Laginha, um canal Odisseia à porta das nossas casas

20/02/2013 00:15 - Modificado em 20/02/2013 00:24
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Praia da Laginha no Porto Grande do Mindelo, São Vicente, Arquipélago de Cabo Verde. Informações acerca da situação atual e dos prováveis efeitos do Projeto “Alargamento do terrapleno, construção da nova via de acesso na zona nordeste do porto grande & a construção de um esporão na zona da praia da Laginha”

Guilherme Mascarenhas

Licenciado em Engenharia Electrotécnica pela FCTUC e Mestre em Engenharia Electrotécnica pelo IST/UTL

Docente no DECM da Uni-CV, membro da direção do NER (www.ner.org.cv)

Mindelense, praticante de mergulho e frequentador assíduo da Laginha

guilherme.mascarenhas@docente.unicv.edu.cv / ner@ner.org.cv

 

Apesar de ter conhecimento do projecto há algum tempo só agora decidi escrever o artigo pois pensei que a Direção Geral do Ambiente não iria aceitar a versão actual do projecto. Não sendo eu político, nem biológo marinho, fiquei à espera que outros se possicionassem. Infelizmente, os poucos que se posicionaram até esta data, não tem conseguido sensibilizar os responsáveis pelo projecto. Assim, perante a minha percepção da gravidade do que poderá acontecer, como conhecedor do mar da Laginha e interessado pela biologia marinha, procurei durante estes últimos dez dias –  apoiado em pesquisas na internet e trabalhos dos meus colegas Biólogos Marinhos e Engenheiros e alguns esclarecimentos solicitados a eles – elaborar um artigo que consciencializa-se os nossos governantes e a população em geral, da grande riqueza que temos na Laginha, “à porta das nossas casas”, um “canal Odisseia” nosso, que não gasta energia e é de graça e para todos nós. Seria interessante se os nossos decisores e a população se disponibilizassem para, apenas com uma máscara de mergulho e um tubo, apreciar o que há lá, e terem uma noção clara do que estamos em risco de perder.

1.Contextualização de Cabo Verde na biodiversidade mundial
Os locais mais marcantes do planeta são também os mais ameaçados. Os hotspots são as mais ricas e ameaçadas reservas de animais e plantas do planeta (Conservation International [CIa, 2013]). O Arquipélago de Cabo Verde está enquadrado no hotspot do baixo mediterrâneo, um dos 34 hotspots de biodiversidade Mundial [CIa, 2013], [CIb, 2013].
Fig. 1. As 34 regiões consideradas hotspots pela Conservation International.
[Fonte: http://www.nationalpark.org.br/2012/02/o-que-sao-hotspots-da-biodiversidade.html]
Essa denominação deve-se ao facto de conter um grande número de endemismos (espécies exclusivas do arquipélago de Cabo Verde), para uma área relativamente pequena, cuja conservação é considerada prioritária, devido ao risco de extinção acarretado por ações antropogénicas. Além disso, Cabo Verde é considerado, desde 2002, como um dos onze hotspots de recifes de corais (comunidades coralinas em Cabo Verde), que são os maiores centros de endemismos mundiais, ocupando o nono lugar, numa escala de maior para menor grau de ameaça [Roberts et al, 2012].

Legenda: amarelo = não muito rico em espécies marinhas / laranja = rico / vermelho = muito rico / vermelho escuro = regiões com muitas espécies endémicas (= hotspots)

Fig. 2. Os onze hotspots de comunidades coralinas.[Fonte:http://www.starfish.ch/reef/hotspots.html]

Para além disso é o único localizado no Atlântico NE, o que faz com que seja o local mais próximo da Europa e África Ocidental, para investigadores. É de realçar que as Ilhas de Cabo Verde têm um grau de endemismo de peixes costeiros, muito superior às outras ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira, Selvagens e Canárias) [Freitas, 2012].

2. Papel de São Vicente no estudo da biodiversidade Cabo-verdiana
A ilha de São Vicente é uma das ilhas onde muito se tem feito para estudar a biodiversidade marinha de Cabo Verde (artigos científicos em revistas, trabalhos de disciplinas, projetos e monografias de fim de curso, teses de mestrado e doutoramento, projetos de investigação), representando, muito provavelmente, a área em Cabo Verde com maior produção de conhecimento científico, e que tem despertado maior interesse de cientistas internacionais à investigação colaborativa. Na ilha se situam os maiores produtores de conhecimento no âmbito do mar (a Biosfera I, o DECM da UNICV, o INDP, e o Observatório de Cabo Verde: Humberto Duarte Fonseca[1]). A construção na ilha, com início previsto em 2013 e conclusão em 2014[2], do OSCM (Ocean Science Centre Mindelo) enquadrado no projeto de cooperação entre o INDP e o GEOMAR, Instituto Oceanográfico da Alemanha, é um forte indício do interesse científico que a ilha tem, pois a região tropical do Atlântico onde se situa, aliada à nossa biodiversidade e geodiversidade, constitui um excelente tampão ou laboratório natural para o estudo de diversas questões de interesse global, especialmente o seguimento de mudanças do clima através da Oceanografia e a Climatologia.
3. A biodiversidade na Praia da Laginha

