Quem levantou no BCA os 8 mil contos da peixeira que ganhou 32 mil contos?

4/04/2012 01:05 - Modificado em 4/04/2012 01:05
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Outra pista seguida foi em direcção ao indivíduo que se chama Olademir Conceição da Cruz, a quem o cheque foi endossado. Mas, este defende-se afirmando que o seu Bilhete de Identidade foi roubado e que não foi ele quem fez o levantamento. Mas, de acordo com a cópia do cheque que tivemos acesso “alguém “ no dia 4 de Setembro de 2006 pelas 12 h e 33m recebeu do caixa BLopes, na Agência do BCA, na rua de Lisboa, a quantia de oito mil contos.

 

O NN apurou que as autoridades judiciais estão a desencadear diligências para que o processo chegue a um juiz para enfim se esclarecer o mistério do desaparecimento dos 8 mil contos da conta da vendedora de peixe que ganhou 32 mil contos no Totoloto em 2006. Visto que no dia 4 de Setembro de 2006, um suposto individuo de nome Olademir Conceição da Cruz levantou o valor de 8 mil contos da conta de Maria Ramos através de um cheque com a assinatura do filho da peixeira. Por outro lado o cheque possui a assinatura de um funcionário da Agência do BCA, BLopes e que confirma que o valor foi entregue às 12h33 min. Porém apuramos que as autoridades criminais conseguiram provas através de testes de caligrafia realizados no exterior que não foi o filho de Maria Ramos que assinou o cheque. E que o suposto individuo de nome Olademir Cruz afirmou a PJ que alguém lhe roubou o seu BI para levantar esse cheque. Mistério ou uma história que continua mal contada?

 

Mas, as autoridades judiciais têm indícios para seguir várias pistas. E parece que seguem a linha de investigação que o cheque pode ter sido roubado da casa da titular da conta e que depois imitaram a assinatura do filho. Isto, porque Maria Ramos não sabe escrever e assinatura autorizada era apenas a do filho. O exame grafotécnico que a PJ mandou realizar, na assinatura do cheque de 8 mil contos, mostrou que a assinatura do filho de Maria foi falsificada.

 

Procedimentos e lei lavagem de capitais

 

O NN não conseguiu apurar se há seis anos atrás o caixa BLopes seguiu os procedimentos em vigor no BCA para o levantamento de quantias elevadas. Nestes casos, segundo bancários que nos deram informações, e tendo em conta que estávamos em 2006 e a lei de lavagem de capitais ainda não estava em vigor, o procedimento seria “ chamar o gerente ou o subgerente para darem um tratamento personalizado ao levantamento. E normalmente tentamos convencer o cliente a colocar o dinheiro numa conta. Tentamos fazer tudo para que ele não levante uma quantia tão elevada. Mas se insistir em levantar o dinheiro, fazemos o desconto do cheque”. Hoje com a lei de lavagem de capitais não seria possível o levantamento de mais de mil contos por dia. Um valor superior implica à informação ao Banco Central.

 

Mas neste ponto uma coisa é certa: não foi a dona Maria que levantou o dinheiro da sua conta. Alguém falsificou a assinatura do filho para movimentar a conta. Alguém levantou oito mil contos da sua conta. Não se sabe se o BCA cumpriu com todos os procedimentos que devem suportar o levantamento de quantias elevadas. Uma coisa é certa: a vendedora de peixe, até ao momento, é vítima: roubaram-lhe oito mil contos da sua conta no BCA. Roubo esse que fez com que a peixeira movesse-se uma queixa contra o BCA para reaver o seu dinheiro. Por seu lado o BCA moveu uma queixa acusando Maria Ramos de injúria e ameaça. Mas que foi arquivada porque após a audição das testemunhas ficou provado que a peixeira apenas dirigiu-se a da Agência do BCA na rua de Lisboa para reclamar o seu dinheiro.

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