Hollande eleito Presidente: “Não somos um país qualquer, somos a França”

6/05/2012 22:10 - Modificado em 6/05/2012 22:10
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No seu discurso de vitória, o socialista François Hollande, eleito Presidente da França com 51,9% dos votos segundo as últimas projecções, mencionou a Europa apenas em sétimo lugar entre as suas prioridades. Hollande reafirmou, porém, a intenção em renegociar o Tratado Europeu sobre os défices excessivos assinado em Março.

0h01: Carla Bruni comentou no Twitter a derrota de Sarkozy. “Portanto, acabou. Algumas lágrimas, uma grande tristeza e… sim uma nova vida vai começar. Para nós, para vocês, para a França”.

23h57: “Não desmobilizem, dêem uma maioria ao Presidente da República”, disse François Hollande no final de um curto discurso perante os milhares de apoiantes que o esperavam há longas horas na Praça da Bastilha, no qual apelou ao voto nos socialistas nas legislativas de Junho.

Hollande definiu-se de novo como “o Presidente dos jovens” e da Justiça, num discurso emocional, onde voltou a insistir na necessidade de unir os franceses após “anos e anos de feridas e queimaduras”.
“Não é uma vitória do rancor”, disse o Presidente, que agradeceu aos eleitores permitirem que “a Esquerda tenha um sucessor de François Mitterand” no Eliseu.

Sobre a Europa, Hollande disse que “há povos que olham para nós e esperam que a austeridade acabe”.

23h45: O euro baixou nos mercado asiáticos após a derrota dos partidos no poder em França e na Grécia, com os investidores preocupados com a manutenção das políticas de austeridade na Europa. Na abertura da Bolsa de Tóquio (23h00 em Portugal, 7h00 na capital japonesa), o euro valia 1,303 dólares, contra 1,308 dólares na sexta-feira.

23h44: O líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, saudou a vitória de François Hollande e congratulou-se com o fim do que definiu como “o projecto de extrema-direitização” do anterior Presidente. “Sarkozy, c’est fini”, lê-se na declaração de Mélenchon, onde se escreve que começa agora uma nova página, “cheia de exigências”.

23h33: François Hollande chegou à Praça da Bastilha, onde é acolhido por uma multidão em júbiilo.

23h19: Capa do diário francês Libération: o tema do Presidente “normal” está a fazer o seu caminho.

23h07: Henri Guaino, o speechwriter de Nicolas Sarkozy, que escreveu o discurso de derrota do ainda Presidente, disse à televisão France 2 que não chegou a escrever para a hipótese de o candidato da direita ganhar.

23h01François Hollande aterrou em Paris, no aeroporto de Le Bourget, e dirige-se agora para a Praça da Bastilha, onde os seus apoiantes o esperam há várias horas.

22h30: A edição online da revista alemã Der Spiegel diz que Hollande é um Presidente “predestinado a desiludir”, mas considera que o socialista poderá fazer um melhor par com Angela Merkel do que o seu antecessor Nicolas Sarkozy. “Hollande pode mesmo ser descrito como a Merkel francesa. É um pragmático mais do que um ideólogo. Quer alcançar consensos e considera os resultados mais importante do que a pose. Tem os pés na terra e é um tipo empático”, escreve a revista.

22h09: Angela Merkel telefonou a François Hollande para lhe dar os parabéns e convidar o novo Presidente francês a visitar Berlim, revelou o dirigente socialista Pierre Moscovici, citado pela AFP.

22h01: A primeira sondagem relativa às eleições legislativas de Junho, feita hoje mesmo, dá os socialistas como vencedores, com 44% das intenções de voto, juntando a votação da Europa Ecologia/Os Verdes, com quem o PS tem um acordo eleitoral. A sondagem do IFOP dá 32% à UMP (direita gaulista) e 18% à Frente Nacional de Marine Le Pen – o mesmo que ela teve nas presidenciais. Com estes resultados, o partido de extrema-direita, anti-imigração e anti-islão, deverá conseguir eleger deputados para a Assembleia Nacional. Em 2007, a esquerda tinha conseguido apenas 36%, face a 47% da UMP, e a Frente Nacional não teve representação parlamentar.

21h41: Pedro Passos Coelho enviou uma carta a François Hollande, manifestando a vontade de trabalhar conjuntamente numa “agenda ambiciosa para a promoção dos interesses comuns” dos dois países e dos cidadãos europeus. Depois de felicitar o novo Presidente francês, Passos Coelho refere os “laços sólidos de amizade e de estreita cooperação entre Portugal e a França” e dá conta da sua vontade de trabalhar em conjunto com Hollande, “tanto no plano bilateral como europeu”. “Temos, a estes dois níveis, que se reforçam mutuamente, uma agenda ambiciosa para a promoção de interesses comuns dos nossos países e dos nossos cidadãos europeus”, afirma o governante português, que expressa o desejo de se encontrar em breve com o novo Presidente francês.21h37: O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, felicitou Hollande pela sua vitória. “Temos claramente um objectivo comum: relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável”.