Fig. 3 Praia da Laginha. Fonte:[Loyd, 2009]

 

A praia da Laginha, localizada na Baía de Porto Grande (classificada pela UNESCO como uma das mais belas baías do mundo), constitui um berçário (nursery) para diversas espécies que buscam zonas protegidas de corais e algas para os primeiros estágios de vida ou também para minimizar a predação.

É de salientar que a zona é equiparada a zonas de alta biodiversidade, muito provavelmente devido à diversidade e complexidade estrutural de habitats, tais como areias, corais, pedras, macroalgas e algas calcárias. Com uma localização geográfica privilegiada,   a zona da Laginha dá o seu contributo no suporte de uma zona de berçário onde, simplesmente com mergulho livre, a poucos metros do areal e a pouca profundidade, pode-se desfrutar de uma rica diversidade de peixes e invertebrados, muitos deles endémicos das ilhas de Cabo Verde. Já foram visualizadas com sucesso na área da Laginha, as seguintes espécies:

i)Peixes (a maior parte pode ser vista quotidianamente): Sargos (Diplodus sargus lineatus, D. fasciatus, D. prayensis – todos endémicos), Burrinhos (Chromis lubbocki – endémico; Chromis multilineata), Bidiões (Sparisoma spp.), Garoupas (Serranidae), Rei e & Rainha (Holoncentridae), Peixe pedra[3] (Scorpaena laevis e Scorpaena scrofa), peixe borboleta (Chaetodon robustus), peixe lagarto (Synodus saurus), peixe-sapo (Antennariidae), Salmonete (Pseudopeneus prayensis), Barbeiro (Acanthurus monroviae), Façola (Priacanthus arenatus), Tururu (Fistularia petimba), Moreias (Muraena, Gymnothorax spp. – pintada, preta, branca), cobras de mar, cabrinha, porco-espinho (da família Diodontidae), pá-mané de rabo branco (Similiparma hermani – género endémico), olho largo (Selar crumenopthalmus, ocorrem em cardumes, muitas vezes com centenas a milhares de indivíduos), Bonito (Caranx crysos), Pelombeta (Trachinotus ovatus em cardumes), bombom, tainha (Chelon bispinosus – endémico), Abroto (Haemulidae, com pequenos cardumes), Pôsse ganet, cação, linguado, fotch, peixe-agulha (Platobeloni lovi – endémico), fambil, pómbe, enforcado, badejo, bedja, entre outras espécies, algumas críticas.

 

Fig. 4 Tainha de Cabo Verde (Chelon bispinosus – endémico). Foto: Rui Freitas.

[Fonte:www.fishbase.org/summary/Chelon-bispinosus.html]

Fig. 5 Pá-mané de rabo branco (Similiparma hermani – endémico). Foto:Peter Wirtz.

[Fonte: http://www.fishbase.org/summary/Similiparma-hermani.html]

Fig. 6 Peixe borboleta (Chaetodon robustus). Foto: Rui Freitas.

[Fonte:http://www.arkive.org/three-banded-butterflyfish/chaetodon-robustus/]

ii) Moluscos: Conus (pelo menos três espécies e ainda o Conus decoratus, que ainda os autores do artigo não viram, mas que já foi visto na Matiota, Salamansa, Calhau e Santa Luzia [Tenório, 2012] e  Conus matiotae, que provavelmente já está extinta devido às intervenções antropogénicas no local), polvos (várias espécies), chocos, lulas, búzio cabra (Strombus latus), Tona galea, Cipreas (C. lurida, C. spurca e C. picta), Pinna rudis, Venerídeos (cerca de sete espécies, em que a Circomphalus foliaceolamellosus, fig. 8, à partida, a Laginha é o único local onde pode ser encontrado em Cabo Verde), Aplisidae (A. punctata e A. dactilomela), Nudibrânquios, etc.

