Facebook lança loja de aplicações com olho nos dispositivos móveis

13/05/2012 11:00 - Modificado em 13/05/2012 11:00
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O Facebook vai lançar “nas próximas semanas” uma loja de aplicações que permitirá, pela primeira vez, comprar aplicações para usar dentro da rede social, mas que serve também para descobrir aplicações para usar noutras plataformas que não o site.

O site já é conhecido pelas muitas aplicações disponíveis, que vão de jogos a notícias, mas o App Center vai centralizá-las, facilitando a instalação por parte dos utilizadores e servindo de montra para quem as desenvolve.

As aplicações que já existem no Facebook podem cobrar por compras feitas dentro da própria aplicação (por exemplo, de funcionalidades extra), mas a aplicação em si é obrigatoriamente gratuita. Quando surgirem as aplicações pagas, o Facebook vai reter 30% da receita de venda.

O App Center vai estar acessível tanto a partir do site do Facebook (nas versões para computador e para telemóveis) e ainda dentro da aplicação do Facebook para smartphones etablets.

Porém, no caso dos acessos a partir de dispositivos móveis, o App Center funciona apenas como uma montra para aplicações móveis já existentes noutras lojas. O utilizador vê a lista de aplicações compatíveis com o aparelho que está a usar e é encaminhado para a loja correspondente: a App Store, no caso dos aparelhos da Apple, ou o Google Play, para os Android. O objectivo, diz a empresa, é “aumentar as aplicações que usam o Facebook”.

As melhores aplicações – de acordo com uma avaliação que recorre a várias métricas, entre as quais interacção dos utilizadores e notas atribuídas por estes – vão ser colocadas em destaque no App Center.

O anúncio desta nova fonte de receitas surge na altura em que a empresa está em pleno circuito de apresentações e reuniões com potenciais investidores, como preparação para a oferta pública de venda, que se adivinha de enormes dimensões e que, ao preço pedido pelas acções, poderá, no melhor cenário, valorizar o Facebook em 96 mil milhões de dólares.

Uma das preocupações que potenciais investidores têm mostrado em relação ao negócio por trás da rede social, que tem 900 milhões de utilizadores registados, é precisamente a pouca rentabilidade dos acessos móveis.

Num documento entregue ao regulador americano como parte das formalidades de entrada em bolsa, o Facebook admitiu “não gerar actualmente nenhumas receitas significativas a partir dos produtos móveis”, admitindo ainda que a “capacidade para o fazer com sucesso ainda está por provar”.

O uso do Facebook em dispositivos móveis, aliás, fez baixar o rácio de anúncios mostrados a utilizadores e a empresa admite estar à procura de soluções para o problema. No tipo de linguagem que tipicamente não aparece nos anúncios da empresa, mas que é necessária nos documentos legais como escudo para evitar queixas por ter induzido investidores em erro, a empresa explicita: “Se os utilizadores acederem cada vez mais aos produtos móveis do Facebook em substituição do acesso a partir de computadores pessoais, e se nós não formos capazes de implementar com sucesso estratégias de rentabilização dos nossos utilizadores móveis, ou se incorrermos em despesas excessivas neste esforço, o nosso desempenho financeiro e a nossa capacidade para aumentar as receitas serão afectados negativamente”.

Ter transformado o Facebook numa plataforma aberta à disponibilização de aplicações foi uma das razões de sucesso da rede, permitindo ganhar a dianteira face ao MySpace. As aplicações acabaram por se tornar uma importante fonte de receitas – só os jogos da Zynga (a empresa criadora de títulos como o FarmVille, onde os jogadores podem gastar dinheiro real para comprar produtos virtuais) representaram no ano passado 12% das receitas do site.

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