21h15: Discurso de Hollande terminou com acordeões tocando “La Vie en Rose” e um enorme ramo de rosas vermelhas para a sua companheira, Valérie Trierweiler, que se juntou a ele. Daqui a pouco François Hollande, o novo Presidente eleito, deverá apanhar um avião para Paris.

21h13: “Estou mobilizado desde já para conseguir a mudança. Essa é a minha missão e o meu dever. Servir a República, servir a França, servir as causas, os valores que devem ser ouvidos em França e no mundo. Viva a República e vida a França”, lançou Hollande, a terminar o discurso em Tulle, na região da Corrèze, onde é presidente do Conselho Regional e a qual saudou várias vezes”.

21h10: François Hollande chegou ao centro de Tulle, onde falou pela primeira vez como Presidente eleito da França, a bordo de um Renault Clio e disse que a sua vitória significa “um novo arranque para a Europa, uma nova esperança para o mundo”.

“A França não é um país qualquer”, disse o vencedor das eleições presidenciais francesas aos seus apoiantes. O Presidente sublinhou a dimensão europeia do seu triunfo, reafirmando a sua intenção em renegociar o Tratado Europeu assinado em Março.

“A Europa observa-nos; estou certo que com este resultado, em muitos países houve um alívio, uma esperança. A ideia de que enfim a austeridade não tinha de ser uma fatalalidade. É o que vou dizer aos nossos parceiros e em primeiro lugar à Alemanha”

No discurso na cidade da qual é presidente da Câmara falou do “sonho francês de dar aos nosso filhos uma vida melhor do que a nossa”. E, quando elencou as suas prioridades para o mandato, a Europa apareceu apenas em sétimo lugar.

Hollande disse que a Justiçe a juventude serão os temas centrais do seu mandato de cinco anos. “Quando olhar para o que fiz pelo meu país no final do meu mandato só colocarei estas perguntas: fiz avançar a igualdade? deixei a nova geração ocupar todo o seu lugar?”

Aumentar a produtividade, preservar o modelo social, reduzir o défice, garantir a igualdade do território, defender a escola da República, a transição ecológica e, finalmente, “a reorientação da Europa para o crescimento e o emprego” foram as prioridades que avançou.

20h43: “Um novo arranque para a Europa, uma nova esperança para o mundo, é este o mandato que me confiaram”, disse Hollande aos seus apoiantes. “A Europa observa-nos; estou certo que com este resultado, em muitos países houve um alívio, uma esperança. A ideia de que enfim a austeridade não tinha de ser uma fatalalide. É o que vou dizer aos nossos parceiros e em primeiro lugar à Alemanha”, disse.

20h37: “A mudança que vos proponho deve estar à altura da França. Começa agora”, disse Hollande no seu primeiro discurso como Presidente da República, onde deixou uma “saudação republicana” a Nicolas Sarkozy. “Hoje, não há duas Franças que se oponham”, afirmou.

20h23: O presidente da câmara baixa do Parlamento alemão, Norbert Lammert (CDU), felicitou François Hollande pela sua vitória e disse que a eleição do socialista não afectará as relações entre a França e a Alemanha, diz o Figaro. “Na história das nossas relações os dirigentes franceses e alemães eram quase sempre de famílias políticas diferentes e isso não impediu o eixo de funcionar”, afirmou o líder do Bundestag. Sobre a intenção de Hollande em mudar as regras do jogo na Europa, Lammert disse que não é possível renegociar o tratado europeu, mas que “existirá vontade para chegar rapidamente a um acordo para acrescentar um capítulo relativo a uma iniciativa para o crescimento.” Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, classificou como “acontecimento histórico” a eleição de François Hollande, após uma curta visita à embaixada francesa em Berlim.20h00: Em Hénin-Beaumont, na região de Pas-de-Calais, onde Marine Le Pen ficou à frente na primeira volta e por onde tem grandes probabilidades de ser eleita para a Assembleia Nacional nas legislativas, quem ganhou na segunda volta foi François Hollande, com 57,85% dos sufrágios. Esta região que tinha tradição mineira era, historicamente, de forte implantação do Partido Comunista e do Partido Socialista, mas tornou-se uma das áreas de maior crescimento da Frente Nacional e do seu discurso de protecção dos “perdedores da globalização.” Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional, disse que votaria em branco e não dava indicação de voto, mas o seu alvo a abater era Sarkozy – ela aspira a tornar-se a líder da direita.

19h56: “É uma vitória clara e límpida, sobretudo se levarmos em conta a duração da campanha, e do medo que a direita procurou fazer”, comentou Ségolène Royal, a candidata socialista que enfrentou Nicolas Sarkozy em 2007 e perdeu.

19h54: À direita, continua o sprint para marcar terreno para as legislativas. Marine Le Pen, a líder da Frente Naciomal. falou logo a seguir a Sarkozy e a Fillon, para capitalizar o seu resultado da primeira volta das presidenciais. “Sarkozy é o único responsável da vitória de Hollande”, disse a líder da extrema-direita. “A mobilização deve ser total. É preciso que os verdadeiros patriotas entrem no Parlamento”.