 

Fig. 7 Conus decoratus

 [Fonte da Fotografia: http://www.iucnredlist.org/details/192350/0]

Fig. 8 Circomphalus foliaceolamellosus.

 [Fonte da Fotografia:www.idscaro.net]

 

iii) Outros invertebrados: Massivas populações de corais pétreos ou duros (Porites porites, Porites asteroides, Siderastea radians, Millepora alcicornis, Favia fragum), Palythoa caribaeorum (coral mole), ctenóforos (reconhecidas cinco espécies), Equinodermes (pepinos do mar, ouriços-do-mar – Echinometra lucunter, Arbacia lixula, Diadema antillarum & espécies de espinho mais grosso Centrostephanus longispinus; Heterocentrotus mammillatus), várias espécies de estrelas-do-mar, Ofiurídeos, Anelídeos (Hermodice carunculata – sampé d’mar), Esponjas marinhas (mais de três espécies massivas), ascídias (várias espécies) incluindo outros invertebrados menores.

Fig. 9 Alguns dos corais encontrados na Laginha.

 [Fonte:(Delgado,A.E.C.P, 2006)]

iv) Aves marinhas: guincho (Pandion haliaetus), garça lavadeira, maçarico-galego, etc. coabitam na área.

v) Crustáceos: lagosta (verde e castanha pelo menos), caranguejos (várias espécies)

vi) tartaruga comum (Caretta caretta). Convêm salientar que há cerca de dois anos que temos três espécimes de diferentes tamanhos que residem na praia, sendo vistos quase que diariamente, e que em certas ocasiões chegam a ficar bem próximos dos banhistas ou mergulhadores.

 

Toda essa variedade faz com que haja mergulhadores (uns para observarem, outros para fazerem pesca submarina, principalmente de chocos na época mais fria) assíduos nessa zona, haja alguma pesca com rede (apesar de ser proibida, os pescadores arriscam quando vêm grandes cardumes de “oie lôrgue”) e com linha. Também alguns professores do DECM, dos cursos de Licenciatura em Biologia Marinha e de outros cursos que exigem aulas de natação, realizam aulas práticas de biologia e de natação na Laginha. Convêm salientar ainda que alguns privados ainda leccionam aulas de natação e algumas vezes de mergulho livre. Outra vantagem do local, é o mar relativamente calmo, não exigindo muitos dotes para os iniciados em natação ou mergulho. Por isso tudo, pensamos que a zona devesse ser transformada numa zona semi protegida, onde nacionais e estrangeiros pudessem conhecer e/ou apreciar, ao vivo, as muitas espécies marinhas existentes.

 

4. Poluição na Laginha

4.1 Poluentes detectados(indicamos apenas os que temos conhecimento)

i) Metais pesados

“…Das análises efetuadas conclui-se que a Baía do Porto Grande está poluída por metais pesados como o Zn, Pb, Sn e As, estando este facto relacionado com fontes de poluição pontual (efluentes domésticos e industriais) e difusa (lixeira, adubações, atividade portuária, navegação e reparação naval) na bacia de drenagem da Baía e nesta. A comunidade de macroalgas, estabelecida a partir de seis locais no interior da Baía e em três campanhas de amostragem (Março, Junho e Outubro de 2002), revelou a presença de 33 espécies e evidenciou a abundância de Ulva rígida, bioindicadora de eutrofização” [Almeida,Cunha&Cruz, 2008]. Ainda da página 38 de [Abu-Raya, M., 2009] extrai-se a seguinte tabela,

 

Tabela 1 Concentração dos metais (média±dp) nos espécimens de S.latus dos diferentes locais de amostragem na Baia do Porto Grande e no Local de Controlo.

 

 

Segundo o mesmo documento, a portaria nº24/2009 (B.O nº27/Série I) da República de Cabo Verde[4], estabelece os valores máximos permitidos (VMP) de Cádmio (Cd) e Chumbo (Pb), em moluscos bivalves[5], de 1,5mg/kg (equivalente a 1,5µg/g). Infelizmente a autora não cita os valores máximos permissíveis para os outros componentes. Consultando outros documentos encontramos a tabela 2 utilizada tambêm para avaliação dum bivalve[Silva at al, 2010]

 

Tabela 2 Valores Máximos Permitidos (VMP) para metais pesados presentes em alimentos conforme Legislação Brasileira e Internacional de referência

 

 

