Dois ataques em Damasco fazem “dezenas de vítimas”

10/05/2012 07:46 - Modificado em 10/05/2012 07:46
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Dois ataques terroristas quase simultâneos levados a cabo nesta quinta-feira na capital síria provocaram um número ainda indeterminado de vítimas. Agências internacionais citam a televisão estatal síria, que refere haver “dezenas de vítimas, entre mortos e feridos” e divulgam imagens que mostram um cenário de destruição.

A televisão estatal síria acrescenta que os ataques perpetrados por “terroristas”, junto a uma via rápida na zona de Qazzaz, onde se situa um complexo dos serviços secretos sírios, pelas 8h locais (menos duas horas em Portugal continental), causaram dezenas de mortos e feridos, todos “civis”.

Por seu lado, o Observatório Sírio dos Direitos do Homem (organização não-governamental, com sede em Londres) afirma que as duas explosões – uma das quais provocada com um carro armadilhado – tiveram como alvo um centro de informações e causaram vítimas, sem, no entanto, avançar para já mais detalhes.

Segundo a agência de notícias francesa AFP, várias viaturas civis ficaram destruídas e as fachadas de alguns edifícios ficaram danificadas. As explosões fizeram uma cratera de três metros de profundidade no chão e o fumo é visível a quilómetros de distância.

O último atentado com vítimas mortais registado em Damasco foi a 27 de Abril: 11 pessoas morreram na sequência de um atentado suicida, perto de uma mesquita.

O regime do Presidente Bashar al-Assad enfrenta há 14 meses uma revolta popular, sendo que 12 mil pessoas já morreram, a maioria civis, segundo os números do observatório sírio sediado em Londres, reconhecidos pelas Nações Unidas.

Estes novos ataques surgem numa altura em que são cada vez mais prementes os avisos de o país resvalar para uma guerra civil aberta, na esteira das repetidas violações do cessar-fogo formalmente instaurado a 12 de Abril passado, segundo o plano de pacificação mediado com o regime sírio pelo enviado da ONU e Liga Árabe, Kofi Annan.

O alerta mais recente veio mesmo do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ontem, após o ataque feito contra uma caravana dos observadores internacionais, liderada pelo chefe da missão, o general norueguês Robert Mood. Perante a Assembleia Geral da Onu, Ban KI-moon disse temer o eclodir de uma guerra civil “de grande envergadura e de efeitos catastróficos na Síria e toda a região” se a violência não cessar. Horas antes Annan expressara-se “profundamente preocupado” por ver a Síria “mergulhar numa guerra civil total”.

Mas o Presidente Assad continua a recusar reconhecer a revolta popular que tem em mãos, acrescida de numerosas deserções do exército para o lado da oposição, e mantém antes que o seu regime está a enfrentar ataques de “grupos terroristas armados” na violência que se arrasta no país desde Março do ano passado.

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