Laginha: PCA da ENAPOR diz que a vida marinha é mínima ou inexistente, biólogos discordam

18/02/2013 22:55 - Modificado em 18/02/2013 23:06

“O estudo do impacte ambiental demonstra que na zona, a existência de fauna e de flora é mínima”, diz Franklin Spencer, PCA da Enapor, aquando da resposta ao Presidente da Câmara Municipal de São Vicente sobre a preocupação deste, relativamente às obras no Porto Grande que poderão afectar a Laginha. O PCA da Enapor baseia-se em estudos realizados em 1993 sobre o aproveitamento do Porto Grande e, em 1994, sobre a expansão do Porto Grande para sustentar as suas afirmações.

 

Mas um outro estudo que o NN teve acesso vai no sentido contrário ao considerar: “É de salientar que a zona da Laginha é equiparada a zonas de alta biodiversidade, muito provavelmente devido à diversidade e complexidade estrutural de habitats, tais como areias, corais, pedras, macroalgas e algas calcárias. Com uma localização geográfica privilegiada, a zona da Laginha dá o seu contributo no suporte de uma zona de berçário onde, simplesmente com mergulho livre, a poucos metros do areal e a pouca profundidade, pode-se desfrutar de uma rica diversidade de peixes e invertebrados, muitos deles endémicos das ilhas de Cabo Verde”. Afinal em que ficamos? Há ou não flora e fauna na Laginha? O estudo que estamos a citar, ver no top da página, cita vários peixes, moluscos, corais e até aves marinhas que já foram avistados na zona da Laginha.

 

Agitação das águas

 

Por seu lado, o PCA da ENAPOR sustenta que “vai-se construir um esporão pelo que toda a vida marinha existente possível que é mínima ou quase inexistente, irá transferir-se para essa zona porque será o mesmo habitat que irá ser reconstruído”. Mas o estudo que estamos a citar considera que a construção do enrocamento ou esporão é outro problema que vai contribuir para a diminuição da agitação das águas e enumera as consequências: “Sabendo que a biodiversidade marinha no local é mantida devido ao hidrodinamismo que faz constantemente a renovação da água, se ocorrer uma diminuição na agitação das águas, muitas espécies poderão desaparecer da Laginha ou então seguir o mesmo caminho do Conus matiotae.

i) Redução da vida marinha

A menor oxigenação das águas provocará uma diminuição na vida marinha. Sendo um berçário para muitas espécies muito exploradas comercialmente, tal como o olho largo, irá ter implicações no sustento das muitas famílias que vivem da pesca”.

 

Efeitos na saúde

 

O estudo revela que a redução da agitação das águas poderá ter consequências nocivas na saúde dos banhistas: “A praia é uma das mais frequentadas de São Vicente e a menor renovação da água acarretará um aumento da incidência de doenças transmitidas através da água do mar e a redução das ondas implicará uma menor lavagem das areias da praia, aumentando também as doenças transmitidas através da areia”.

 

  1. Está tudo dito, a Praia da Laginha é uma zona berçário das diversidades, quer dizer rica
    em peixes e invertebrados, muito deles endémicos das ilhas de Cabo Verde, por exemplo o olho largo.

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