Podemos constatar pela tabela 1 que o local  A2 ( Laginha) apresenta concentrações de Cd, Cobre (Cu), Níquel (Ni) e Zinco (Zn) muito elevadas relativamente ao local da amostra de controlo. A concentração de Pb apesar de ser igual ao da amostra de controlo é superior (1,27x) ao VMP pela Legislação Caboverdiana, o que surprendentemente acontece para todas as amostras, inclusivê a de controlo, que é na Sinagoga em Santo Antão. Referenciando os VMPs pela Legislação Brasileira, os valores de Zn, são mais de 4x superiores, os valores de Cu, são 21,6 x superiores, os de Ni são 1,34x superiores, os de Cr, 10,8 x superiores, aos da Legislação Brasileira. Considerando os valores obtidos, parece haver uma situação bastante alarmante. Será?  Penso que seria muito prudente ter uma opinião de um especialista na área, tendo em conta os perigos que representa a ingestão excessiva de alguns desses metais pesados.

Ainda segundo o mesmo documento:

a)      O Cd é grandemente utilizado na galvanoplastia, no fabrico de pigmentos, esmaltes e tintas.

b)      A principal aplicação do Zn, cerca de 50% do consumo anual, é na galvanização do aço ou do ferro para protegê-los da corrosão e que o óxido de Zn é utilizado como base de pigmentos brancos para pintura.

c)      O Ni é principalmente empregue no fabrico de aço inoxidável[6].

d)     Os principais usos do Pb estão relacionados com a indústria petrolífera, baterias, tintas, corantes, cerâmicas e munições. A gasolina disponível e com a maior procura na ilha é a com Pb.

e)      O Cr é utilizado principalmente na metalurgia, com a finalidade de aumentar a resistência à corrosão.

 

 ii)Hidrocarbonetos [Pinheiro, 2010]

Num estudo realizado no Porto Grande, (Cabnave, Porto, Cais da Enacol e Galé)  foram detectados valores significativos de Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PHAs) em músculos e fígado de tainhas. Contudo, apenas no Porto, no Cais da Enacol e na Galé, os valores de um dos PHAs, benzo(a)pireno, no fígado, excedeu os valores máximos recomendados pela legislação. Na Cabnave o valor foi de 75% do valor máximo recomendado. Nesse estudo indica-se que a origem dos PHAs na zona da Cabnave seja pirolítica, petrogénica, petróleo, combustão, combustão de biomassa e carvão.

iii) Coliformes fecais

Análises realizadas, há alguns anos, indicaram valores ligeiramente acima dos valores máximos recomendados para águas balneares. Também no furo da Electra foram registrados valores bastante altos numa determinada altura, obrigando a Electra a proceder à desinfeção do local.

 

4.2 Principais fontes de poluição da Laginha são:

i)CABNAVE: as águas de lavagem e limpeza (lançadas no mar após passarem por um sistema de decantação), derrames[7], resíduos provenientes das operações de decapagem dos cascos dos navios (areias impregnadas de tintas anti vegetativas utilizadas com a finalidade de impedir a fixação de organismos marinhos nos cascos das embarcações) [Pereira, 2005][8], barcos sem sistema de coleta de fezes[9].

ii)ELECTRA: Gases produzidos na queima dos combustíveis, ruido, resultante da limpeza anual das tubagens que às vezes vai para o mar por acidente(Maio de 2005?) e Salmoura. Considerando a taxa de conversão (cerca de 45 a 48%) dos dessalinizadores de osmose inversa utilizados, se desprezarmos as perdas, o volume da salmoura será ligeiramente superior (compreendido entre 108% a 122%) ao volume de água potável produzida  pelos dessalinizadores[10], cujo valor médio diário foi de 3700 m3 em 2011(=1.350.636/365)[ELECTRA, 2012], resultando em cerca de 4008 a 4522 m3 de salmoura diária. A salinidade da salmoura será próxima do dobro, compreendido entre 182% a 192%, da água do mar no local da toma de água.

iii) Enxurradas das chuvas: Trazem uma quantidade imensa de lixo variado, compostos tóxicos e de fezes humanas depositados na valeta de água ou resultantes do transbordamento dos esgotos[11].

 

Para além dessas fontes convêm referir que todas as outras atividades que acontecem no Porto Grande (navios, empresas de combustíveis Enacol e Vivo Energy, etc.), apesar de serem em menor escala, acabam por afetar essa zona, muito provavelmente a alterações nas correntes devido às marés. Esse efeito é mais pronunciado quando há alterações significativas nas correntes, e nessas situações, pouco frequentes, uma grande quantidade de lixos (até animais mortos) costumam sair na praia da Laginha.

