Morreu “irmã Maria”, a freira espanhola acusada de roubar bebés

25/01/2013 01:43 - Modificado em 25/01/2013 01:44
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Freira trabalhou como assistente social em hospitais de Madrid, onde nas décadas de 1970 e 80 vários bebés foram roubados. Às mães dizia que os recém-nascidos tinham morrido no parto.

 

A freira María Gómez Valbuena, conhecida em Espanha com “irmã Maria”, acusada em vários casos de roubo de bebés, morreu em Madrid aos 88 anos, segundo informaram fontes do convento das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a que pertencia.

 

A freira, que estava “muito doente” segundo as mesmas fontes citadas pelo El Mundo, tinha alegado “motivos de saúde” para não comparecer em tribunal no passado dia 18 de Janeiro, como indiciada depois de uma denúncia apresentada por Purificación Betegón pelo alegado desaparecimento das suas filhas gémeas que deu à luz na Clínica de Santa Cristina em 1981.

 

A “irmã Maria” só compareceu em tribunal uma vez por causa dos casos dos bebés roubados. Foi a 12 de Abril passado, no processo avançado por María Luisa Torres, que depois de encontrar a sua filha num programa de televisão, denunciou o roubo do seu bebé depois de dar à luz em 1982 também na Clínica de Santa Cristina. Mas nessa ocasião a freira não falou, resguardando-se no seu direito a não fazer declarações.

 

Escreve o El Pais que a “irmã Maria” morreu em silêncio, sem dar às mães que a acusavam de lhes ter roubado os bebés nenhuma pista sobre o paradeiro dos seus filhos.

 

Mas o nome desta freira nunca mais irá ser esquecido pela mães que há 30 e 40 anos saíram do hospital sem os seus bebés, convencidas que estes tinham morrido durante o parto, como lhe tinha sido comunicado. Mães que, recorda o El País, viveram durante anos meias enlouquecidas, convencidas afinal que os seus filhos não tinham morrido, que aquela irmã sorridente lhes tinha roubado os seus bebés.

 

A “irmã Maria” trabalhava como assistente social na clínica de Santa Cristina e colaborava com a de San Ramón, dirigida pelo médico Eduardo Vela, outro dos nomes que mais se repetem nas denúncias por roubo de bebés. À freira recorriam casais de toda a Espanha frustrados com as dificuldades de adoptar pelos canais tradicionais e grávidas em apuros (mulheres divorciadas, jovens mães solteiras). Foi acusada de tirar a umas para dar aos outros.

 

Raparigas engravidadas pelos patrões ou jovens expulsas de casa depois de os pais terem conhecimento da sua gravidez eram presas fáceis. As grávidas eram encaminhadas para uma pensão em Madrid onde havia sempre quartos reservados em nome da “irmã Maria”. Um apartamento no bairro de Salamanca, também na capital espanhola, era utilizado para o mesmo fim. Só saíam para as consultas com o dr. Vela e no final da gravidez para a sala de partos.

 

Alguns dos pais que adoptaram bebés nascidos destas mulheres guardaram as facturas que a “irmã Maria” lhes passou pelas despesas delas. Alejandro Alcalde, que adoptou a filha de Maria Luisa, Pilar, pagou quase 100 mil pesetas em 1982 por “gastos no parto, anestesia…”. É ele que recorda a “irmã Maria” como alguém com uma “terrível frieza”, segundo o El País. A freira ofereceu-se para trocar o bebé por outro porque Pilar tinha nascido doente.

 

A única vez que a freira se pronunciou sobre as acusações que lhe eram feitas foi numa nota escrita enviada para a imprensa, onde defendia a sua inocência e garantindo que lhe “repugnava” a separação de um bebé da sua mãe biológica.

 

 

 

jn.pt

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