“Há vida depois da crise”, declara Mariano Rajoy

21/02/2013 23:53 - Modificado em 21/02/2013 23:53
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Sem surpresas, o segundo e último dia do debate do Estado da Nação em Espanha fica marcado pelos dois temas que têm dominado a actualidade do país nos últimos tempos: economia e corrupção. O presidente do Governo, Mariano Rajoy, quis deixar uma mensagem de esperança, repetindo a ideia de que “há vida depois da crise”.

 

Em resposta às críticas dos representantes da oposição, Rajoy encheu o discurso com frases encorajadoras, num reforço da defesa das políticas do seu executivo para combater a crise. O presidente do Governo afirmou que o país encontra-se “no prelúdio de um futuro melhor” e mostrou-se confiante de que “em breve haverá uma recuperação económica”. Depois, resumiu toda a sua estratégia de defesa perante a oposição numa única frase: “Não se pode estender uma capa de pessimismo sobre a economia espanhola.”

 

Rajoy reconheceu que uma grande parte do povo espanhol não concorda com as medidas do seu Governo, mas atribui esse facto à incompreensão dos cidadãos. “Esse é um dos meus tormentos”, afirmou.

 

Mais uma vez, o debate do Estado da Nação foi dominado pelo tema da corrupção. Às críticas dos partidos da oposição, o Partido Popular (PP) respondeu com a ideia de que o melhor para Espanha é passar uma borracha sobre o passado e preparar o futuro.

 

Alfonso Alonso, porta-voz do PP na câmara baixa do Parlamento, admitiu que “faltaram e falharam controlos e houve um relaxamento da exigência ética”, embora sem nunca mencionar o caso de contabilidade paralela que envolve o seu partido. Em vez disso, Alonso lembrou as propostas contra a corrupção apresentadas na quarta-feira pelo presidente do Governo, Mariano Rajoy: “Temos uma oportunidade única para mostrar que a política é um espelho de valores nos quais se baseia a sociedade espanhola.”

 

Ainda assim, o porta-voz do PP admitiu que o seu partido manteve, “infelizmente”, uma ligação longa de mais com Luis Bárcenas, o ex-tesoureiro envolvido no escândalo de contabilidade paralela. Foi ainda mais longe, afirmando que, “perante os resultados, teria sido melhor que essa relação não tivesse existido”.

 

Antes destas declarações do porta-voz do PP, o presidente do Governo, Mariano Rajoy, tinha deixado claro que não iria referir nomes. “Não vou mencionar ninguém, mas há anos que essas pessoas de que fala não exercem nenhuma responsabilidade no meu partido”, afirmou, numa resposta ao porta-voz do Partido Nacionalista Vasco, Aitor Esteban.

 

Luis Bárcenas constava da folha de ordenados do PP até há dois meses e Jesús Sepúlveda – o ex-alcaide de Pozuelo de Alarcón, também envolvido no caso Gürtel – foi despedido há duas semanas, embora nenhum dos dois exercesse já qualquer cargo de responsabilidade.

 

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