 

A biodiversidade marinha no local somente é mantida devido ao hidrodinamismo que faz constantemente a renovação da água e das poucas zonas de corais que dão sustento à vida marinha local. Salientamos que uma percentagem grande dessas espécies vive numa faixa entre 2 a 10 metros da Praia, associados aos corais existentes nessa faixa.

 

5. O Projeto de “ALARGAMENTO DO TERRAPLENO, CONSTRUÇÃO DA NOVA VIA DE ACESSO NA ZONA NORDESTE DO PORTO GRANDE & A CONSTRUÇÃO DE UM ESPORÃO NA ZONA DA PRAIA DA LAGINHA” [Loyd, 2010].

 

Fig. 10 Planta do projeto de “Alargamento do terrapleno, construção da nova via de acesso na zona nordeste do Porto Grande & a construção de um esporão na zona da praia da Laginha” [Loyd, 2010]

 

O referido projeto prevê a criação, de quatro faixas de 3m cada, para sair do Porto, duas de 3m para entrar, uma faixa de estacionamento de cada lado, com 3,5 m de largura cada e 1 passeio para circulação pedonal com uma largura mínima de 2,5 m, totalizando cerca de 27,5 m, que serão conquistados ao mar (ver figura 11). Será ainda aumentada a área do terrapleno já existente, totalizando para esses dois casos uma área de expansão do terrapleno prevista de 25 000 m2 ( Será conseguida à custa da translação da retenção marginal norte cerca de 110 m numa extensão de 210 m)(ver figura 10)

 

Fig. 11 Pormenor do projecto de “Alargamento do terrapleno, e da nova via de acesso na zona nordeste do Porto Grande”. [Loyd, 2010]

Propõe-se também, um avanço de 60 m, sensivelmente paralelo à linha de água, do areal da praia atual, usando areias de granulometria idêntica às existentes. O volume de areia a colocar na Praia é estimado em cerca de 150 000 m3. Para proteger uma captação de água salgada para alimentação da central dessalinizadora do Mindelo, a norte da praia atual, será construído um esporão de contenção das areias colocadas na praia, para impedir que estas venham a atingir a zona da captação. O esporão de contenção das areias, localizar-se-á a cerca de 400 m a norte do limite do alargamento do terrapleno portuário. Terá 130 m de comprimento, entre o enraizamento, junto ao muro marginal, e o centro de rotação da cabeça(ver fig. 10).

 

Fig. 11 Imagem do início das obras nos primeiros dias de Fevereiro de 2013

               Do estudo de impacto ambiental (resumo não técnico) [Loyd, 2010] disponibilizado no site www.sia.cv, e do documento que analisa os efeitos dessas obras sobre a Praia da Laginha [Loyd, 2009] fica-se com a ideia de estar a faltar a avaliação de muitos aspetos fundamentais numa avaliação de impacto ambiental (AIA) e de não se ter em conta o referido aumento do areal e o esporão que se irá construir(ver fig. 12).

Fig. 12 Figura indicativa das alterações na Laginha e dos pontos onde se mediram os índices de agitação. Como se pode constatar, a extensão do areal e o esporão não são considerados. [Loyd, 2010b]

 

A informação constante no primeiro documento não fornece dados suficientes para se avaliar o impacto ambiental. O segundo documento fala apenas do impacto na dinâmica costeira. Iremos avaliar apenas os dados disponíveis, esperando que se exija um estudo de impacto ambiental, em conformidade com a nossa legislação. Desses dados, na  pág. 17, e na tabela 3, do documento[Loyd, 2009], quanto à agitação medida em alguns pontos da Laginha, se fizermos as contas vai diminuir no ponto 1, 21%, no ponto 2, 23%, e no ponto 3, 25%.

 

Tabela 3 Índices de agitação na Praia da Laginha. Situação atual e alterada

Ponto

1

2

3

Situação atual0,190,130,08
Situação alterada0,150,10,06
Variação [%]-21,1-23,1-25,0

 

6. Efeitos prováveis  da redução do índice de agitação na Praia da Laginha

 

i)Redução da biodiversidade marinha no local

Sabendo que a biodiversidade marinha no local é mantida devido ao hidrodinamismo que faz constantemente a renovação da água, se ocorrer uma diminuição na agitação das águas, muitas espécies poderão desaparecer da Laginha, ou então seguir o mesmo caminho do Conus matiotae.

ii) Redução da vida marinha

A menor oxigenação das águas provocará uma diminuição na vida marinha. Sendo um berçário para muitas espécies muito exploradas comercialmente, tal como o olho largo, irá ter implicações no sustento das muitas famílias que vivem da pesca.

iii) Aumento de incidências de doenças transmitidas através da água do mar ou da areia

