Partido Popular nega contas secretas e “complementos salariais” dos seus líderes

1/02/2013 01:02 - Modificado em 1/02/2013 01:02
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O Partido Popular desmentiu as informações explosivas publicadas pelo jornal “El País” que revelam contabilidade secreta do partido conservador, onde se incluem pagamentos de somas regulares a toda a cúpula partidária até 2008, incluindo a Mariano Rajoy, actual primeiro-ministro. O líder do PSOE exigiu explicações a Rajoy e a demissão do ministro das Finanças.

 

“Estes documentos não correspondem à contabilidade do Partido Popular (PP)”, declarou a secretária-geral desta formação, em conferência de imprensa, comentando a publicação do El País. “Só há uma contabilidade, clara e transparente, e que todos os anos foi submetida à auditoria do Tribunal de Contas”, afirmou Dolores Cospedal.

 

Na conferência de imprensa em que falou sobre o caso, Cospedal recusou-se a dar a palavra ao jornalista presente do El País, revelou o director do jornal do centro-esquerda, Javier Moreno, através da sua conta de Twitter.

 

O El País publicou nesta quinta-feira na sua primeira página fotos de contas manuscritas alegadamente elaboradas pelos dois tesoureiros do partido entre 1900 e 2008, Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas, onde figuram com beneficiários alguns dos principais responsáveis do partido. Na lista surgem, entre outros, os nomes de, Rajoy, Rodrigo Rato, Jaime Mayor Oreja, Francisco Álvarez-Cascos, Javier Arenas, Ángel Acebes e Dolores de Cospedal, actual secretária-geral do PP.

 

Na contabilidade secreta, para além das listas dos pagamentos à cúpula do partido, surgem também listas referentes a “doações”, feitas por empresários, na sua maioria ligados à construção civil. O El País recorda que três destes nomes foram acusados no chamado “caso Gürtel”, por alegado financiamento irregular do PP através de pagamentos de comissões ilegais para obtenção de contratos públicos em autarquias e regiões autónomas governadas pelos populares. Bárcenas também esta a ser investigado no “caso Gürtel” e acusou o PP de o ter “deixado cair” – saiu do partido em 2009.

 

“Estre os beneficiários destes fundos, segundo a contabilidade de Bárcenas, figura desde 1997 Mariano Rajoy, actual presidente do governo e do partido, sempre com os mesmos valores recebidos (em pagamentos trimestrais ou semestrais ) para somarem um total de 25.200 euros por ano”, escreve o jornal de Madrid.

 

O ex-tesoureiro Luis Bárcenas emitiu um comunicado esta manhã em que nega que durante a sua gestão houvesse uma contabilidade paralela ou fossem pagos salários extra a membros da direcção do PP..

 

Mas Alfredo Rubalcaba, líder do PSOE, apelou ao presidente do PP e presidente do Governo, Mariano Rajoy, para que dê explicações de viva voz, num momento de austeridade e repetidos cortes. “Não são perguntas difíceis nem de resposta longa. Esta situação está a tornar-se insuportável para os muitos cidadãos a quem o Governo está a pedir esforços”, sublinhou o socialista.

 

Bárcenas reconheceu na quarta-feira ter aproveitado a amnistia fiscal aprovada pelo Governo de Rajoy no ano passado para branquear mais de 10 milhões de euros, através da empresa Tesedul. Foi o seu advogado que entregou as provas ao juiz que está a instruir o seu processo, Pablo Ruz. Por isso a oposição, incluindo o PSOE, está agora a concentrar atenções também sobre o ministro das Finanças, Cristóbal Montoro, reclamando a sua demissão. Montoro diz que o nome de Bárcenas não estava entre as 29.065 que beneficiaram da amnistia, mas confessa desconhecer se estaria entre as 618 empresas que a aproveitaram.

 

Investigações e processos

“Não existe ‘contabilidade secreta’ no Partido Popular”, insiste o PP, recordando que tomou a iniciativa de lançar “uma investigação interna e externa das suas contas, cujos resultados serão conhecidos em breve”.

 

Esta investigação foi ordenada por Rajoy depois das primeiras revelações feitas a 18 de Janeiro pelo jornal de centro-direita El Mundo, que escreveu que dirigentes políticos do PP receberam durante 20 anos salários não declarados provenientes de pagamentos feitos por empresas privadas,

 

Segundo este jornal, Rajoy, que chegou à liderança do PP em 2004, nunca recebeu complementos de salário “por baixo da mesa” e deu ordem para pôr fim a esta prática em 2009. A notícia do El País vem agora desmentir a do El Mundo. Rajoy recusou prestar declaração ao El País, e aguarda o resultado da investigação por si ordenada.

 

Dolores de Cospedal rejeitou a autenticidade das listas reproduzidas pelo El País e deu a entender que o jornal vai ser alvo de um processo judicial por difundir e reproduzir informações falsas. “Os papéis aguentam tudo: a verdade e o que não é verdade. Podem-se pintar, manipular, cortar…”, disse a secretária-geral do PP.

 

 

 

cm.pt

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