Merkel mantém confiança em ministra que perdeu doutoramento por plágio

7/02/2013 01:22 - Modificado em 7/02/2013 01:22
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Angela Merkel mantém “total confiança” na ministra alemã da Educação, a quem foi retirado o doutoramento por plágio. Annette Schavan, 57 anos, está em viagem oficial à África do Sul e, quando regressar à Alemanha, Merkel irá “conversar tranquilamente” sobre o que se está a passar.

 

Pressionados pelos partidos da oposição, que pedem a demissão da responsável pela pasta da Formação e da Educação, as principais figuras da CDU que militam no Governo começaram a falar sobre o anúncio feito na terça-feira à noite pela Universidade de Düsseldorf.

 

A Faculdade de Filosofia de Düsseldorf declarou o doutoramento “inválido”, depois de uma análise exaustiva ao trabalho, de 351 páginas, que versa estudos sobre a formação do carácter e da consciência. A escola considera que a ministra defraudou, “de forma sistemática e deliberada”, a academia, usando trabalho intelectual que não era seu, sem indicar a sua origem.

 

Esperar pelo fim da viagem

Para Angela Merkel, colega de partido de Schavan, a confiança na ministra permanece intacta, declarou o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert. Acrescentou que a líder do Governo alemão e da CDU pretende, no entanto, conversar “com tranquilidade” com a ministra, que para já recusa a hipótese de deixar o governo.

 

Doze membros do conselho da faculdade votaram a favor da anulação do doutoramento, dois votaram contra e houve uma abstenção. Mesmo assim, Schavan, que se encontra até sexta-feira em viagem oficial na África do Sul, promete lutar nos tribunais. A ministra tem um mês para apresentar recurso.

 

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, foi outro dos que se pronunciaram sobre o anúncio de terça-feira, e pediu calma. “Devemos dar-lhe a oportunidade de terminar primeiro essa viagem e só depois deveremos tomar uma posição sobre o que foi anunciado pela universidade”, declarou.

 

O líder parlamentar da CDU, Michael Kretschmer, tinha sido o primeiro a reagir aos pedidos do SPD e dos Verdes, que exigiram a demissão imediata de Schavan. “O critério não pode ser uma tese com 32 anos”, alegou Kretschmer, acrescentando que estava “totalmente convencido” de que esse trabalho académico respeita as normas em vigor na altura.

 

Os liberais do FDP, parceiros da CDU na coligação governamental, também se apressaram a deitar água na fervura. O secretário-geral deste partido, Patrick Dörig, disse que respeita a decisão de Schavan, de querer continuar no governo, e apelou a que se aguarde pelas decisões da Justiça.

 

O mesmo responsável destacou ainda os esforços de investimento que o país tem feito na Educação, o que resulta do “empenho” da actual titular da pasta.

 

O “governo dos copistas”

Porém, dentro do mesmo partido, há também vozes a defender o contrário. O líder do FDP-Baviera, Thomas Hacker, pediu o afastamento de Schavan, argumentando que se lhe deve aplicar os mesmos critérios que levaram ao afastamento do ex-ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg (da CSU, a União Social-Cristã na Baviera), igualmente apanhado a plagiar na tese de doutoramento, defendida em 2006 na Universidade de Bayreuth.

 

Representantes dos partidos SPD e Verdes consideraram, por seu lado, que a ministra da Educação não tem mais credibilidade para se manter no cargo.

 

As suspeitas de plágio foram levantadas em 2012 num blogue anónimo. Depois de meses de debate, a universidade acabou por abrir um inquérito. A decisão final foi desfavorável para a ministra, que dias antes admitira que poderia ter cometido erros, mas sempre recusou a suspeita de que tivesse copiado. “Pode ter havido descuidos, que não me envergonham, mas não cometi fraudes”, declarou a governante, a 31 de Janeiro, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, de Munique.

 

Na imprensa alemã, também há quem considere a anulação do doutoramento uma decisão errada. No mesmo jornal de Munique, Roland Preuss, jornalista e comentador de política, ironiza com os dois casos de plágio de membros do Governo de Merkel, dizendo que este executivo pode ficar para a história como o grupo dos copistas. E acrescenta: “Com estes dois casos, a quota de plágios atinge os 12,5%. Quase tanto como a proporção de problemas na tese de Schavan.”

 

Este caso, diz Preuss, “mina a credibilidade da coligação” CDU-CSU-FDP, em ano de eleições legislativas, “bem como os valores burgueses que esta defende: empenho e respeito pela lei”. Mesmo assim, e embora a decisão da universidade seja legalmente defensável, “não é a decisão correcta”, argumenta. “É um caso-limite que demonstra bem como foi árdua a luta de argumentos entre cientistas neste caso e que envolve erros de citação cometidos há 30 anos por uma jovem Annette Schavan – e que bem poderiam ter ficado no passado.”

 

 

 

jn.pt

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