O próximo Papa pode vir de África ou da América Latina.

12/02/2013 22:17 - Modificado em 12/02/2013 22:17
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Os candidatos dos países em desenvolvimento são apontados como os favoritos no processo de escolha do sucessor de Bento XVI. O próximo Papa pode vir de África ou da América Latina.

O cardeal Peter Turkson, do Gana, perfila-se como o mais provável sucessor de Bento XVI, pelo menos de acordo com as “previsões” das casas de apostas, que dão uma cotação de 9-4, ou seja, uma grande probabilidade, à sua eleição.

 

A eleição do novo Papa é responsabilidade de um colégio de 118 cardeais, isolados em conclave na Capela Sistina do Vaticano. A pressão para a escolha de uma personalidade oriunda de um país em desenvolvimento é grande: é em África e na América Latina que se concentra 70% da população católica do mundo, e é aí que a Igreja Católica se encontra em expansão – em contraponto com a Europa, que há um século respondia por três quartos dos católicos do mundo e onde agora se encontram apenas 25% dos fiéis.

 

A escolha do cardeal Peter Turkson, de 64 anos, responsável pelo Departamento da Justiça e Paz e porta-voz do Vaticano para as questões sociais, representaria um momento histórico de viragem e renovação da Igreja Católica: seria a primeira vez que, na era moderna, o mundo católico teria como líder um homem de fora da Europa. O cardeal Francis Arinze da Nigéria, que fora mencionado como uma possibilidade durante o processo de sucessão que culminou com a eleição de Bento XVI, é a outra referência africana.

 

“As pessoas são livres de especular e fazer os seus próprios juízos. Quando andamos em busca de liderança, julgo que o melhor a fazer é orar a Deus, o líder e dono desta Igreja, para que ele nos ajude a encontrar a pessoa mais capaz neste particular momento da História”, reagiu o cardeal do Gana numa curta entrevista ao programa Focus on Africa da BBC, a partir do Vaticano.

 

“Seria muito bom que tivéssemos candidatos fortes da África e da América do Sul no próximo conclave”, considerou o cardeal suíço Kurt Koch, ao jornal Tagesanzeiger de Zurique, que, instado a manifestar uma preferência, respondeu sem hesitações que, em igualdade de circunstâncias, preferiria um candidato não-europeu a um europeu.

 

Mas depois das declarações do arcebispo Gerhard Müller, chefe da Congregação pela Doutrina da Fé (um cargo que foi ocupado pelo cardeal Joseph Ratzinger antes de ser eleito Bento XVI), que apontou as capacidades de “muitos bispos e cardeais da América Latina que poderiam receber a responsabilidade pela Igreja”, a “candidatura” do cardeal brasileiro Odilo Petro Sherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, ganhou um novo impulso.

 

Na lista oficiosa de potenciais sucessores existem outros dois nomes da América Latina: o argentino Leonardo Sandri, filho de pais italianos e nascido em Buenos Aires e que ocupou o cargo de chief of staff, o terceiro lugar da hierarquia do Vaticano, entre 2000 e 2007; e o também brasileiro João Braz de Avis, um defensor da teologia da libertação da América Latina e actual responsável pelo Departamento das Congregações Religiosas do Vaticano.

 

O favoritismo de Odilo Petro Sherer tem a ver com o facto de liderar a maior diocese do maior país católico do mundo e de ser encarado como uma figura moderada (embora seja visto como um conservador no seu país). No entanto, a implantação e rápido crescimento de Igrejas protestantes evangélicas no Brasil pode ser encarado como uma “mácula” na sua candidatura.

 

Outros nomes que estão a ser apontados são o cardeal Marc Ouellet, do Canadá, que dirige a Congregação dos Bispos (e que uma vez disse que ser eleito Papa seria “um pesadelo”), e o norte-americano Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, EUA.

 

Dois italianos, o arcebispo de Milão, Angelo Scola, e o ministro da Cultura do Vaticano, Leonardo Sandri, também figuram entre os papabili. O outro europeu nesta lista é Christoph Schoenborn, o arcebispo de Viena de Áustria – um antigo aluno de Bento XVI e autor da revisão do catecismo da Igreja na década de 1990.

 

As aspirações da Ásia são representadas pelo filipino Luis Tagle, de 55 anos, que trabalhou com Bento XVI na Comissão Teológica Internacional. Com 55 anos, é uma das personalidades mais carismáticas da Igreja Católica, mas as suas hipóteses serão prejudicadas pelo facto de só ter ascendido a cardeal em 2012.

 

Os possíveis candidatos portugueses são o actual presidente da Conferência Episcopal, D. José Policarpo; e D. Manuel Monteiro.

 

 

Publico.pt

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