Mais de 200 cardeais estão reunidos no Vaticano

4/03/2013 11:52 - Modificado em 4/03/2013 11:52
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Pelas 10h00 desta segunda-feira os cardeais iniciaram a primeira das congregações previstas para a preparação do conclave que irá escolher o próximo Papa, depois da renúncia de Bento XVI, em Fevereiro. Para participar nos preparativos do processo de eleição, o cardeal Angelo Sodano, chamou ao Vaticano os 207 cardeais que compõem o Colégio Cardinalício. Será de uma destas congregações que sairá a data para o início do conclave.

VaticanoOs mais de 200 cardeais presentes na primeira congregação, que conta com a participação dos cardeais com mais de 80 anos mas que não serão eleitores e elegíveis no conclave – Portugal está representado por D. José Policarpo, D. Manuel Monteiro e D. José Saraiva Martins (não estará no conclave) – , voltam a reunir-se pelas 17h00, mais uma vez na sala do Sínodo dos Bispos.

 

Entre esta segunda e terça-feira, deverão ser tomadas decisões práticas com vista à realização do conclave na Capela Sistina, bem como analisadas questões relacionadas com a direcção da Igreja Católica. O que se passará nas congregações não será do domínio público, já que as reuniões decorrem à porta fechada.

 

As primeiras congregações, presididas pelo cardeal Angelo Sodano, decorrem depois da renúncia de Bento XVI, agora Papa emérito, e quando a Igreja Católica se encontra em sede vacante, ou seja, sem ninguém sentado na cadeira de São Pedro. Os encontros acontecem depois de uma série de escândalos recentes que envolvem cardeais ou pessoal com funções de destaque no Vaticano. Neste último caso, o mais conhecido envolve o mordomo do Papa Bento XVI, Paolo Gabriele, acusado e condenado por roubo de documentos oficiais do Vaticano. O caso ficaria conhecido como Vatileaks. Além do mordomo, também o informático da secretaria de Estado, Claudio Sciarpelletti, foi acusado no mesmo processo por cumplicidade.

 

Outro dos casos polémicos qua acompanham o arranque das congregações é a existência de um suposto lobby gay na Igreja Católica. No passado dia 22 de Fevereiro, o jornal italiano La Repubblica associava a renúncia de Bento XVI a um relatório com referências à exposição da Igreja à chantagem e extorsão por práticas homossexuais. O relatório a que o ainda Papa na altura terá tido acesso surgiu no âmbito das investigações ao caso Vatileaks.

 

Mais recentemente, no dia 25 de Fevereiro, o cardeal Keith O’Brien, que detinha o mais alto cargo da Igreja Católica no Reino Unido, demitiu-se depois do seu nome ter sido envolvido num caso de alegados abusos sexuais. Este domingo, o cardeal confirmou que não estará presente no conclave depois de ter sido acusado de “actos impróprios”. Keith O’Brien, citado pela BBC, admitiu que a sua conduta sexual assumiu, em tempos, padrões que o próprio considerou inaceitáveis, pedindo, por isso, desculpas a “todos os que tinha ofendido”.

 

Na primeira congregação não estarão, assim, presentes todos os cardeais, que terão que justificar a sua ausência com problemas de saúde ou por razões de força maior. Só quando estiverem no Vaticano todos os 117 cardeais eleitores é que poderá ser votada a data para o início do conclave. Este será o primeiro conclave para pelo menos 67 destes cardeais.

 

À chegada ao Vaticano, o cardeal patriarca de Paris, André Vingt-Trois, escolheu o momento em que esteve com jornalistas para falar do que gostava de ver no futuro Papa. O cardeal, que considera que o sucessor de Bento XVI deverá começar as suas funções por confrontar os problemas que actualmente mais afectam a Cúria, sublinha que “será tomado todo o tempo considerado necessário para determinar qual o Papa de que temos necessidade”. “Gostaria que fosse poliglota, um homem de fé, de diálogo. Poderá ser jovem, mas não obrigatoriamente”, defendeu citado pela AFP.

 

Para o cardeal de Washigton, Donald Wuerl, que falava também em Roma, além das questões polémicas que envolvem a Igreja, a “verdadeira prioridade do próximo conclave é escolher o Papa que irá lidar com estas questões”. “Se há problemas internos no Vaticano, problemas administrativos no Vaticano, isso terá que ser resolvido. Mas certamente não irá condicionar a forma como vou olhar para quem irá guiar e liderar a Igreja nos próximos anos”, concluiu o cardeal de norte-americano.

 

 

 

publico.pt

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