Para além dos efeitos ecológicos devastadores, não se pode esquecer do efeito que a obra terá na saúde dos utilizadores da praia. A praia é uma das mais frequentadas de São Vicente e a menor renovação da água acarretará aumento da incidência de doenças transmitidas através da água do mar, e a redução das ondas implicará uma menor lavagem das areias da praia, aumentando também as doenças transmitidas através da areia. Note-se que no Verão, altura do ano em que a praia é mais frequentada, têm-se verificado casos de banhistas com doenças de pele, contraídas na Laginha.

iv) Redução das ondas, na zona de corais atrás da ELECTRA

Também os praticantes de Body board (note-se que um Mindelense, o Jason Mascarenhas, já foi campeão de África) e surf, poderão ser seriamente afetados caso isso signifique uma redução das ondas, na zona de corais atrás da ELECTRA.

v)Diminuição da qualidade da água potável produzida pela ELECTRA

Sabendo que a ELECTRA possui duas alimentações de água, localizadas entre a CABNAVE e a Laginha, uma no mar, a uns 2-3 metros de profundidade, e outra, um furo de 25 metros de profundidade, localizada a cerca de 3 metros do mar, e que o sistema de dessalinização, que funciona a baixas temperaturas, filtra películas superiores a 5 µm (reforçado com um sistema de coagulação), a redução do índice de agitação aumentará o grau de poluentes e o risco de contaminação no local da tomada de água da Electra (situada em local relativamente abrigado do vento e das correntes, em princípio tem um menor risco de contaminação por derrames provenientes do Porto Grande) o que poderá eventualmente, acarretar sérios riscos para grande parte da população que bebe essa água. Note-se que a ELECTRA desinfeta a água distribuída por cloragem com hipoclorito de cálcio[12], e realiza controlos laboratoriais de parâmetros que indicam risco de contaminação[13] e o carácter agressivo e incrustante da água [Electra, 2010]. Questionamos é se os testes utilizados serão  muito sensíveis a metais pesados e hidrocarbonetos. Não devemos esquecer também que o Porto Grande é um dos mais importantes clientes de água potável, consumindo de 100-200m3 por navio [Pereira, Marina,2005].

 

 

7. Efeitos do alargamento do areal da Praia e da construção do esporão a Norte da Laginha

É imprescindível que se faça um estudo de impacto ambiental com um bom nível de precisão e detalhe, não se esquecendo de avaliar as espécies existentes no local e a eventual sazonalidade da sua ocorrência[14]. Contudo, podemos adiantar alguns dos prováveis efeitos:

i)Aniquilamento de parte significativa da comunidade coralina

A comunidade que se estende paralelamente à praia e a pouca distância do areal, será totalmente soterrada e aniquilada. Será um autêntico crime contra a biodiversidade.

ii)Diminuição da profundidade do arrastadouro da Cabnave e soterramento de uma das tomadas de água da Electra.

iii) Aumento de incidências de doenças transmitidas através da areia

Aumentando a distância do areal de mais 60 metros, será muito difícil que as ondas consigam chegar a todo o areal, impedindo assim que as areias sejam lavadas.

iv)Diminuição da segurança para banhistas  e necessidade de colocar mais nadadores salvadores e luzes na praia

O aumento da distância do areal fará com que o mar fique mais distante do passeio pedonal diminuindo a segurança dos banhistas. Assim, será necessário colocar mais nadadores salvadores e se quisermos manter o privilégio dos banhos noturnos será ainda necessário colocar luzes, e eventualmente polícias, próximos do mar. 

v)Interdição aos banhistas de tomarem banho na praia durante as obras

Quanto tempo demorará a obra? Já se considerou o incómodo e transtornos que isso vai provocar nos muitos frequentadores da Laginha e nos moradores? Note-se que a Laginha tem um papel importante na qualidade de vida dos Mindelenses, reduzindo o stress e aumentando o bem estar psicofisiológico de muita gente, cuja qualidade de vida que praticamente não consegue.

vi) Ruídos e poluentes durante as obras

Já se considerou devidamente os efeitos do ruido e poluentes expelidos para o ar e para o mar durante as obras?

