Severino pedinte numa cadeira de rodas :” não estou a roubar continuo a lutar pela vida”.

21/02/2013 02:18 - Modificado em 21/02/2013 02:18

Severino, mais um idoso da nossa sociedade que se encontra na cidade do Mindelo a lutar pela vida. Há vinte anos ficou numa cadeira de rodas e viu-se obrigado a pedir esmolas e conta com a bondade de uma residencial que lhe oferece almoço todos os dias.

 

No início, o Severino ficou um pouco reticente com a nossa entrevista, se calhar não acreditava que alguém estivesse a dar-lhe tanto tempo de atenção, visto que muitos passam por ele e não o vêem, disse ao nosso entrevistado. Contudo, a confiança estabeleceu-se e o Severino permite dar a conhecer o seu dia a dia.

O Severino conta ao NN que antes do incidente que o levou a ficar na cadeira de rodas era condutor de camião e tinha a vida como a maioria dos cabo-verdianos: “um dia de cada vez, lutava pelo meu ganha-pão”, diz Severino. Ele é um dos idosos do Mindelo por quem muitos mindelenses passam e que, se calhar, nem notam, visto que poderá ser considerado como “mais um tá pedi esmola”. Severino confessa que nunca pensou em se tornar num pedinte, mas a vida obrigou-o e fá-lo sem vergonha, como disse ao NN “não estou a roubar continuo a lutar pela vida”.

O Severino tenta responder a uma questão que poderia ser importante para o enquadramento da sua história de vida. Como foi parar o Severino na cadeira de rodas? Mas já lá vão vinte anos como disse ao nosso entrevistado emocionado ao se lembrar do tempo “em que tinha pernas como tu e andava” e adiantou que não gosta de lembrar e refere-se a esse momento trágico da sua vida, como incidente.

O porquê de estar na cadeira de rodas perde a importância perante o facto de um dos nossos idosos, que são muitos e que estão muitas vezes à porta da Igreja de Nossa Senhora da Luz,  a pedir esmola para sobreviver e, como agravante, numa cadeira de rodas. O Severino diz que mora na zona de Alto Companhia e para chegar ao seu posto de “trabalho”, as ruas do Mindelo, deveria precisar da ajuda de alguém para empurrar a cadeira mas, muitas vezes, faz isso sozinho. Adianta que “alguns rapazes me ajudam às vezes pedem-me 200 escudos para empurrar a cadeira”. Assim sendo, faz sem ajuda e conta ainda com a força dos seus braços, mas com muito cuidado, diz o Severino. Contudo, tem hora marcada para ir buscar o seu almoço na Residencial que faz um trabalho solidário todos os dias com o “nosso velho Severino”.

  1. santos rodrigues

    Conhece este senhor, faz parte dos grupos de benefeciarios que recebem a oferta do natal que a casa Tra-Noi da itália que envia todos os anos para S vicente. realmente precisa da nossa ajuda. Envie os meus parabens a este residencial que está a prestar esa grande solideriedade.

  2. Marcelina Lopes

    Será que os serviços sociais têm conhecimento da situação deste Senhor? Porque não atribuir-lhe uma pensão social à semelhança de muitas pessoas que vem usufruindo desse serviço?
    Louvado seja o benfeitor que vem ajudando o Sr. Severino e que muitos outros lhe sigam o exemplo.

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