Calote à portuguesa: Trabalhadores da Euroáfrica ficam com as mãos a abanar

20/03/2013 00:04 - Modificado em 20/03/2013 00:04
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maos vaziasOs trabalhadores da fábrica Euroáfrica comem o pão que o diabo amassou porque vivem em situação de penúria, trabalharam com fome e sem receberem os salários porque a empresa não arcou com as suas responsabilidades. Os responsáveis tomaram um chã de sumiço e nem com o recurso ao Tribunal os operários conseguem reaver o seu dinheiro.

 

Sem um sinal no fundo do túnel, o desespero continua a assombrar os funcionários que apenas exigem o seu salário para iniciarem uma vida nova. O colectivo composto por cerca de 190 trabalhadores da fábrica Euroáfrica, através do Sindicato da Indústria, Comércio e Serviços recorreu ao Tribunal de São Vicente para reaver o dinheiro que a fábrica deve aos operários.

 

O Sindicato da Indústria, Comércio e Serviços entregou uma acção judicial como forma de salvaguardar os interesses dos trabalhadores da Euroáfrica. Virtolino Castro, secretário permanente da SICS tinha afirmado que “queremos que a situação seja resolvida em tempo útil e breve para que cada operário receba o seu salário”.

 

Despacho judicial

 

O Tribunal de São Vicente analisou o processo com base nos factos descritos numa acção declarativa emergente de contrato de trabalho interposta pelo SICS e decidiu que os responsáveis da fábrica Euroáfrica, Amadeu e António Seabra teriam de pagar ao colectivo de trabalhadores uma indemnização no valor de 28.509.710 escudos pelos salários em dívida e subsídios de férias.

 

Mas o certo é que esta decisão não vem alterar a situação vivida pelos operários que estão no desemprego e à mercê da própria sorte. É que os responsáveis aplicaram um calote aos trabalhadores e tomaram um chã de sumiço para não arcarem com as suas responsabilidades.

 

Avaliação

 

Questionado sobre este assunto, Virtolino Castro afirma que “o problema que se põe é que a empresa deixou de existir em Cabo Verde. A Euroáfrica não possuía qualquer património em Cabo Verde que podia ser assacado para honrar os compromissos. Infelizmente, da análise que temos feito e que é uma realidade, não havendo bens em relação à empresa não há com que pagar a dívida os trabalhadores”.

 

O secretário permanente da SISC sublinha que o espaço onde funcionava a fábrica Euroáfrica não pertence à empresa responsável pela unidade fabril. Virtolino Castro assegura que os trabalhadores ficaram sem direito aos dois meses de salário em atraso e às compensações que por lei têm direito e equivale ao valor presente no despacho do Tribunal.

 

Virtolino Castro conclui dizendo que “os trabalhadores vivem dias de angústia ao saberem que trabalharam e não há com que pagar os trabalhos prestados e tão pouco as compensações”

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