Agente duplo traiu Al-Qaeda e evitou atentado em avião americano

10/05/2012 07:49 - Modificado em 10/05/2012 10:35
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O atentado à bomba que os serviços secretos norte-americanos travaram no Iémen, de acordo com o que foi anunciado pela própria CIA na terça-feira, foi uma missão entregue a um agente duplo que a agência inflitrara na Al-Qaeda. Dessa forma, a tentativa de ataque a um avião americano foi desmascarada a tempo.

 

A agência noticiosa francesa AFP, que cita diferentes informações divulgadas na imprensa e na televisão norte-americana, descreve o caso como um “cenário digno de Hollywood”: a missão suicida, que implicava levar explosivos na roupa interior e detonar a carga num avião norte-americano, foi entregue por aquela organização terrorista a um voluntário que, afinal, trabalhava como informador para os americanos.

 

A revelação da existência daquele agente duplo na célula terrorista no Iémen foi, porém, julgada “infeliz” pelo presidente do comité de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes, Peter King.

 

Em declarações à CNN, King considerou “mesmo muito infeliz que a informação tenha sido tornada pública porque pode interferir com uma série de operações no estrangeiro”, defendeu, expressando receio de que missões similares possam estar agora comprometidas em outros países onde os Estados Unidos combatem o terrorismo organizado. “Creio que será lançada uma investigação de fundo a este caso, por essa mesma razão”, avançou ainda Peter King.

 

O atentado fora encomendado pela Al-Qaeda exactamente um ano após a morte de Osama bin Laden, morto no Paquistão, por militares norte-americanos, numa missão secreta. Utilizando um esquema semelhante ao utilizado pelo chamado “bombista das cuecas” – que tentou um atentado contra um avião civil norte-americano no Dia de Natal de 2009 –, a rede terrorista tentou, através da sua célula no Iémen, repetir um ataque que, porém, esbarrou no voluntário que se ofereceu para levar a cabo a missão.

 

Em Inglaterra, a BBC refere que o agente duplo é um saudita que convenceu a Al-Qaeda de que era o homem certo mas que acabou por entregar o engenho explosivo às autoridades norte-americanas, que assim terão evitado o atentado. O jornal The New York Times refere que o informador se encontra neste momento “a salvo” na Arábia Saudita, ao passo que o FBI está agora a estudar o engenho explosivo, que tem sido descrito como uma “versão mais sofisticada” daquele que teria sido usado pelo “bombista das cuecas” em 2009.

 

Fontes não identificadas da Administração norte-americana citadas pelo jornal espanhol El País referem, por seu lado, que o mesmo agente saudita que denunciou a conspiração contra o avião norte-americano foi quem passou aos Estados Unidos as informações relevantes que conduziram ao ataque que matou um líder da Al-Qaeda no Iémen, Fahd Mohammed Ahmed al-Quso, no início desta semana.

 

Diferentes descrições do engenho agora interceptado dizem que teria sido difícil de detectar, mesmo com apertadas verificações de segurança, segundo fontes das autoridades norte-americanas que estão a analisar a bomba. É um explosivo metálico colocado dentro de umas cuecas desenhadas à medida do portador e que dispõe de dois detonadores – ao contrário da bomba que o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab não conseguiu detonar no Natal de 2009, numa missão que lhe tinha sido confiada também pela Al-Qaeda no Iémen.


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