19h50: Na sede da Frente Nacional em Nanterre, nos arredores de Paris, Jean-Marie Le Pen, o presidente vitalício do partido de extrema-direita, não diz nada sobre a vitória de François Hollande, mas tem algo a dizer sobre o Presidente que está de saída. “Penso no senhor Sarkozy. ‘Sic transit gloria mundi’”, lança Le Pen pai, grande apreciar de locuções latinas, descreve o “Le Monde”. “Fico sempre contente com a derrota de um adversário, mas não pela vitória de um outro adversário”.

19h45: O primeiro-ministro, François Fillon, falou logo a seguir a Sarkozy para dizer que o centro e a direita podem contar com ele, manifestando que vai liderar o partido na campanha para as legislativas. Fillon fez o elogio do candidato derrotado, afirmando que o futuro “fará justiça a Sarkozy. Foi um Presidente de coragem”.

19h33: Sarkozy assume a derrota: “Sou o primeiro responsável por esta derrota e devo tirar todas as consequências disso. O actual Presidente está a discursar na Mutualité e disse ter telefonado a Hollande para lhe desejar boa sorte. “Depois de 35 anos de mandatos políticos, cinco anos à frente do Estado, meu empenho na vida do meu país será agora diferente. Voltarei a ser um francês entre os franceses”, diz Sarkozy no seu discurso de derrota.

19h27: Nicolas Sarkozy disse aos dirigentes do seu partido, a UMP, que não vai liderar a campanha para as legislativas, o terceiro round desta eleição, diz o Le Monde. A campanha para as legislativas, que acontecem dentro de mês e meio, já começou. Na TF1, Jean-François Coppé, secretário-geral da UMP, da direita gaulista, o partido de Nicolas Sarkozy, sublinhou que “não seria correcto dar todos os poderes à esquerda.” Alain Juppé, o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros, continuou o mesmo raciocínio: “Não farei processos de intenções ao PS, mas quando se concentram todos os poderes, isso pode levar a derivas. Isso será um dos nossos temas de campanha”. A líder do Partido Socialista, que também estava no palco da TF1, respondeu-lhe logo: “A oposição será respeitada, esperada e ouvida, sobre os grandes eixos da política de negócios estrangeiros e nacio19h23: “Os franceses escolheram, desejo boa sorte a François Hollande”, disse Alain Juppé, o ministro dos Negócios Estrangeiros, nos ecrãs da TD1. “Desejamos todos o sucesso da França. NIcolas Sarkozy soube criar um um élan, fez uma magnífica campanha. Não renunciamos às nossas campanhas, vamos empenharmos nas legistivas [primeira volta a 10 de Junho, segunda a 17].”

19h18: Na Bastilha, onde se vai fazer a festa na rua, o ambiente é de euforia, diz o “Guardian”. Milhares de parisienses juntaram-se ali tanto para comemorar a vitória de François Hollande como a humilhação de Nicolas Sarkozy. “As pessoas estão a sorrir, a rir, maravilhosamente alegres e simpáticas – a comportarem-se de uma forma que não é de todo o que se espera dos parisienses em público, que se esforçam bastante por ignorar os outros e serem mesmo desnecessariamente desagradáveis uns com os outros”, diz a jornalista Fiachra Gibbons no site do jornal britânico. “Um grito de ‘Sarko para a prisão” foi assumido por parte da multidão, relata.

19h16: A festa dos eleitores socialistas, em Paris, é na simbólica Praça da Bastilha, que, segundo o jornal “Le Monde”, negrejava de tanta gente que ali estava a acorrer.

19h12: “É uma grande felicidade, que põe fim a 17 anos de reino da direita no Eliseu”, felicitou-se o porta-voz do Partido Socialista Benoît Hamon, em declarações à agência AFP.

19h00: Os institutos CSA, TNS Sofres e IPSOS concordam em atribuir a vitória a Hollande, que se transformará no segundo Presidente socialista V República, iniciada em 1958, após François Mitterrand (1981-1995). A participação dos eleitores ficará entre 80% e 82%, ligeiramente acima dos valores da primeira volta.

Hollande, que votou em Tulle, na região da Corrèze, na qual é presidente do conselho geral, soube ali dos resultados, tal como na primeira volta. O mais que provável novo Presidente da República, que nunca foi ministro, mas dirigiu o PS durante 11 anos, não era o candidato mais provável contra Nicolas Sarkozy: era visto como demasiado “apparatchick”, demasiado provinciano, demasiado “redondo”, recorda a AFP. Mas desde que os socialistas o escolheram como candidato esteve à frente nas preferências dos franceses. Contou o efeito “anti-Sarkozy”.

Quanto a Sarkozy, preparava-se a festa da eventual vitória na Praça da Concórdia, e os militantes reuniam-se também na sala de espectáculos da Mutualité.

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