 

8. Algumas questões pertinentes

i) Será que o tráfego vá ser de tal ordem, que justifique vias de acesso novas(quatro faixas de entrada e duas de saída), que na prática não irão resolver os congestionamentos, já que o congestionamento continuará a se verificar na Av. Dr. Alberto Leite (Rua da Escola Técnica). ii) Qual será a necessidade de haver duas faixas de estacionamento, junto ao novo acesso que se quer construir?

iii)Qual a necessidade de alargar o terrapleno existente? Não haverá atualmente uma área significativamente grande disponível? Não haverá uma área bem grande nas antigas instalações da Interbase ou na zona onde foi colocada a tenda, que poderá ser utilizada para esse fim?

iv) Será que a Laginha e uma das mais belas baias do mundo é a área que mereça menos proteção?

v) Se Deus deu-nos uma das mais belas baias do mundo por que haveremos nós de fazer com que fique menos bonita? Consultem uma fotografia do Porto Grande antes do terrapleno actual e comparem. Com a nova construção vai ficar pior.

vi) Será que a construção da Cabnave na antiga Matiota, destruindo a nossa melhor praia não nos serviu de lição?

vii) Não seria melhor parar a obra por alguns dias e repensá-la? Considerando que muitas das pessoas à frente do projecto são apreciadoras da Laginha e que os estudos de impacto ambiental efectuados não apontavam esses efeitos, parece-me que estamos todos a ser vítimas de um engano. Penso que a criação de uma equipa multidisciplinar para reavaliar o projecto em tempo relâmpago, poderia trazer muitos ganhos[15].

 

Como podemos constatar no seguinte texto (Extraído de [Costeau, Schiefelbein, 2007]):

 

O saque começa onde a vida começou: nos berçários do mar. A vida multiplica-se em três áreas distintas dos oceanos: nas águas da superfície, que são penetradas pela luz do Sol, onde desabrocha a vida das plantas; no fundo, onde assentam os detritos orgânicos; e na área onde se combinam estes dois fatores de sustento da vida, a plataforma continental, que principia na beira da água e se prolonga até profundidas que atingem cerca de 180 metros. Como escrevi antes, a zona mais frágil das plataformas continentais é também a sua zona mais fértil: as águas costeiras de pouca profundidade. A vida marítima acumula-se na orla costeira tal como a vida terrestre se junta na margem do rio; é ai que os peixes se alimentam da flora e põe os seus ovos nos prados marítimos onde prolifera a planta aquática posidónia. Estas águas, que são apenas metade de 1% do espaço total do oceano, sustentam 90% de toda a vida marítima. No conjunto, segundo já calculei, as orlas costeiras têm, em todo o mundo, menos hectares do que todos os rios do mundo.

É precisamente nestas orlas costeiras, tão reduzidas, que os saqueadores causam maiores estragos…”

são as orlas costeiras que sustentam 90% de toda a vida marítima, dai que mexer nelas só em casos extremos, após se esgotarem outras alternativas.

Do resumo não técnico do estudo de impacto ambiental e da breve vista de olhos que me foi possibilitado fazer à versão completa fiquei com a impressão que limitaram-se a falar das espécies existentes em Cabo Verde, chegando-se a referir inclusivamente a várias espécies de baleias e golfinhos, indiciando que não se fez uma avaliação local. Parece-me que, se os autores do projeto, tivessem essa consciência, teriam evitado as três vias de acesso extra, e teriam feito o acesso encostado à Moave no terrapleno já existente, e evitariam ao máximo qualquer conquista de terrenos ao mar. A nossa inconsciência ambiental leva-nos a destruir exatamente a nossa zona mais rica que é a orla marítima, quando há na ilha outros locais com um índice de vida e biodiversidade consideravelmente inferiores.  Tambêm pareceu-me que há alterações ao projecto o que me espanta pois se há alterações tem de haver uma adaptação da avaliação de impacto ambiental e essa adaptação tem que ficar disponível ao público em conformidade com a nossa legislação. Será desejável que se disponibilize a actual versão do projecto e o respectivo estudo de impacto ambiental, pois o único documento disponivel no site www.sia.cv é o [Loyd, 2010]..

9. Aspetos sociais

A Praia da Laginha é das Praias mais frequentadas de Cabo Verde. Graças à iluminação, nos dias quentes de Verão podemos encontrar banhistas desde a madrugada até altas horas da noite, numa utilização quase continua dessas poucas centenas de metros de praia. Gente de todas as idades, de todos os escalões sociais,  de todos os bairros da Cidade do Mindelo, saudáveis ou doentes (físicos ou mentais), gente integrada ou marginal, todos procuram a praia da Laginha  para passear, correr, nadar, mergulhar, fazerem outros exercícios, ou simplesmente para conversarem. Podemos considerá-lo o local mais democrático da Cidade do Mindelo, onde toda essa gente citada, interage, geralmente, de forma harmoniosa e tranquila. Se formos considerar os benefícios que a praia da Laginha confere à nossa Cidade, será difícil enumerar todos: diversão e lazer, desporto, fisioterapia, psicoterapia, sensibilização ambiental, etc.

