Porque é que as pessoas procuram as Igrejas: Lavínio do tráfico de drogas à fé

20/03/2013 00:12 - Modificado em 20/03/2013 00:12
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ReligiãoA história das religiões em Cabo Verde remonta ao longínquo século XV. Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo de religiões, outros diriam seitas, que têm atraído cada vez mais fiéis. Numa tentativa de entender o que leva as pessoas para as igrejas e o que buscam nas diferentes crenças, o NN fez uma série de reportagens sobre as religiões.

 

Nesta primeira reportagem, falamos sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. Afinal, porque é que as pessoas continuam a procurar as igrejas?

 

Um lugar para se sentir bem

“Antes vinha por causa do meu pai que me obrigava, mas comecei a ter uma curiosidade sobre a igreja”, relembra Éder Delgado, 22 anos, que assiste aos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus, IURD, desde os 14 anos, mas há seis meses que leva a IURD “mais a sério”. O que começou com uma imposição por parte do pai, hoje é para Éder o centro da sua vida. Com uma vida religiosa activa e com participação nas actividades diárias.

A convivência entre os membros é um ponto de referência para que eles se possam sentir bem-vindos e ambientarem-se no primeiro contacto. Esse mesmo convívio é um dos motivos que leva os membros a regressarem constantemente à igreja. Mas este não é o único motivo. A procura de uma vida mais calma e estável longe de problemas é outro dos motivos com que muitos procuram a igreja, numa tentativa de mudar de vida.

Lavínio Pires encontrou na sua fé, uma fuga para os problemas. Era membro da IURD, mas com as dificuldades da vida como a falta de trabalho, procurou no consumo e na venda de drogas uma forma de vida, como conta. Mas decidiu voltar para reconquistar o que tinha perdido como a mulher e os filhos. “A minha vida está diferente; a minha mulher e os filhos abandonaram-me e agora que me viram a entrar na igreja outra vez, voltaram para mim”, revela Lavínio.

Problemas com drogas são um dos problemas recorrentes em muitos jovens que procuram a crença como forma de vencer o vício. Hoje como pastor, Hélder Gomes, relembra o seu passado de drogas e outros vícios mas, ao encontrar a sua crença actual sentiu que tinha algo a mais e que valeria a pena abraçar. E hoje, ele trabalha com a juventude tentando ajudar outros jovens.

A procura da religião para estes jovens centra-se essencialmente em buscar algo de melhor para a vida. “Uma vida com sentido e direcção”, como diz Lavínio. À procura do mesmo, Davidson conta que o desejo de algo a mais levou-o a ir para a IURD. Com um passado difícil, como conta, por ter crescido em casas de acolhimento de jovens e por ter levado uma vida à margem da lei, conseguiu encontrar o sossego que procurava. “Tinha muitos problemas e tinha gastrite crónica mas vi que fui curado”, diz Davidson. Esse mesmo milagre, como classifica, continua a ser um dos motivos com que tem votado a sua vida à religião.

 

Enfrentar todos pela religião

Apesar de muitos se sentirem felizes com a própria religião, contam que têm de lidar com a desaprovação de familiares e amigos pela escolha. “Na minha casa não gostam da igreja e dizem que ela é má, que não é lugar para ninguém e que só toma dinheiro”, revela Davidson acerca das críticas com que lida. No mesmo sentido Lavínio que lida com as mesmas críticas.

Mas estes fiéis agarram no sentimento que sentem e na sua fé para lidarem com as críticas e continuarem a viver a própria religião. “Se você não conheceu um fruto, não pode falar mal dele”, diz Lavínio sobre as críticas que diz não terem fundamento. E afinal, porque é que as pessoas continuam a procurar as igrejas? As respostas de Lavínio e de Davidson parecem não deixar dúvidas. A história e os testemunhos deles parecem indicar que as pessoas continuam a encontrar motivos e respostas aos seus problemas na fé e nos cultos religiosos.

 

 

 

 

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