldo teria escrito no Facebook que ofereceria 670 bilhetes a quem pusesse “gosto” naquela foto. Segundo a PolarisSports, empresa da Gestifute, que gere a imagem do Cristiano Ronaldo, essa informação estará num perfil do Facebook que é falso e que não é o oficial do jogador. Corrigido o termo motion picture. A tecnologia usada é a da captura de movimentos (motion capture, em inglês).

 

 

publico.pt

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