 

Assim, enumerem todos os benefícios do atual projeto e ponderem bem. Será que não há outros espaços cuja alteração nos afecte menos?

 

 

Mindelo, 17 de Fevereiro de 2013

 

10. Referências

Abu-Raya, M. (2009). Avaliação da contaminação por metais em gastrópodes, strombus latus, da baía do Porto Grande da ilha de São Vicente, Cabo Verde. Análise Proteómica. Tese de mestrado em Recursos do Mar e Gestão Costeira, UALG/UniCV, Mindelo, Cabo Verde.

Conservation International.(2013a). The biodiversity hotspots. Recuperado em 8 de Fevereiro, 2013, em http://www.conservation.org/where/priority_areas/hotspots/Pages/hotspots_main.aspx

Conservation International. (2013b). Mediterranean basin. Recuperado em 8 de Fevereiro, 2013, em http://www.conservation.org/where/priority_areas/hotspots/europe_central_asia/Mediterranean-Basin/Pages/default.aspx

 

Costeau, J.,  Schiefelbein, S.. (2007). O homem, a orquídea e o polvo, DIFEL,  Portugal

 

Delgado, A.E.C.P. (2006). Caracterização das Comunidades Coralinas da zona Norte de São Vicente. Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar/Instituto Nacional de Desenvolvimento de Pescas. Mindelo, S.Vicente, República de Cabo Verde.40 p.Recuperado em 15 de Fevereiro em http://www.portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/1921/1/TESE_bscVERSAO_PORT%20(downloadable%20@%20w3.reefbase.org).pdf

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Tenório, M.J. 2012. Conus decoratus. In: IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 10 February 2013

 


[1] Criado em 2006, numa iniciativa conjunta entre a Alemanha e a Grã-Bretanha. Ver mais em http://www.ncas.ac.uk/index.php/en/cvao-home.

[2] http://asemana.sapo.cv/spip.php?article82583&var_recherche=geomar%20&ak=1

[3] Também designado garoupa de madeira ou fanhama

[4] A portaria está disponível em http://spcsrp.org/medias/csrp/Leg/Leg_CVSCS_2009_Porta-24-2009.pdf

[5] Note-se que o búzio cabra é um molusco mas não é bivalve. Pensamos que a legislação deve ter considerado moluscos bivalves em vez de apenas moluscos pois é muitos provável que em outros paises os moluscos consumidos sejam maioritariamente bivalves.

[6] À partida será utlizado nas dessalinizadoras, juntamente com o Cu. (nota do autor)

[7] Ver um caso em http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article57274

[8] Há cerca de três anos, um dos autores deste artigo, GM, deparou com uma camada de poeiras de tinta avermelhada, com uns quarenta centímetros de espessura, relativamente à superfície da água, quando praticava pesca submarina, com um colega, junto à CABNAVE.

[9] Ver noticia em http://www.alfa.cv/index.php?option=com_content&task=view&id=2566&Itemid=250

[10] Os valores da salinidade e do volume de água foram calculados em função dos valores da taxa de conversão e desprezando as perdas.

[11] Importa alertar que uma das causas do transbordamento dos esgotos é o facto de haver muitas habitações que canalizam as águas das chuvas para os esgotos, sendo prioritário agir para que tal deixe de acontecer.

[12] Procurando ter como limites de cloro livre a concentração de 0,3mg/l à saída dos reservatórios e 0,1mg/l na rede de distribuição.

[13] Cloro residual, sólidos totais dissolvidos, nitritos, nitratos, azoto amoniacal, turvação, contagem de microrganismos totais a 37º e contagem de coliformes totais e fecais.

[14] No estudo de impacto ambiental do Parque eólico da Cabeólica em S.Vicente não consideraram a multiplicidade de espécies que ocorrem apenas após as chuvas.

[15] Eu pessoalmente disponibilizo-me como Engenheiro e conhecedor da Laginha para ajudar gratuitamente. Sendo um dos poucos caboverdianos que pesquisa na área da eficiência energética, tambêm poderia ajudar a reduzir significativamente os custos de operação das novas instalações(os custos de operação da Gare Maritima do Porto Novo tem um impacto elevado na sua rentabilidade), inclusivê do entreposto frigorifico. Note-se que os maiores consumidores da energia eléctrica vendida pela Electra em S.Vicente são os frigorifícos. Note-se que.

 

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